Arroz: Mercado calmo, mas de muitas notícias na segunda semana de setembro

Publicado em 12/09/2013 08:26
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O mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul abriu esta segunda semana de setembro com uma avalanche de notícias e fatores que podem influenciar o mercado. De negativo, a queda de 1,99% do Indicador do Arroz em Casca Esalq/Bolsa Brasileira de Mercadorias-BM&FBovespa (Rio Grande do Sul, 58% de grãos inteiros) ao longo do mês, baixando para R$ 34,07 a saca do produto em casca nesta terça-feira, 10/9. O valor, pela cotação do dia, equivale a US$ 14,90/50kg. A boa notícia é que, apesar de dois leilões de oferta do governo federal, os preços se mantêm acima dos R$ 34,00. O mercado livre não sofreu grandes alterações, com a maior parte dos produtores segurando seus estoques remanescentes e só realizando negociações mediante este patamar de preços.

A realização do terceiro leilão de oferta da Conab em 2013 deixou o mercado em compasso de espera. Com a redução dos preços, em torno de 10% sobre os pregões passados, e oferta de produto de safras mais antigas, a Conab conseguiu vender 44,63 mil toneladas, ou 88,1% da oferta total de 50,65 mil toneladas de arroz em casca dos estoques públicos. Todo o produto estava estocado no Rio Grande do Sul e a oferta foi bastante pulverizada, com grão armazenado em praticamente todas as regiões do estado. A média simples ficou em R$ 31,60 por saca de 50 quilos e a ponderada somou R$ 31,62. O total da operação somou R$ 28.227.799,38. Os lotes acima de 62% de inteiros alcançaram médias superiores a R$ 34,00, que é o padrão do mercado livre.

O secretário nacional de Política Agrícola, Neri Geller, divulgou nota informando que o leilão não afetou à remuneração no Sul do Brasil e que o governo voltará a intervir no mercado sempre que os patamares de preços estiverem acima de R$ 34,50 (pelo indicador Cepea). A expectativa do setor é para um novo leilão nos primeiros dias de outubro.

SAFRA

Uma das surpresas da semana veio no 12º Levantamento da Safra de Grãos, divulgado esta semana pela Conab. A empresa reduziu, novamente, a projeção de consumo brasileiro, apesar do gradativo aumento populacional e, com isso, aumentou o estoque de passagem para fevereiro de 2014. Essas mudanças, para fechar os números estimados vêm se tornando rotineiras e já não têm o mesmo amparo de credibilidade, tanto da indústria quanto do setor produtivo ou dos analistas de mercado, que questionam a existência de qualquer tipo de estudo para dar embasamento ao indicativo de consumo utilizado pela Conab. Ainda assim, é uma posição de governo. 

A projeção de exportação caiu para 900 mil toneladas, diante da evidente dificuldade do Brasil em exportar ao longo de 2013, seja por dificuldades logísticas ou os preços internos. O governo espera que o País importe 1 milhão de toneladas de arroz, em base casca.

Assim sendo, o levantamento indica um aumento produtivo de 1,3% na safra de arroz que se encerrou (2012/13). Segundo a Conab, a safra brasileira 2012/13 de arroz teve produção de 11,75 milhões de toneladas, 100 mil a menos do que projetado há um mês. A área plantada ficou em 2,39 milhões de hectares, com queda de 1,5% sobre a temporada anterior. Enquanto isso, a produtividade da lavoura nacional foi estimada em 4.913 quilos por hectare, superior em 2,8% aos 4.780 kg/ha da temporada passada.

No relatório da Conab é citado que : “por meio das informações disponíveis, os resultados finais do quadro de suprimento de arroz da safra 2011/12 sofreu alteração no consumo, o qual, passou a ser
quantificado em 11.656,5 mil toneladas. A previsão de produção da safra 2012/13 sofreu redução de 111,7 mil toneladas, sendo agora prevista em 11.746,6 mil toneladas. Como consequência dessa alteração, o estoque de passagem foi afetado e passou a ser estimado em 1.971,9 mil toneladas”. Assim sendo, a Conab espera que o estoque de passagem 2013/14 caia apenas 150 mil toneladas sobre o anterior.

COMÉRCIO EXTERIOR

Segundo o Boletim Mensal de Preços Internacionais do Arroz, editado pelo analista Patrício Méndéz del Villar, do Cirad, da França, em julho, os preços mundiais continuaram baixando sob influência dos estoques abundantes que a Tailândia dispõe e das perspectivas de boas colheitas asiáticas. A superabundância do mercado mundial de arroz deve continuar pesando sobre os preços internacionais. Enquanto os armazéns dos países exportadores incham de arroz, a demanda dos principais importadores mundiais tende a diminuir. Ademais, os tradicionais exportadores asiáticos devem enfrentar a competição de novos atores, como o Myanmar e Camboja, onde as exportações estão em forte crescimento.

Por outro lado, a situação nos Estados Unidos e no Mercosul parece diferente. As disponibilidades seriam menos abundantes e os preços de exportação devem se manter em níveis elevados.

Em julho, o índice OSIRIZ/InfoArroz (IPO) caiu 4 pontos para 224,7 pontos (base 100 = janeiro 2000) contra 228,7 pontos em junho. No início de agosto, o índice IPO continuava baixando para 222 pontos.

PRODUÇÃO E COMÉRCIO MUNDIAL

Segundo a FAO, a produção mundial em 2012 aumentou 1% para 734,7 milhões de toneladas (490Mt base arroz elaborado) contra 726,9Mt de arroz em casca em 2011. Esta relativa estabilidade se deve ao equilíbrio entre as colheitas asiáticas. Os bons resultados na China compensaram amplamente a ligeira redução da produção na Índia. As primeiras estimativas para a campanha 2013 indicam um aumento de 2% da produção para 749Mt (500Mt, base arroz elaborado).

Estas estimativas consideram as boas condições climáticas no Sul e Sudeste da Ásia. Nas demais partes do mundo, a produção deveria se manter estável. Na América do Sul, as áreas plantadas serão menores, enquanto na América do Norte as colheitas estariam diminuindo por causa de problemas com a seca.

Em 2012, o comércio mundial marcou um novo recorde, alcançando 38,6Mt, alta de 6% em relação ao recorde anterior de 2011. Em 2013, as previsões indicam uma redução da demanda asiática, o que deve afetar o comércio mundial, caindo 3% para 37,5Mt. Este volume representa, não obstante, um nível bem superior à média dos três últimos anos.

Os estoques mundiais de arroz no final de 2012 alcançaram níveis históricos de 161,7Mt, alta de 11% em relação a 2011. Em 2013, as estimativas apontam um novo recorde de 173,7Mt (+7,4%). As primeiras indicações para 2014 mostram uma nova alta para 182Mt. Estas reservas representariam assim 36% das necessidades mundiais, a mais alta relação observada nos últimos dez anos.

EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO

A boa notícia da semana foi o recorde de exportações do ano, ocorrido em agosto, com crescimento de 308%. Dados divulgados pelo Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) confirmam que a alta do dólar influenciou as vendas externas, que beiraram 160 mil toneladas (base casca) em agosto, expressivos 308,2% a mais do que 38,9 mil toneladas (base casca) exportadas em julho. No primeiro semestre deste ano comercial 2013/14 (março a agosto) a soma total de vendas externas ate em 501,8 mil toneladas, o que representa praticamente a metade dos embarques realizados na temporada passada, quando as exportações bateram em 1,45 milhão de toneladas, bem distante das 900 mil t estimadas pela Conab para o ciclo atual. É importante destacar que cerca de 50 mil toneladas que partiram em agosto, tiveram atraso no embarque programado para o final de julho.

Outra notícia importante foi a queda das importações no mês de agosto, embora o volume internalizado tenha crescido no ano comercial. Em agosto o Brasil adquiriu 70,88 mil toneladas de arroz (base casca) no exterior, especialmente no Mercosul, 2,2% a menos do que em julho. No acumulado do ano comercial 2013/14, o Brasil importou 590 mil toneladas (base casca), 13% a mais do que importou no mesmo período da temporada anterior. A Conab projeta a compra, pelos brasileiros, de 1 milhão de toneladas no mercado internacional, mais de 95% do Mercosul.

Com o dólar em alta, a internalização de arroz no Brasil se torna um negócio de menor valor. E Uruguai e Argentina buscam novos mercados, que pagam mais. O Paraguai segue produzindo exclusivamente para vender para clientes brasileiros. Ao mesmo tempo, com o Real depreciado, e alguma queda nos preços internos por causa dos leilões da Conab, a exportação começa a ganhar novo fôlego no Brasil, apesar dos sérios gargalos de logística para exportar arroz.

MERCADO

A Corretora Mercado, de Porto Alegre (RS), indica esta semana os preços do arroz e subprodutos estabilizados. A saca de 50 quilos, em casca, tem preço referencial de R$ 34,00. Já o cereal beneficiado, em sacas de 60 quilos, segue comercializado por R$ 68,00, em média, no Rio Grande do Sul. A saca de 60 quilos de canjicão alcança R$ 39,00, valorizado por conta da demanda de exportações para a África, e a quirera, também em 60 quilos/Fob, segue cotada a R$ 33,50. A tonelada de farelo de arroz, Fob/Arroio do Meio (RS) tem indicativo de preço estável em R$ 380,00.

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Fonte: Planeta Arroz

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