Produzir grãos no RS em 21/22 terá melhor relação de troca em 1 década, diz FecoAgro

Publicado em 17/05/2021 17:35

SÃO PAULO (Reuters) - Os custos de agricultores com a produção de milho e soja no Rio Grande do Sul deverão aumentar quase 30% na safra 2021/22 em comparação com a temporada anterior, mas os bons preços das commodities ainda favorecem a relação de troca com insumos, estimada para ser a melhor em cerca de uma década, disse nesta segunda-feira a Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS).

Segundo levantamento da entidade, os custos têm sido pressionados pela valorização do dólar frente ao real e a elevação dos preços dos principais produtos agrícolas, que deram impulso ao aumento nas despesas com fertilizantes e demais insumos.

Além disso, a FecoAgro/RS também citou aumentos nos preços de combustíveis e máquinas e equipamentos como fator para a elevação do desembolso na próxima safra.

Conforme os números da federação, o avanço no custo operacional do milho foi estimado em 27,36% ante 2020/21, a 4.549,94 reais por hectare, enquanto o custo total foi projetado em 6.625,43 reais, alta de 1.590,85 reais por hectare na comparação anual.

No caso da soja, os cálculos da FecoAgro/RS apontam um desembolso de 3.098,25 reais por hectare, aumento de 29,98%, com custo total estimado em 4.800,76 reais/hectare, elevação de 31,78% na mesma base de comparação.

Apesar disso, ambas as commodities apresentam relações de troca favorável no Estado, ponderou a federação. Para o milho, o índice é o melhor nas últimas dez safras, enquanto a soja tem a relação mais favorável em nove temporadas.

Isso decorre dos altos preços em que os produtos agrícolas têm sido negociados, em meio a uma firme demanda e baixos estoques globais.

Na bolsa de Chicago, a cotação da soja atingiu na semana passada o maior nível desde 2012, chegando a superar a marca de 16 dólares por bushel, e o milho girou em torno de máximas de oito anos, antes de devolverem alguns ganhos na reta final da semana.

Em nota, o presidente da FecoAgro/RS, Paulo Pires, destacou que, mantendo-se os atuais preços pagos e os custos projetados, o produtor terá uma rentabilidade melhor na cultura do milho do que na soja no Estado.

"O levantamento da FecoAgro/RS salienta que, embora o produtor esteja mais capitalizado neste ano, é preciso ter cautela, pelo fato de ocorrer momentos cíclicos de bons preços, pois o mercado é volátil e o produtor enfrenta risco", acrescentou a entidade.

(Por Gabriel Araujo)

Tags:

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Feijão/Cepea Qualidade dos lotes sustenta valorização
Plano Safra pode não alcançar arrozeiros sem renegociação de dívidas
Semeadura da canola está quase concluída no Rio Grande do Sul
Preços do arroz cedem após meses de alta
Plantio do trigo está quase finalizado no Paraná e lavouras se desenvolvem bem
Calor recorde coloca em risco a safra de grãos na França