Arroz: Primeira quinzena de fevereiro acumula perda de 1,5% nos preços ao produtor

Publicado em 18/02/2013 10:27
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Feriadão de Carnaval estagnou os negócios e início da safra cria clima de expectativa para o mercado. Preços caíram abaixo dos R$ 34,00 pela primeira vez em meses
O mercado de arroz no Brasil superou a primeira quinzena de fevereiro dentro do esperado, com leve queda nos preços praticados em razão do início da colheita no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, estados responsáveis por 75% da produção nacional, e com baixo volume de negócios por conta do feriadão de Carnaval e o período de férias escolares e profissionais. Depois de uma primeira semana em pequena elevação e algumas oscilações de humor, o mercado do arroz em casca estabeleceu os seus parâmetros em fevereiro direcionando-se para mais uma baixa. Ainda assim, vale lembrar que os prognósticos dos meses finais de 2012 eram para que em fevereiro a saca de arroz valesse entre R$ 28,00 e R$ 30,00. 

Em janeiro a queda do preço médio da saca do arroz em casca foi de 2,5%. Em janeiro, até o dia 15, o produto recuou 1,5%, segundo o Indicador de Preços do Arroz em Casca Esalq/Bolsa Brasileira de Mercadorias-BM&F Bovespa para o Rio Grande do Sul (à vista, em sacas de 50 quilos e padrão 58x10), que alcançou referência de R$ 33,84, na última sexta-feira (15/2). Em 17 dias, a saca de arroz desvalorizou 53 centavos. Pela cotação da sexta-feira, a saca de arroz equivalia a US$ 17,20. Vale lembrar que numa tentativa de conter a inflação, o governo brasileiro tem trabalhado por uma leve valorização da moeda nacional frente ao dólar, que fechou em US$ 1,00 = R$ 1,96. 

Essa valorização do Real preocupa a cadeia produtiva, pois torna o arroz brasileiro menos competitivo para as exportações e o mercado interno mais atraente para as importações. Ao mesmo tempo, os preços mais altos neste início de safra preocupam as tradings e indústrias, pois reduz o potencial de exportação do Brasil, que no balanço de oferta e demanda de 2013/14, são fundamentais para garantir preços remuneradores, principalmente no segundo semestre. De positivo, a disponibilidade de armazéns credenciados pela Conab para guardar parte da safra, já que boa parte dos estoques foi negociada em 2012.

Com o mercado nacional praticamente parado nos últimos 10 dias, as atenções do setor estão direcionadas à 23ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz, que começa na próxima quinta-feira em Restinga Sêca (RS) e termina no sábado. O evento deverá pautar as demandas do setor ao longo do ano. O primeiro tema, que deve garantir a polêmica do evento, é a eleição do estabelecimento de cotas de importação do Mercosul como prioridade dos arrozeiros gaúchos, já com o apoio do governo do Estado. O secretário estadual da Agricultura, Luiz Fernando Mainardi, já se posicionou favorável à adoção de cotas de importação pelo Brasil, em razão do desequilíbrio de preços provocados aos produtores nacionais, e reforçará a demanda junto ao governo federal. A tendência é de que os produtores catarinenses reforcem o coro pelo estabelecimento de cotas de importação ou criação de mecanismos de equilíbrio aos preços internos e externos. A redução dos tributos incidentes sobre a cesta básica e a exportação também estão na mira dos produtores.

No mercado livre gaúcho, a semana começa com o grão cotado entre R$ 33,50 e R$ 34,00 na maioria das praças, de acordo com as características do produto negociado e de comercialização da região. Os analistas acreditam que a quinzena final de fevereiro apresentará redução das cotações, na medida em que o pico de safra se aproximar e aumentarem os volumes de arroz a depósito nas indústrias e cooperativas, e a necessidade de negociação de dívidas e quitação de débitos de safra pelos produtores. Uma oferta mais significativa deverá ocorrer em março. A Emater/RS projeta a colheita gaúcha em 2%, embora o setor já trabalhe com indicador maior, em torno de 5%, considerando o início de cultivo, excepcionalmente em 2012, nos primeiros dias de setembro.

Mercado

A Corretora Mercado, de Porto Alegre (RS) apresenta preços referenciais de R$ 34,00 para a saca do arroz de 50 quilos, em casca (FOB), enquanto o grão beneficiado em sacas de 60 quilos se mantém em R$ 68,00. O canjicão (60kg/FOB) também manteve-se em R$ 37,00 e a quirera, R$ 34,00. O farelo de arroz (FOB Arroio do Meio/RS) também estabilizou o preço em R$ 370,00.
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Fonte: Planeta Arroz

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