RS: cotações do arroz rompem segunda quinzena de abril acima dos R$ 35

Publicado em 21/04/2014 14:33 543 exibições

O mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul aqueceu de vez nos últimos 15 dias, especialmente pelo início da colheita da soja e o ingresso nos 20% finais das operações das colheitadeiras nas lavouras de arroz. Por um lado, produtores que semearam 300 mil hectares de soja em várzea estão voltando suas atenções às operações de colheita da oleaginosa e sua comercialização, embora boa parte tenha sido comercializada ainda no inverno passado.

Por outro lado, o avanço da colheita de arroz no Rio Grane do Sul segue confirmando volumes pouco abaixo do esperado em algumas lavouras, especialmente na Campanha, Depressão Central e alguns municípios da Fronteira-Oeste. Isso se dá especialmente por conta das falhas geradas pelo abortamento de flores causadas pelo excesso de calor entre dezembro e fevereiro, quando a sensação térmica em alguns municípios ultrapassou os 50 graus centígrados. Segundo o Irga, a safra gaúcha já superou 80% das operações de colheita.

O início da colheita da soja também traz outros efeitos. Um deles é a disputa por transportadores e armazéns com o arroz, encarecendo o frete e trancando as exportações. Mas, por outro lado, com a venda da soja, o arrozeiro pode fazer frente às despesas do final do ciclo de colheita e preparo antecipado de solo. Muitos produtores também já buscaram EGFs e pré-custeio nos órgãos de crédito oficial. O verão com clima mais chuvoso a partir de janeiro, também deu boas condições de pastejo natural e artificial, gerando um fluxo interessante de negócios para a pecuária, com preços remuneradores, especialmente à comercialização de terneiros, o que é outra alternativa de renda dos produtores. A boa comercialização com o exterior, assegurada em março, em 133 mil toneladas, praticamente 10% da meta de exportação brasileira este ano, faltando ainda 11 meses de comercialização, também ajuda no aquecimento do mercado no Sul do Brasil.

De maneira geral os produtores não estão concordando com os números da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), argumentando que a produção é inferior aos números oficiais. Em geral, os arrozeiros gaúchos argumentam que a olho nu as lavouras estavam melhores do que no ciclo passado, mas na secagem é possível perceber um exagerado volume de grãos chochos e falhados. Já em Santa Catarina, os produtores argumentam que a qualidade da safra é muito boa, apesar de algumas perdas pontuais.

Diante deste cenário, no Rio Grande do Sul se encontra preços médios entre R$ 34,00 e R$ 35,00 na maioria das praças de comercialização (preços à vista para o arroz em casca – 58x10). Em Santa Catarina, a saca de 50 quilos varia entre R$ 33,00 e R$ 35,00 dependendo da praça. No Litoral Norte gaúcho as cotações chegam a R$ 38,00 para a saca de arroz das variedades nobres, com percentual de inteiros acima de 62%. O mesmo produto é cotado a R$ 35,00 na Fronteira-Oeste, especialmente São Borja e Itaqui. Estas duas praças, aliás, seguem com preços médios inferiores às demais regiões gaúchas – na faixa de R$ 33,00 a R$ 34,00. A concentração dos negócios em grandes volumes com poucas indústrias, a queda na qualidade do grão colhido nesta safra – com maior volume de quebrados – e a distância dos polos de parboilização e exportação, encontram-se entre os fatores que causam esta retração nos preços.

O Indicador Arroz em Casca Esalq/Bolsa Brasileira de Mercadorias-BM&FBovespa por saca de 50 kg, tipo 1, 58/10, posto na indústria do Rio Grande do Sul, à vista (prazo de pagamento descontado pela taxa CDI/CETIP) apontou R$ 35,12 como valor referencial desta terça-feira, dia 15/4; No mês a valorização já acumula 3,35%. Em dólar, pelo câmbio do dia, a saca equivalia a US$ 15,70. Em moeda estadunidense, esta é a menor cotação da semana, mesmo que seja a maior em R$ em mais de 60 dias.

EXPORTAÇÃO

A Agrotendências Consultoria em Agronegócios, do Rio Grande do Sul, aponta que apesar das enormes dificuldades enfrentadas nas operações no Porto de Rio Grande/RS a partir da quinzena final de março, o desempenho das exportações brasileiras de arroz mês referido foi positivo, gerando saldo de 82,8 mil toneladas na balança comercial do cereal. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), foram embarcadas 133.670 toneladas (base casca) no primeiro mês deste ano comercial 2014/15, com alta de 112% sobre o volume do mês anterior.

“Cuba, destino de 40,4 mil toneladas (base casca) de arroz branco, é o principal parceiro comercial, até o momento, seguido por Serra Leoa e Senegal. Aproximadamente 53% do volume total (equivalente casca) exportado é de arroz quebrado, enquanto o escoamento do produto beneficiado representou 46%”, diz o relatório assinado pelo consultor Tiago Sarmento Barata. Para o mês de abril, a expectativa é de redução significativa das vendas como consequência das dificuldades operacionais no porto, mais voltado à exportação de soja, e da perda de competitividade ocasionada pela valorização do arroz no mercado doméstico e desvalorização do dólar.

O MDIC também informa a importação de 50,8 mil toneladas (base casca), representando uma redução de 20,5% em relação ao volume importado no mês de fevereiro. Metade deste volume é de grão beneficiado e 48% de arroz descascado. Assim como no ano passado, Paraguai é a principal origem do arroz importado, representando 62% do total. 

SAFRA

Na semana que passou a divulgou o sétimo Levantamento da Safra 2013/14 praticamente mantendo os números de março. Estima que o Brasil colha 12,59 milhões de toneladas de arroz, com aumento de 6,6% em relação à safra anterior. O relatório traz redução de quase 170 mil toneladas sobre à expectativa anterior, com maior impacto gerado pela redução da estimativa de área plantada no Mato Grosso, que havia sido superestimada em 248,5 mil hectares (em março) e agora recuou à 184,3 mil hectares. Para o Rio Grande do Sul, a projeção é de colheita de 8.433,6 mil toneladas, 6,3% a mais do que na safra anterior. Este volume será produzido com o crescimento de 4,4% da área plantada e de 1,8% da produtividade.

MERCADO

A Corretora Mercado, de Porto Alegre (RS), indica preços médios de R$ 34,50 para a saca de arroz em casca (50kg) e R$ 69,00 – estáveis, para a saca de 60 quilos de arroz beneficiado (branco) sem ICMS (Fob) vendido no Rio Grande do Sul. Mesmo com forte demanda, o crescimento da oferta, inclusive de sucedâneos, está interferindo nos preços de mercado dos quebrados de arroz. O canjicão desvalorizou esta semana, baixando para R$ 35,50 por saca de 60 quilos. Nos últimos 10 dias a quirera, também em sacas de 60 quilos, manteve-se cotada a R$ 36,50. Já o farelo de arroz perdeu preços e é cotado e R$ 340,00 a tonelada/Fob em Arroio do Meio (RS).

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Planeta Arroz

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