Produtores de leite adotam estratégias para melhorar qualidade

Publicado em 01/10/2010 15:38
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Os produtores de leite adotaram nos últimos anos estratégias para garantir a melhoria da qualidade do produto. As ações se intensificaram a partir de 2001, resultando na edição da Instrução Normativa (IN) 51, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, com critérios de higiene, de manejo sanitário, de armazenamento e transporte do leite. Ao abordar a questão, discutida durante o IV Congresso Brasileiro de Qualidade do Leite, em Florianópolis (SC), o presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Rodrigo Alvim, salientou que a velocidade para conclusão do processo de melhoria da qualidade do leite ainda depende, no entanto, do pagamento de um adicional por parte da indústria e de uma participação mais efetiva do governo.

O Sistema CNA/SENAR vem desenvolvendo um conjunto de ações, nos últimos anos, para apoiar os produtores na busca de uma qualificação cada vez maior para o produto. Entre elas, está a distribuição de 60 mil cartilhas Como Produzir Leite de Qualidade, elaboradas pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) e encaminhadas às Federações de Agricultura nos Estados. O SENAR também preparou um vídeo com instruções sobre as melhores técnicas para produção de leite com qualidade, material que está disponível para consulta nas federações.

Para garantir a qualidade do produto, a CNA recomenda aos produtores alimentar adequadamente as vacas. Também é essencial ordenhar animais sadios, livres de mastite, brucelose, tuberculose e outras doenças. Adotar procedimentos de higiene durante e após a ordenha também é recomendado aos produtores. Esses procedimentos dependem da capacitação dos funcionários que trabalham no manejo dos animais. Após a ordenha, o passo seguinte é garantir o resfriamento do leite. Para essa etapa, o produtor precisa de tanques próprios de expansão ou imersão. Uma segunda opção é utilizar os tanques comunitários.

Alvim lembra que, para avançar ainda mais no processo de melhoria da qualidade do leite, o SENAR e o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) estabeleceram uma parceira o para desenvolvimento do Projeto PAS Leite. O objetivo é aumentar a segurança alimentar por meio da melhoria da qualidade do leite, evitando contaminações e aumentando a competitividade do produto nos mercados interno e externo. A base do PAS Leite é a adoção de um conjunto de normas previstas no manual de Boas Práticas Agropecuárias (BPA), cuja meta é assegurar a oferta de alimentos seguros e produzidos de modo sustentável. Iniciado no ano passado, os projetos piloto do PAS Leite deve formar 140 produtores de leite em 2010. O programa foi implantado em Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Ceará, Alagoas, Goiás e São Paulo.

Indústria Para Alvim, a adesão dos produtores aos programas de qualidade do leite seria maior caso as indústrias de lácteos aceitassem pagar um diferencial pelo produto de qualidade, prática que até o momento é adotada por um número limitado de empresas. Quando a indústria paga a mais por um produto diferenciado, o produtor investe em tecnologia e produz leite com qualidade maior, completou.

Para a CNA, o governo federal também precisa ter participação mais efetiva no processo de melhoria da qualidade do leite. Alvim citou, por exemplo, a necessidade de conclusão da montagem do laboratório de referência que vai auditar os oito laboratórios da rede e produzir as amostras padrões para esses laboratórios.

Outro ponto é a finalização do processo para formação de um Cadastro Único de Produtores, discussão que está sendo conduzida pelo Ministério da Agricultura. A partir da formação do cadastro, o governo poderá analisar as amostras de cada um dos lotes de leite depositados nos tanques de refrigeração. Hoje, a análise é feita a partir de amostras coletadas do leite estocado nos tanques, produto que pode ser depositado por diferentes produtores. A partir do cadastro, o Ministério poderá fazer o rastreamento do leite e identificar o produtor que eventualmente está comprometendo a qualidade do leite depositado no tanque, afirmou.

A revisão do Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (Riispoa) também é medida importante para o setor leiteiro. Essa reformulação permitirá que regras previstas na IN 51 sejam incorporadas ao novo Riispoa.

 

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Fonte: CNA

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