Plantio de sorgo deve crescer mais de 11% em 2026, mas há demanda para tudo isso?

Publicado em 26/01/2026 14:29
Regiões que tiveram atraso na soja devem apostar mais na cultura nesta segunda safra e terão que encontrar mercado para comercialização

Na safra 2024/25 o Brasil cultivou 1,632 milhão de hectares com sorgo em todo o país. Já para a temporada 2025/26, a expectativa é de um crescimento de 11,3% no cultivo, que saltaria para 1,816 milhão de hectares, conforme aponta o último levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).     

Ainda de acordo com a Conab, os estados que mais devem registrar aumento de plantio em 2026 são Maranhão (58%), Mato Grosso do Sul (16,4%), Tocantins (16%), Mato Grosso (13,4%) e Pará (12,9%), principalmente nas regiões que tiveram mais atrasos no plantio da soja, o que resulta em encurtamento da janela ideal para o milho.  

“Hoje temos uma lavoura de soja 40% ainda em período inicial, o que vai dificultar a nossa safrinha. Muita gente acabou também substituindo lavouras de soja por lavouras de milho verão. O estado tem surgido com outras culturas, especialmente o sorgo tem crescido bastante. Com a entrada de indústrias na região de Balsas, que fazem o aproveitamento do sorgo e do milho, o crescimento dessas duas culturas tem sido favorecido”, destaca Sérgio Delmiro, subsecretário de agricultura e pecuária do Maranhão.  

“O milho ficou complicado e não vai dar mais tempo. Estamos falando em grandes áreas de soja sendo colhidas entre 10 e 15 de março, quando a janela de milho se encerra em 5 de março na região. Então o produtor vai partir para outra cultura como o sorgo, que cresceu muito e vem se destacando nas últimas safras”, pontua Marcílio Fernandes Marangoni, que é engenheiro agrônomo em Darcinópolis/TO. 

Na visão de Vlamir Brandalizze, analista de mercado da Brandalizze Consulting, esse crescimento pode ser ainda maior e chegar perto de 2 milhões de hectares, resultando em uma produção entre 7 e 7,5 milhões de toneladas, contra as 6,1 milhões registradas em 2025. 

Nos números da Pátria Agronegócio, a cultura pode apresentar um crescimento na casa de 18% para essa temporada, acima da média de 15% de incremento que vem sendo registrado nos últimos anos. 

“Acreditamos que o sorgo deve ter um aumento nesse ano, principalmente nos dois estados principais de produção que são Minas Gerais e Goiás. A região Leste de Goiás e o triângulo mineiro tiveram implementação da soja mais tardia, o que aumento o risco do milho e deve aumentar a área de sorgo”, aponta Pedro Vasconcelos, analista de mercado da Pátria. 

Exemplo de elevação de plantio nessas regiões é Ipameri em Goiás. Após os atrasos no plantio da soja, a colheita deve ganhar ritmo mesmo apenas durante o mês de fevereiro, o que tira a possibilidade de semeadura do milho dentro da janela ideal para a segunda safra. 

“A safrinha realmente foi comprometida. Muitos produtores acabaram antecipando o milho para o verão e onde seria a safrinha, a grande maioria está pendendo para o girassol e para o sorgo pela janela. Tivemos o plantio atrasado, a colheita consequentemente também, então para não perder a janela do milho todo mundo vai entrar no sorgo e girassol”, aponta Fábio Barduchi, presidente do Sindicato Rural de Ipameri/GO. 

Do ponto de vista da demanda, o cenário também é positivo para 2026 com os setores de etanol e ração devendo buscar essa oferta no mercado nacional. “A gente deve ter uma demanda que continua constante tanto para milho quanto para sorgo, é um potencial muito grande para as duas culturas”, afirma Vasconcelos. 

“Demanda vai ter. Está se instalando uma indústria de etanol somente para sorgo em Luís Eduardo Magalhães/BA, que vai começar a trabalhar já neste ano e demandar muito sorgo por lá. Tem uma nova indústria de etanol em Balsas/MA que utiliza milho e sorgo e as demais indústrias também podem usar as duas matérias primas. Também tem o setor de ração que utiliza o sorgo, então demanda tem e vai ser um fluxo bom”, avalia Brandalizze. 

“Poderemos também ter as primeiras exportações de sorgo para a China, que é grande importadora de sorgo”, acrescenta o analista, destacando essa nova opção de demanda pelo grão. 

“Além do cenário nacional que vai absorver esse grão nas indústrias de alimentação animal e de etanol, temos que pensar uma organização para exportar esse grão. Nossos vizinhos da Argentina exportaram 1,3 milhão de toneladas de sorgo no ano passado, enquanto a gente embarcou cerca de 50 mil”, aponta o pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo, Flávio Tardin. 

O presidente da Abramilho, Paulo Bertolini, ressalta que a expectativa é iniciar esses embarques constantes, para atender um grande demandador mundial de sorgo. “O mercado chinês é o maior mercado consumidor de sorgo, consumindo em torno de 10 milhões de toneladas, das quais 7 milhões são importadas. A nossa intenção é permitir que o Brasil possa exportar sorgo também para a China e aí alavancar a nossa agricultura”. 

Por outro lado, há uma preocupação com relação aos preços praticados no mercado brasileiro, com projeção de recuo ante ao acompanhando em 2025.  

“Apesar de uma demanda agressiva que devemos continuar tendo e de preços de sorgo que devem continuar competitivos próximos dos do ano passado, acreditamos em um sorgo um pouco valorizado na relação com o milho. Ano passado essa relação ficou entre 80 e 85%, mas nesse ano deve retomar ao normal que é em torno de 75% do preço do milho. O principal fator é a expectativa de aumento de cultivo, já que algumas regiões devem ter um volume um pouco menor de milho e maior de sorgo”, diz o analista da Pátria Agronegócio. 

Por: Guilherme Dorigatti
Fonte: Notícias Agrícolas

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