Estimativas para estoques de trigo ainda podem cair mais, diz Goldman Sachs

Publicado em 12/07/2013 13:57 e atualizado em 12/07/2013 18:51

Nesta última quinta-feira (11), em seu relatório o USDA (Departamento de Agricultura dos EUA) reduziu em quase 9 milhões de toneladas a previsãpara os estoques mundiais de trigo no final de 2013/14. Comentaristas, incluindo o banco Goldman Sachs, alertaram que esse profundo corte para o estoque mundial de trigo pode não ser o último devido ao potencial de rebaixamentos para a colheita russa.

O mercado teme que o USDA esteja superestimando a safra da Rússia, com 54 milhões de toneladas, apesar das preocupações sobre a secura nas regiões Volga e Urais, sendo que a colheita russa é importante, já que o país é um grande exportador de suprimentos de trigo a preços competitivos.

O corte, que tem ajudado a manter os futuros da Bolsa de Chicago em curso para uma semana inteira de sessões positivas, reflete um aumento nas estimativas para a alimentação do gado na China, cujas grandes importações no último mês surpreenderam o mercado, mesmo após relatos de chuvas terem afetado a colheita chinesa.

 “A perspectiva de baixos estoques irá limitar a desvantagem de preço para o trigo, o que significa que os futuros de Chicago continuarão a ser negociados a um grande prêmio sobre os preços do milho no segundo semestre de 2013”, afirma Damien Courvalin, analista do Goldman Sachs.

A previsão do banco é que os preços do milho em Chicago caiam para US$ 4,75/bushel nos horizontes de 3 meses, 6 meses e 12 meses, com a negociação de futuros de trigo em US$ 6,50/bushel nos mesmos prazos, o que implica em um prêmio de US$ 1,75/bushel.

Os preços do milho tem uma perspectiva de declínio mesmo com as atuais preocupações sobre o tempo quente nos EUA. De acordo com o Goldman seria necessário uma deterioração significativamente maior nas condições climáticas para uma quebra na safra norte-americana.

O Rabobank também assinalou que ainda existe um risco para a produção global devido às preocupações com o clima na União Soviética e na Austrália, para a qual o USDA aumentou a sua previsão da safra, mesmo com o tempo seco no oeste do país, região que mais produz grãos na Austrália.

A Associação de Trigo dos EUA, que promove as exportações do grão norte-americano, afirmam que a safra de trigo da Rússia está uma "montanha russa", já que comentaristas russos sinalizam que a produção será bem abaixo das 54 milhões de toneladas previstas pelo USDA.

"A produção russa certamente será melhor este ano do que no ano passado, mas o persistente tempo seco durante a primavera e na época da colheita de verão, mais uma vez resultou em menores rendimentos do que o esperado para a produção da nova colheita de trigo", diz o grupo norte-americano.

Nesta última terça-feira (9), o Ministro da Agricultura da Rússia, Nikolai Fyodorov, reconheceu o potencial de um rebaixamento da própria estimativa do ministério, de 54 milhões de toneladas, para nada menos que 50 milhões de toneladas.

De acordo com a Agritel, consultoria de Paris com escritório na Ucrânia, a sua própria previsão era de uma safra 51,3 milhões toneladas e a estimativa do USDA é otimista dado o déficit hídrico nas regiões Volga e Urais.

"As exportações russas ainda são estimadas em 17 milhões de toneladas, o que, para observadores locais, ainda parece muito ambicioso", afirma a Agritel.

A consultoria também ressaltou o potencial de um corte no abastecimento de trigo, com os estoques da Rússia no início de 2013/14 menores do que a estimativa do USDA de 5,3 milhões de toneladas, frente ao esgotamento pelas exportações resilientes da última temporada, após uma colheita seca e reduzida: "Esses estoques podem estar mais perto de 3 milhões de toneladas. É esperado uma correção nas estimativas para a Rússa no próximo relatório mensal do USDA".

Com informações do site internacional Agrimoney.

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Fonte: Notícias Agrícolas

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