Arroz: Pesquisadores chineses buscam aprendizado sobre o Cerrado

Publicado em 08/01/2009 21:20 938 exibições

A província de Guizhou, no sudoeste da China, vive um dilema semelhante ao Cerrado brasileiro. Região rica em recursos hídricos e conhecida pela exuberância de sua flora, o sudoeste chinês busca diversificar a produção agrícola, baseada no arroz irrigado, sem comprometer a biodiversidade. Para conhecer as tecnologias que contribuem com o aumento da produtividade agropecuária do Cerrado, onze pesquisadores da Academia de Ciências de Guizhou visitaram a Embrapa Cerrados (Planaltina – DF) na manhã de quarta-feira (7).

O engenheiro agrônomo Liu Changhu, vice-presidente da Academia de Guizhou, destacou que o sudoeste chinês é uma região montanhosa com cultivo de arroz irrigado. A produtividade, no entanto, está abaixo da média de 6,6 toneladas por hectare da China. Para o entomologista SongLin Yao, diretor do Instituto de Biologia de Guizhou, o desenvolvimento da agropecuária brasileira serve de exemplo para o sudoeste chinês diversificar a produção e aumentar a produtividade.

Os pesquisadores Geraldo Martha Júnior, Roberto Guimarães Júnior e Robélio Marchão, da equipe de produção animal da Embrapa Cerrados, explicaram os ganhos econômicos e ambientais da integração lavoura-pecuária (ILP). Segundo Martha, nos últimos 30 anos, foram poupados 58,3 milhões de hectares em razão dos ganhos de produtividade da agropecuária brasileira. A expansão da ILP é uma alternativa para intensificar o uso da terra nas áreas já desmatadas e preservar a vegetação nativa. 

A equipe de pesquisadores explicou aos chineses como a incorporação de tecnologias no sistema produtivo tem contribuído com ganhos de produtividade e menor expansão da fronteira agrícola. Martha enfatiza que o Cerrado comporta o avanço no cultivo da cana-de-açúcar em áreas de pastagem sem comprometer a produtividade da pecuária, desde que aplicadas tecnologias apropriadas como a ILP.

Para entender melhor algumas das várias possibilidades de execução da ILP, a comitiva de Guizhou visitou o campo experimental da Embrapa Cerrados. No local, uma área de 7 hectares originalmente tomada por pasto degradado, a equipe de pesquisa iniciou há 4 anos a transformação da terra em área produtiva e validou os estudos em fazendas do oeste baiano.

A recuperação teve início com plantio sucessivo de soja por dois anos, seguido por Brachiaria consorciada com milho. Após a colheita do milho, foram inseridas no sistema fêmeas Brasil Genética Nelore (BRGN) desmamadas num ensaio de ganho de peso.

 

Treinamento e financiamento

 

Conseguir treinar um número maior de produtores e ampliar o financiamento para compra de animais são vistos pela equipe de pesquisa como dois dos principais desafios para expandir o uso da ILP. A viabilidade dos sistemas silvipastoris também foi apresentada. “Culturas anuais geram receita a curto prazo. Pecuária e eucalipto irão gerar dinheiro no longo prazo”, comenta Martha. O pesquisador salienta ainda que as florestas podem ser utilizadas para vender crédito de carbono.

A comitiva chinesa segue de Brasília a Manaus, onde visita a Embrapa Amazônia Ocidental.  Durante a semana de estadia no Brasil, os pesquisadores tiveram reuniões no Ministério da Agricultura, Secretaria de Agricultura do Distrito Federal e Universidade de Brasília.


Fonte: Embrapa Cerrados

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