Mercado favorece aumento da produção de trigo em Minas

Publicado em 06/01/2009 16:55 890 exibições

A produção de trigo em Minas Gerais, na safra de 2009, deve superar as 95,6 mil toneladas da safra anterior. A previsão é do Programa de Desenvolvimento da Competitividade da Cadeia Produtiva do Trigo (Comtrigo), criado pela Secretaria da Agricultura de Minas Gerais e da Associação dos Triticultores do Estado de Minas Gerais (Atriemg). O Sindicato das Indústrias do Trigo de Minas Gerais (Sinditrigo), também parceiro do programa, confirma que o momento é favorável para o aumento da produção mineira do cereal.

 

De acordo com o coordenador do Comtrigo, Lindomar Antônio Lopes, “os produtores estão estimulados para o plantio de trigo que se inicia em abril, prevendo boa rentabilidade na comercialização do cereal, e confiam na manutenção de um mercado firme. Ele acredita que “o interesse dos agricultores em investir no aumento da produção deverá crescer porque a safra 2008/09 de trigo na Argentina teve uma grande redução, o que favorecerá os preços do trigo brasileiro”.

 

Segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, o volume final da produção argentina deverá atingir 9,3 milhões de toneladas, ou 400 mil toneladas abaixo da safra inicialmente prevista. No ano anterior, a colheita de trigo naquele país foi de 16,3 milhões de toneladas. O principal motivo para essa queda foi a ocorrência de problemas climáticos nas principais regiões produtoras da Argentina. Além disso, houve redução na aplicação de fertilizantes nas lavouras por causa da disparada dos preços dos insumos, geralmente importados.

 

A mudança de estimativa da safra Argentina de trigo tem reflexos no Brasil, que depende de um grande volume do cereal daquele país para atender ao consumo interno e manter um estoque de aproximadamente 1,5 milhão de toneladas. Um levantamento daSuperintendência de Política e Economia Agrícola da Secretaria da Agricultura, com base em dados da Conab, mostra que a produção brasileira de trigo, na safra 2008/2009, foi da ordem de 5,9 milhões de toneladas (o Paraná lidera a produção com 3,1 milhões de toneladas) e o consumo interno alcançou 10,8 milhões de toneladas. Por isso, o país recorreu à importação de 5,4 milhões de toneladas, sendo 3,8 milhões de toneladas da Argentina.

 

Condições diferenciadas

 

De acordo com o coordenador do Comtrigo, os produtores mineiros do cereal contam com a vantagem de colocar o produto no mercado durante a entressafra nacional, por volta de julho e agosto. Os Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, que respondem anualmente por 5,5 milhões de toneladas de trigo, colhem entre a segunda quinzena de agosto e novembro. “Diante dos problemas com a safra argentina, Minas Gerais e o bloco do Centro-Oeste (Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal), que cultivam o trigo irrigado poderão atender ao consumo numa fase de grande demanda, o que significa oportunidade de desfrutar de boas cotações”, ele explica.

 

O vice-presidente da Atriemg, Eduardo Abrahim, confirma que a estimativa de redução da safra de trigo na Argentina deve reforçar o interesse dos produtores mineiros em aumentar suas áreas de cultivo. “O cenário é favorável, embora os produtores estejam avaliando também a possibilidade de investir no plantio de feijão, e neste caso produziriam menos trigo”, explica.

Abrahim acrescenta que até meados de fevereiro os produtores terão condições de fazer a opção pelo plantio de feijão ou de trigo. “Existe atualmente um grande volume de trigo ainda sendo comercializado e a cotação do cereal está na casa dos R$ 540,00 a tonelada, depois de ter alcançado até R$ 800,00 no início da comercialização, no ano passado”, diz o vice-presidente da Atriemg. De acordo com o produtor, tudo indica que o mercado vai remunerar bem os agricultores porque além da redução da safra argentina os volumes que podem ser vendidos peloUruguai e o Paraguai são insuficientes para complementar o abastecimento do Brasil. “Existe a alternativa de comprar trigo dos Estados Unidos e da União Européia, mas a sobretaxa imposta ao produto dificulta sua aquisição”, ele observa.

 

Para o empresário Domingos Costa, presidente do Sinditrigo, a redução da safra de trigo na Argentina possibilitará àquele país buscar o nivelamento do preço do produto com os Estados Unidos e o Canadá. “É possível que o trigo brasileiro acompanhe esta tendência, e neste caso os mais beneficiados serão os produtores de Minas, que já terão o produto para venda no meio do ano”, prevê o industrial. Haverá aumento da cotação do trigo no mercado interno principalmente se o governo do Brasil não facilitar a entrada de trigo dos mercados americano e europeu. “Um mecanismo de que o governo brasileiro dispõe é a taxa de importação do cereal, que ele retira em algumas situações”, informa.

 

De acordo com o industrial, a oferta de trigo para os moinhos do Estado ainda é boa, mas ele considera importante a definição de uma política que possibilite o equilíbrio permanente de toda a cadeia do produto. “O mercado não pode ficar sujeito aos momentos críticos”, ele observa. “Por isso, é muito importante o trabalho para a organização do setor que vem sendo realizado pela Secretaria da Agricultura, por meio do Comtrigo, com as entidades que representam os produtores de trigo e os industriais.”

Produção estadual

 

Minas Gerais é o quinto produtor nacional de trigo, e o município que mais cultiva o produto é Rio Paranaíba, na região do Alto Paranaíba, com 19,1 mil toneladas. Outros municípios dessa região e do Noroeste do Estado completam o pólo mineiro de produção do cereal. Predominam os plantios por irrigação e a produtividade do trigo nas lavouras mineiras alcança a média de 4,7 toneladas por hectare, na comparação com o rendimento nacional médio de 2,5 toneladas por hectare. Além do clima favorável ao cultivo, o Estado conta ainda com posição geográfica privilegiada.


Fonte: Secr. de Agr. de MG

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Secr. de Agr. de MG

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