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Novembro começa frio para a comercialização do arroz

Publicado em 09/11/2012 07:17 312 exibições
Cepea indica queda de 0,5% nas cotações nos primeiros oito dias do mês.
Depois de uma queda de 1,4% nos preços em outubro, as cotações do arroz em casca fecharam os oito primeiros dias de novembro mantendo uma trajetória de queda. Segundo o indicador de preços do arroz em casca ESALQ/Bolsa Brasileira de Mercadorias - BM&FBovespa, as cotações do cereal em casca (50kg – 58x10), colocado na indústria e com pagamento a vista, recuaram 0,52% nestes oito dias de novembro, para R$ 38,61. Em dólar, a saca fechou nesta quinta-feira a US$ 18,91 pela cotação cambial do dia.

Os principais fatores para estes preços oscilando entre R$ 38,50 e R$ 38,90 são: o mês mais frio que começou com um feriadão. Na primeira semana em que a comercialização começaria pra valer, a Conab entrou no mercado anunciando um leilão, para esta quinta-feira, com arroz de safras velhas por até R$ 16,00 a saca, com base em uma tabela de deságio, para forçar a comercialização do produto que vem empacando nos pregões. A indústria que ainda tem algum capital para investir, pois boa parte dela já abastecida para os próximos 90 dias, aguardou o leilão. A cadeia produtiva reagiu e, com força política, transferiu o leilão para esta sexta-feira e a média ponderada da saca de arroz do aviso 410, de 72 mil toneladas no RS, passou de R$ 28,20 para R$ 34,60.

Ao mesmo tempo, levantamentos da Conab, as previsões do Irga, centros de meteorologia e da Emater/RS passaram a indicar uma safra praticamente igual à passada no Rio Grande do Sul, graças à recomposição das barragens que estavam com pouca água para a irrigação. Santa Catarina deve praticamente repetir a produção do ano passado, uma vez que em algumas regiões, como Turvo, já têm arroz comercializado a R$ 42,00 na porteira. Raros produtores ainda têm o produto, mas o valor certamente é atrativo e aumenta a expectativa do produtor e os investimentos nos tratos culturais.

O Mato Grosso, que poderia reduzir a área em mais de 30%, com preços médios da saca de 60 quilos a R$ 56,00, começou a repensar este recuo e a queda, se houver, deve ser bem menor. No Mercosul, os governos de Uruguai e Argentina comunicaram também a expectativa de safras similares. O Paraguai deve ampliar área e produção. Ao mesmo tempo, os preços médios ao produtor parecem ter encontrado a sua zona de conforto entre R$ 38,00 e R$ 39,00. Os produtores consideram um preço adequado, o governo também, os varejistas acham que está no limite da alta e a indústria, que tem uma margem de 5% a 8% de lucro, prefere lucrar sobre R$ 50,00 o fardo do que sobre R$ 38,00, obviamente. 

O desajuste ainda está no ritmo e nos volumes de liberação de estoques pela Conab, que mostra querer se ver livre do arroz de safras antigas a qualquer preço, uma vez que carregar este arroz por seis, sete anos, já elevou o custo da saca a algo perto de R$ 80,00. Deixar de pagar armazém e se livrar de arroz velho, com quebras, é um bom negócio, antes que o valor deste carregamento de estoque seja ainda maior. Alguns analistas já consideram que a expectativa de uma safra normal, as indústrias abastecidas e um patamar confortável de preços podem manter as cotações estáveis em novembro. Vai depender do movimento de oferta do governo, basicamente. Arroz, nas mãos do produtor, já tem pouco. E o que tem, com qualidade, não chega ao mercado pelas cotações referenciais.

O tempo seco e quente fez com que as máquinas avançassem no plantio no Rio Grande do Sul. Estima-se que mais de 80% da lavoura estará semeada até 15 de novembro se o tempo se mantiver seco. Mas, há previsão de chuvas no estado no final de semana. Todavia, os meteorologistas já estão considerando que o verão será mais seco do que o normal com o enfraquecimento do fenômeno climático El Niño. Principalmente a partir de janeiro. No Sul de Santa Catarina a semeadura está praticamente concluída. No Mato Grosso, recém começando.

SAFRA

Nesta quinta-feira (8/11), a Conab publicou seu segundo levantamento de safra de grãos 2012/13. E a previsão mudou levemente. Com os dados disponíveis em outubro, a companhia prevê safra de arroz entre 0,8 e 1% maior no Brasil. Ela indica produção entre 11,503 e 11,719 milhões de toneladas, o que representa um decréscimo de 0,8% até um avanço de 1% sobre as 11,599 milhões de toneladas de 2011/12. A área cultivada foi estimada de 2,347 a 2,387 milhões de hectares, diante de 2,426 milhões semeados na safra passada. A produtividade das lavouras foi estimada em 4,904 mil quilos por hectare, superior em 2,6% aos 4,780 mil kg/ha do ciclo passado.

O Rio Grande do Sul, principal estado produtor, pode reduzir ou aumentar a produção, segundo análise da Conab, ficando entre 7,64 e 7,79 milhões de toneladas, portanto, pode recuar até 1,4% ou ampliar em até 0,7% a produção. A área prevista é de 1,021 a 1,042 milhão de hectares, com queda entre 3% e 1% sobre os 1,053 milhão de hectares de 2011/12, com rendimento esperado de 7.475 quilos/ha. 

Em Santa Catarina, a produção deverá recuar 0,8%, totalizando 1,068 milhão de toneladas. O estado se consolida como o segundo maior produtor do país. Para o Maranhão, em terceiro lugar, a Conab está estimando uma safra de 639 mil toneladas, ante 467,7 mil toneladas calculadas para 2011/12.

INTERNACIONAL

Em outubro, segundo o Boletim Informativo Mensal do Mercado Mundial de Arroz ([email protected]) os preços mundiais se mantiveram estáveis, acusando uma ligeira baixa de 1%. O diferencial de preços entre a Tailândia e seus principais concorrentes asiáticos tende a se estabilizar. As colheitas asiáticas têm começado e se anunciam normais, salvo na Índia, onde a produção diminuirá neste ano. Ainda assim, esta diminuição pouco significativa não deve afetar o comércio mundial. 

As reservas dos principais exportadores têm incrementado e a oferta de exportação será amplamente suficiente para atender uma demanda mundial que, por ora, se anuncia estável em 2013. Portanto, os preços mundiais não devem mostrar grandes variações nos próximos meses, a não ser que surjam, na Tailândia por exemplo, mudanças significativas na política de preços internos.

Em outubro, o índice OSIRIZ/InfoArroz (IPO) caiu 2,2 pontos para 249,1 pontos (base 100 = janeiro 2000) contra 251,3 pontos em setembro. No início de novembro, o índice IPO ainda se mantinha estável.

MERCADO

A Corretora Mercado, de Porto Alegre, indica valorização de 67 centavos na saca de arroz nos últimos nove dias, e o preço referencial de 50 quilos em casca (58x10) no mercado gaúcho agora é R$ 38,67. A saca de 60 quilos de arroz branco teve queda de R$ 2,50, para R$ 75,70 sem ICMS/FOB e chega a São Paulo entre R$ 90,00 e R$ 99,00 com os tributos. Os quebrados de arroz registraram estabilidade, com o canjicão referenciado em R$ 39,50 e a quirera em R$ 38,00, ambos em sacas de 60 quilos (FOB/RS). O farelo de arroz, FOB/Arroio do Meio (RS), manteve-se com cotação estável de R$ 380,00 por tonelada.
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Fonte:
Planeta Arroz

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