Argentina: Área de trigo para safra 2014/15 deve ter aumento de 9,58%
Faltando um pouco mais de um mês para o início do plantio de trigo na Argentina, as primeiras projeções privadas sobre a superfície que o cereal poderia alcançar no país em 2014 calculam um aumento de 9,58%. O cultivo, cuja área foi de 3,65 milhões de hectares no ano passado, agora poderá alcançar os 4 milhões.
"É muito preliminar, mas, com base em estimativas e enquetes com produtores, se projetam 4 milhões de hectares", disse Matías Ferreccio, presidente da Associação Argentina de Trigo (Argentrigo), entidade que agrupa a cadeia do cereal, desde produtores até moinhos e exportadores.
Gustavo López, consultor da Agritrend, também aguarda o mesmo número que Ferreccio: 4 milhões de hectares. Mas, segundo López, este número é um "piso", já que poderá haver mais superfície se o Governo enviar um sinal para o plantio.
As empresas que vendem sementes de trigo também consideram que haverá um aumento da superfície. "Haverá um crescimento de 5% a 10%", disse Guillermo Alonso, da Nidera.
Alonso destacou que há "perfilhos carregados" para realizar o plantio. Em rigor, as últimas chuvas deixaram os solos em ótimas condições.
Até o momento, o Governo argentino não realizou uma projeção sobre a área que o trigo poderá alcançar na próxima safra.
Segundo os especialistas, o cereal incrementará sua superfície diminuindo a área da cevada. Nos últimos anos, em meio das intervenções do Governo no mercado do trigo, a cevada havia ganhado espaço na principal região produtora, o sudeste de Buenos Aires.
Segundo o jornal argentino La Nación, outro fator que, de acordo com os especialistas, poderia impulsionar o aumento de área de trigo, é o preço, que mostra uma sensível recuperação em relação à mesma época do ano passado para o início do plantio.
"O preço esperado em janeiro de 2015 é de 204 dólares a tonelada. No ano anterior, o valor esperado era de 184 dólares a tonelada. É dizer que haverá uma melhora de 20 dólares por tonelada, o que implica em um incremento de 10,8%", explicou López.
Antes de assumir no último mês de novembro, o ministro da Agricultura, Carlos Casamiquela, prometeu medidas para incentivar o plantio em 2014. Casamiquela afirmou também que avançaria com um sistema "quase automático" de permissões para exportar o cereal, conhecidas como Registros de Operação de Exportação (ROE).
Até o momento não houve medidas oficiais a respeito. Os produtores estão aguardando que a presidente Cristina Kirchner devolva as retenções das exportações através de um fundo fideciário.
O campo segue pedindo para que o mercado de trigo seja liberado. "Os ROE têm de desaparecer porque geram incertezas", destacou o presidente da Argentrigo. Ferreccio também pede para que as retenções sejam "quitadas".
(Com informações da Bolsa de Cereais de Buenos Aires)