Arroz: Preços travam no Sul e futuro é imprevisível

Publicado em 20/08/2013 09:41
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O leilão de oferta de 50 mil toneladas de arroz em casca dos estoques públicos, pela Conab,  que vendeu 32 mil toneladas no início do mês, estabeleceu novo patamar de preços ao mercado gaúcho, em torno de R$ 34,00, depois de estes alcançarem até R$ 37,00 em algumas regiões pela saca de 50 quilos. Todavia, os preços são meramente referenciais. A alteração nas cotações travou os negócios nas últimas semanas, com indústrias fora de mercado e produtores ofertando o estritamente necessário, apesar do vencimento de custeio e da primeira parcela da renegociação de dívidas, e formação de lavouras, que exigiriam, em tese, maior oferta do cereal em busca de recursos para fazer frente às despesas.

Ainda refletindo a alta de preços e, talvez um início de retração da oferta na semana final de julho com o anúncio do leilão de estoques, o volume de beneficiamento de arroz no Rio Grande do Sul caiu 11,3%, segundo o acompanhamento do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) sobre a geração da Contribuição para o Desenvolvimento da Orizicultura (taxa CDO) referente a junho. A informação é da Agrotendências Consultoria em Agronegócios. Segundo o levantamento, o Rio Grande do Sul já haveria processado 3,12 milhões de toneladas e restariam 4,9 milhões. “Foi o pior desempenho da temporada 2012/13”, atesta Tiago Sarmento Barata, diretor da Agrotendências.

Com o dólar mais valorizado sobre o real, os preços internos se tornam menos atrativos para o Mercosul, que vem buscando outros mercados – exceto o Paraguai, dependente quase que exclusivamente do Brasil -, mas também não chegaram a patamares que deem suporte à retomada das exportações. Agentes de mercado consideram que os valores não baixaram conforme era esperado com o leilão e a medida, ao contrário da intenção de dar maior fluxo aos negócios, “congelou” as negociações. Atualmente, todos os elos da cadeia produtiva consideram o futuro uma incógnita, e recuaram para aguardar uma leitura mais clara dos fatos. O produtor não oferta, a indústria não compra e o varejo não aceita repasse à alta da matéria-prima até a semana final de julho.

Por outro lado, a indústria não tem mais preços tão convidativos do Mercosul para importar e as empresas gaúchas precisam comprar grão do produtor local para ter acesso aos incentivos tributários. O mercado internacional, apesar da alta do dólar, segue indicando quedas de preços em alguns países importantes, o que também retira a competitividade brasileira. Assim sendo, com preços internos ainda estáveis, baixa fluência de negócios e queda nos preços internacionais – em dólares – nem um câmbio mais favorável está ajudando as tradings na retomada das exportações.

Diante deste cenário, o indicador de preços do arroz em casca ESALQ/Bolsa Brasileira
de Mercadorias-BM&FBovespa para o Rio Grande do Sul (50kg/58x10) colocado na indústria, à vista, aponta média de R$ 34,56 para esta segunda-feira (19/8). Em dólar, pela cotação do dia, alcança US$ 14,32. O indicador desvalorizou 0,46% em agosto. No mercado livre, cotações referenciais entre R$ 34,00 e R$ 35,00 na maioria das praças, mas com baixo volume de negócios.

SAFRA

Catarinenses e gaúchos entram na reta final do preparo das terras para o início do plantio da safra 2013/14, que já começa na primeira quinzena de setembro em algumas regiões, se a temperatura média do solo e o clima permitirem. A maior parte das áreas recebe preparo de verão, o que leva à redução das operações de inverno/primavera. Boa parte das terras gaúchas já passou por dessecação e nivelamento ou entaipamento. O Irga deve divulgar até a próxima semana o seu primeiro levantamento de expectativa de área cultivada. Em geral, a expectativa é de uma superfície semeada próxima de 1,1 milhão de hectares, em função dos bons preços praticados ao longo dos oito primeiros meses de 2013, acima do custo de produção, boa recuperação das aguadas e estoques baixos no Mercosul. A expectativa do Irga para a área de soja em terras de arroz, no entanto, deverá ficar acima do inicialmente estimado. Esta área deve passar de 293 mil hectares para mais de 350 mil hectares.

No Mercosul, informações recebidas por PLANETA ARROZ indicam que o Uruguai, com recuperação parcial de suas barragens, deve retomar parte da área cultivada, passando de 172,7 mil hectares para 177 mil, com crescimento de aproximadamente 3%. Haverá recuperação também na Argentina (3,3%) para 240 mil hectares e uma alta significativa no Paraguai, que passará de 105 para 125 mil hectares (19%).

PREÇOS

O futuro do mercado brasileiro é uma incógnita, e poderá ter uma luz em pouco mais de uma semana, quando a Câmara Setorial Nacional do Arroz reúne-se em Esteio (RS), por ocasião da Expointer 2013. Um encontro paralelo, em Porto Alegre (RS), entre técnicos da Conab, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, indústrias e produtores, deverá definir o futuro da comercialização do grão dos estoques públicos e, com isso, permitir que o mercado vislumbre com maior clareza um futuro próximo em termos de parâmetros de preços. Em geral, agentes de mercado acreditam que os preços estabilizem abaixo dos R$ 34,00 com novas intervenções do governo nos próximos 60 dias, mas com nova valorização a partir de outubro. O certo é que um número muito grande de variáveis, que vão dos estoques públicos e privados até o câmbio e os preços internacionais, passando pelo dimensionamento das safras do Brasil e do Mercosul e a política de oferta de estoques do governo, pode alterar o comportamento do mercado a qualquer momento.

COMERCIALIZAÇÃO

Para o ano comercial 2014/15, que começa no próximo mês de março/14, uma nova preocupação ao setor produtivo. Setores da indústria divulgaram, após uma reunião há 15 dias em Pelotas (RS), que pretendem valorizar as variedades nobres (BR IRGA 409 e IRGA 417) a partir da próxima safra, incentivando à produção de grãos de melhor qualidade. No entendimento dos produtores, esta sinalização tem outro objetivo, indicar que haverá uma maior depreciação nos preços de variedades de arroz mais “gessado” ou “quebrado” e na média do cereal produzido no Rio Grande do Sul. O tema chegou a ser debatido entre técnicos, produtores e alguns representantes da indústria e de sementeiras no Congresso Brasileiro do Arroz Irrigado, que ocorreu na última semana em Santa Maria (RS) com a presença de mais de 800 cientistas, produtores, técnicos e estudantes de todo o Brasil e de países do Mercosul. O evento foi um sucesso de público e conteúdo.

MERCADO

A Corretora Mercado, de Porto Alegre, apresenta cotações médias estáveis para o arroz em casca e beneficiado, e leve alta para os subprodutos. A saca de arroz de 50 quilos (58x10) é comercializada no Rio Grande do Sul, em média, por R$ 34,00. A saca de 60 quilos, beneficiado, tipo 1, por R$ 69,00 (sem ICMS). O canjicão de arroz alcança preço referencial de R$ 37,30, enquanto a quirera se mantém estável, em R$ 33,50, ambos em sacas de 60 quilos (FOB). O farelo de arroz é cotado a R$ 380,00 a tonelada/FOB Arroio do Meio (RS).

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Fonte: Planeta Arroz

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