Faesc: Preço do leite cai, mas tendência é estabilizar e subir

Publicado em 22/02/2011 09:47 685 exibições
O fenômeno era previsível: os preços de referencia praticados pelos laticínios catarinenses na compra de leite cru dos produtores rurais caíram 1,08% neste mês de fevereiro. O valor pelo litro de leite padrão posto na plataforma da indústria (com Funrural incluso) baixou menos de um centavo, de R$ 0,6085 para R$ 0,6019.

O vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), Nelton Rogério de Souza, mostra que a queda era previsível, em razão do aumento da produção interna e da importação. Outro fator foi a queda geral nos preços do queijo - principal produto lácteo derivado - no varejo barriga-verde.
 
Entretanto, o dirigente prevê que em março o preço ficará estável e em abril iniciará a escalada de aumento.
Nelton explica que as importações de leite do Mercosul nos últimos meses foram responsáveis pela queda no preço, mas, agora, estão sendo reduzidas porque os preços internacionais do leite em pó estão aumentando. Assim, está se tornando antieconômico importar. Por outro lado, a aproximação do inverno assinala um período de maior consumo e menor oferta.

O Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite (Conseleite), do qual fazem parte a Faesc e o Sindileite, anunciou hoje os preços de referência da matéria-prima projetados para este mês de fevereiro, com redução de 1,08%.

Os valores foram fixados assim: o leite acima do padrão ficou em R$ 0,6922, o leite-padrão em R$ 0,6019 e o leite abaixo do padrão em R$ 0,5472. Dos quase 2 bilhões de litros de leite produzidos anualmente, em Santa Catarina, 35% estão acima do padrão e 65% estão no padrão ou abaixo.

Essa projeção será confirmada ou reajustada na próxima reunião mensal do Conseleite, no dia 17 de março, ocasião em que serão anunciados os números definitivos de fevereiro e a projeção dos valores para março.

ORIGENS

A Faesc não tem dúvidas: crise do setor leiteiro decorre das importações predatórias de lácteos, pois foram revogadas as licenças de importações não automáticas do Uruguai, facilitando a entrada de produtos no Brasil.
A liberação do mercado brasileiro de lácteos ao Uruguai faz parte de um acordo firmado no início de 2010, entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e José Mujica. O Uruguai se comprometeu a retirar as restrições sanitárias impostas à carne de frango brasileira em troca da livre exportação de lácteos ao Brasil. Ao contrário do presidente do Brasil, o representante do país vizinho, para preservar o mercado local, estabeleceu cotas de participação para o ingresso da carne de frango brasileira no Uruguai. Os lácteos uruguaios, porém, têm acesso livre ao Brasil.
O vice-presidente da Faesc mostra que o Brasil é autossuficiente na produção de leite e soro e essas importações só desorganizam o mercado e prejudicam o produtor nacional. Lamenta que a política macroeconômica brasileira, que mantém os juros elevados e distorce o câmbio, inviabiliza as exportações. “O câmbio atual torna o custo de produção de leite brasileiro em dólar um dos mais altos do mundo, o que desestimula as exportações e torna atraente importar”, encerra Nelton Rogério de Souza.

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Faesc

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