Importação de cereais dos EUA pela China pode continuar limitada após acordo comercial

Publicado em 22/01/2020 13:10
Compras chinesas anuais giram em torno de 5 milhões de toneladas de milho e 3 milhões de toneladas de trigo no mercado externo

Apesar da demanda chinesa grande por milho e trigo, o país não deve comprar grandes volumes dos EUA após a assinatura da primeira fase do acordo comercial. Diante da preocupação com a oferta de milho, a China suspendeu a entrada em vigor da mistura de 10% de etanol na gasolina, prevista para 2020. Essa medida deve frear o potencial crescimento das importações de milho, apesar do consumo interno alto.

“Além de faltarem detalhes de volumes e de quais produtos a China vai comprar com o objetivo de cumprir o acordo, foi anunciado, no começo de janeiro, que o país asiático não tinha a intenção de elevar sua cota anual de importações, que contam com tarifas reduzidas de 1%, com o objetivo de cumprir o acordo com os EUA”, lembra a analista de mercado da INTL FCStone, Ana Luiza Lodi. Atualmente essa cota está em 7,2 milhões de toneladas para o milho e as importações tem ficado abaixo desse nível.

Mesmo importando pouco, nos últimos anos, a China tem originado a maior parte de suas importações de milho na Ucrânia, lembrando que a competitividade no mercado exportador do cereal cresceu muito, com destaque também para Brasil e Argentina. Já o Brasil exporta volumes muito pequenos de milho para a China.

A situação do trigo é parecida. “Não existe grande dependência do mercado externo para abastecimento do produto, com as importações anuais de trigo ficando ao redor de 3 milhões de toneladas nos últimos anos”, avalia Ana Luiza.

Como já citado para o milho, a China também não pretende elevar a cota de importação de trigo, com tarifa diferenciada, de apenas 1%. Atualmente, a cota anual para importação do cereal é de 9,64 milhões de toneladas. Assim, observa-se que os volumes importados de trigo têm ficado bem abaixo desse limite nos últimos anos. O governo chinês argumentou que a manutenção das cotas nos mesmos patamares tem o objetivo de proteger os agricultores do país.

Os EUA foram a origem de 3% do cereal comprado pela China no mercado externo no ano passado. Já o Brasil não exporta trigo para a China, tendo sido registrado, nos últimos 10 anos, apenas um volume de 18 mil toneladas em 2011.

Tags:

Fonte: INTL FCStone

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Excesso de chuva provoca perdas, atrasos e problemas de qualidade em lavouras do Paraná, aponta Deral
Arroz/Cepea: Média de outubro é a maior desde fev/25
Soja adiantada favorece janela do milho em MT, mas distribuição das chuvas ainda preocupa
Semeadura do feijão 1ª safra ganha ritmo e encosta na média histórica
Feijão/Cepea: Preto atinge maior patamar em dois anos
USDA: Inspeções de soja superam 2,44 milhões de toneladas e acumulam alta de 56% na temporada