Cadeia produtora de leite tem perspectivas promissoras

Publicado em 23/09/2010 07:58
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Por Marco Aurélio Bergamaschi, médico veterinário, doutor e supervisor do sistema de leite da Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos, São Paulo).
A remuneração do litro de leite recebida pelo produtor é determinada por uma equação complexa.

Vários fatores influenciam positivamente, como o período de entressafra (preços mais altos), maior consumo devido ao aumento populacional e da renda, além do mercado externo aquecido.

Há também os fatores que influenciam negativamente, como o período da safra (preços mais baixos), região produtora, concorrência com indústrias exportadoras de outros países e recessão.

O valor do leite ao produtor e ao consumidor pode variar em mais de 40% durante o ano. Mas o produtor e o consumidor precisam manter suas contas equilibradas: o primeiro, para manter a produção; o segundo, para continuar a consumir.

Até 2004, o Brasil era importador de produtos lácteos. Atualmente, somos também exportadores. Em 2002 importamos a mesma quantidade que exportamos em 2009.

De 2006 a 2008, a balança comercial de lácteos foi positiva (exportações superiores às importações), situação que se inverteu em 2009, embora o Brasil continue exportador.

Em 2008 o Brasil exportou US$ 540,8 milhões em lácteos e importou US$ 213,1 milhões. Os números de 2009 foram baixos, devido à crise mundial.

Panorama Futuro

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento traçou o panorama dos principais produtos do agronegócio para os próximos 11 anos. As perspectivas para a cadeia produtiva do leite são promissoras, com grande possibilidade de crescimento.

Acredita-se que a produção nacional atingirá cerca de 37 bilhões de litros, o que representa aumento médio de 1,95% ao ano. Em consequência do aumento populacional e também do poder aquisitivo, o consumo deve crescer 1,98% ao ano.

Outra tendência esperada é a manutenção dos resultados positivos das exportações. O volume a ser exportado nos próximos 11 anos pode se aproximar dos 2 milhões de toneladas anuais.

Contudo, essas previsões estão condicionadas a fatores críticos. A produção esperada pode ser comprometida pela distribuição de chuvas.

O ano de 2009 foi o mais chuvoso das últimas décadas em consequência do "El Niño" e este ano temos enfrentado uma seca bastante severa devido à "La Niña".

O consumo interno estará sujeito à manutenção de políticas públicas que garantam o poder aquisitivo da população. As exportações dependerão do desempenho da economia mundial, da negociação das barreiras tarifárias e não tarifárias impostas pelos países importadores e da qualidade do leite brasileiro.
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Fonte: Folha de São Paulo

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