Audiência Pública mostrou a realidade da atividade suinícola em Santa Catarina

Publicado em 24/06/2011 10:27 406 exibições
Uma grande mobilização chamou atenção do setor suinícola. Suinocultores de todo o estado se reuniram e se mobilizaram em busca do mesmo objetivo, buscar soluções para o setor. Uma audiência pública para discutir a situação da suinocultura catarinense, foi realizada na última quarta-feira, 22, na Assembleia Legislativa. Dispostos a lutarem por seus direitos, produtores de São Miguel do Oeste, Chapecó, Seara, Joaçaba, Xanxerê, Concórdia, Videira e Braço do Norte, municípios que possuem Núcleos Regionais de Criadores de Suínos, se deslocaram de ônibus para participarem do encontro.Questões como o baixo valor pago aos produtores, o alto preço do milho, o embargo Russo para as exportações e a prorrogação da isenção de ICMS, foram alguns dos assuntos em pauta discutidos durante a audiência. A Audiência Pública foi uma reivindicação dos produtores de suínos de Santa Catarina e promovida pela Comissão de Agricultura e Política Rural Catarinense, e solicitada pelo Vice-Presidente da Mesa Diretora, Deputado Moacir Sopelsa, em parceria com a Associação Catarinense de Criadores de Suínos – ACCS.  A audiência contou com participação dos deputados estaduais, do secretário de Estado da Agricultura, prefeitos, vereadores, secretários municipais de agricultura, representantes de entidades ligadas à produção de suínos e dezenas de produtores do Extremo Oeste, Oeste, Vale do Rio do Peixe e Sul do Estado. Para Losivanio Luiz de Lorenzi, presidente da ACCS, os produtores “não conseguirão saldar suas dívidas bancárias”. Ele ressaltou que o preço caiu para o produtor, mas não para o consumidor. “Onde está a margem de lucro, com o supermercado ou com a indústria? Um suíno vendido por R$ 200 pelo produtor custa R$ 900 na gôndola” questionou. O secretário executivo do Sindicarne, Ricardo Gouvêa, lembrou que a indústria catarinense, diferentemente das indústrias do Sudeste, produz suínos e compra milho, por isso tem os mesmos problemas dos produtores. Gouvêa atribuiu a crise à desaceleração da economia brasileira, à baixa no consumo de alimentos, à pressão dos custos, à competitividade dos EUA, Canadá e Europa, à perda do mercado russo, à demora em consolidar novos mercados como a China e o Japão, e ao baixo preço da carne bovina e de frango. O secretário de Estado da Agricultura, João Rodrigues, hipotecou solidariedade aos produtores. Lembrou que o governo, ainda em janeiro, isentou o ICMS para os produtores por 90 dias e que agora prorrogou essa isenção. Para o secretário, é preciso definir o papel de cada um - Estado, municípios, União, indústrias e produtores -, e partir para a ação. “Só assim será solucionada a crise”, afirmou. O deputado federal Celso Maldaner, vice-presidente da Comissão de Agricultura da Câmara, anunciou que no próximo dia 29, quarta-feira, será realizada em Brasília uma audiência pública com o mesmo objetivo, com a presença do ministro da Agricultura, para encaminhar ações no âmbito do governo federal. O prefeito de Tunápolis, Enoí Scherer, informou que a suinocultura é responsável por 40% do PIB do município e que os produtores estão endividados e não têm como saldar seus compromissos. “Não caí fora porque não tem como, o prejuízo seria maior ainda”, desabafou. Para Adir Engel, presidente do Núcleo Regional de Criadores de Suínos de Braço do Norte, a audiência foi necessária para mostrar a situação da suinocultura e buscar junto a Câmara dos Deputados ações para ajuda ao setor. “O governo não pode resolver a situação dos produtores, mas pode intervir para buscar soluções mais rápidas. Durante a audiência muitos produtores deram sua opinião e mostraram seu desespero” declara. Realizamos uma ótima audiência, mas temos que dar continuidade às ações, em benefício dessa cadeia produtiva que é tão importante para Santa Catarina”, disse Sopelsa ao concluir a reunião. “Não podemos admitir que os preços estejam tão baixos e o reflexo disso nem chega na ponta, ou seja, no consumidor. O produtor segura o prejuízo maior, a indústria diz que também está perdendo, então precisamos nos empenhar para mudar essa realidade”, ele reforçou.  Encaminhamentos Ficou decidido que a Comissão de Agricultura continuará intermediando a liberação de estoques de milho da Conab, além das 70 mil toneladas que estarão disponíveis na primeira quinzena de julho. A Comissão ainda atuará no sentido de pressionar o governo federal a prorrogar as dívidas de custeio e de investimentos e a liberar mais crédito; também articulará a implantação efetiva do uso da carne suína na alimentação dos presídios, dos quartéis e na merenda escolar do Estado; proporá uma legislação que possibilite à pessoa física o acesso ao crédito presumido do ICMS; discutirá o controle da produção; e negociará a redução do ICMS da energia elétrica para os produtores. Na próxima terça-feira, dia 28, às 10 horas, irá acontecer uma reunião da Comissão de Agricultura e Política Rural Catarinense, com a ACCS, com o Sindicato da Indústria da Carne e Derivados de SC (Sindicarne) e com a Associação Catarinense de Supermercados (Acats). No encontro será discutida a promoção do consumo da carne suína e estabelecido um plano de ação junto à Celesc e às secretarias de Estado da Fazenda; da Justiça e Cidadania e da Educação, visando cumprir os encaminhamentos.
Tags:
Fonte:
ACCS

0 comentário