Federarroz orienta produtores sobre acesso ao PEP e Pepro e reforça importância das exportações

Publicado em 25/03/2026 15:01
Entidade alerta para momento decisivo da safra 2026 e destaca necessidade de planejamento financeiro e agilidade nas vendas

A Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) apresentou orientações aos produtores sobre o acesso aos mecanismos de subvenção do governo federal, como o Prêmio para Escoamento de Produto (PEP) e o Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro), além de reforçar a importância das exportações diante do cenário da safra de arroz 2026. A entidade também destacou desafios operacionais e a necessidade de decisões estratégicas neste período de colheita.

O presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes, ressaltou que o momento exige atenção redobrada dos produtores. “A safra avança, mas não sem desafios. Um dos principais problemas que temos enfrentado é a dificuldade na entrega do óleo diesel, o que afeta diretamente o ritmo da colheita e o planejamento das operações”, afirmou.

Ele também destacou a pressão sobre o mercado interno. “Seguimos acompanhando a necessidade de que as exportações aconteçam com mais velocidade. O mercado interno está pressionado, e a fluidez das exportações é fundamental para equilibrar oferta, demanda e preços”, disse Nunes.

O dirigente alertou ainda para a importância do planejamento financeiro. “Embora seja natural buscar preços melhores, é vital considerar os custos do armazenamento prolongado, os juros sobre o capital investido, o custo de oportunidade e as projeções de preço no longo prazo. O fluxo de caixa não pode ser negligenciado”, destacou.

Nunes reforçou que já foi publicada a portaria que autoriza os leilões de subvenção PEP e Pepro e que é importante que os interessados estejam preparados para participar assim que os leilões forem anunciados.

A diretora técnica da Federarroz, Mônia Schluter, detalhou os procedimentos necessários para acessar os programas. “A base para participar dos leilões e acessar o PEP e o Pepro são três pilares fundamentais: o cadastro no Sican, o cadastro no Sicaf e a autorização formal para corretagem em bolsa”, explicou.

Mônia destacou a importância da organização prévia dos documentos. “Vamos precisar de dados como o NIRF da área, matrícula e, se for arrendada, o contrato de arrendamento. Também é necessário ter o mapa da propriedade e os dados de produção”, afirmou.

Ela alertou ainda para a coerência das informações de produtividade. “Quando a produção informada supera a média do município, é necessário apresentar um laudo técnico que justifique essa diferença, evitando questionamentos por parte da Conab”, ressaltou.

Sobre o Sicaf, a diretora técnica reforçou a necessidade de regularidade fiscal. “O produtor não pode estar inadimplente, não pode ter Cadin ativo e precisa estar com os tributos em dia. Do contrário, pode não conseguir concluir o cadastro”, explicou.

O diretor de Mercado da Federarroz, Juandres Antunes, chamou atenção para o cenário econômico da cadeia orizícola. “Vivemos um momento de grave crise na orizicultura. Infelizmente, os preços pagos ao produtor estão abaixo dos custos produtivos”, afirmou.

Apesar disso, Antunes enfatizou a importância da exportação como ferramenta estratégica. “No ano passado, nos momentos de exportação no início do ano, obtivemos os melhores preços. Infelizmente, exportamos pouco, e o preço foi caindo ao longo do ano”, observou.

O dirigente alertou para os riscos de baixa participação no mercado externo. “Peço que aqueles que podem fazer esse esforço invistam na exportação. Ela será fundamental para que, no segundo semestre, possamos visualizar preços melhores”, disse Antunes.

Ele também destacou que as oportunidades atuais não devem ser ignoradas. “Mesmo com os mecanismos de PEP e Pepro, não podemos perder as oportunidades que hoje temos, com tradings comprando e preços que podem não se sustentar com a chegada das novas safras dos países vizinhos”, completou.

A Federarroz reforçou que o sucesso das ações em andamento depende do engajamento dos produtores e da adoção de estratégias alinhadas ao cenário de mercado, com foco na sustentabilidade econômica da atividade.

Fonte: Federarroz

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