Preço do arroz sobe 22% no RS e mercado acompanha efeitos do El Niño

Publicado em 31/08/2026 13:17
Dados estão disponíveis no Agro Mensal, relatório divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA

Os preços do arroz avançaram 22% no Rio Grande do Sul entre 1º de julho e 13 de agosto, passando de R$ 60,33 para R$ 73,60 por saca de 50 quilos. A valorização ocorre em um cenário de redução gradual da oferta disponível, com estoques mais enxutos, maior retenção de volumes pelos produtores e necessidade de reposição por parte da indústria beneficiadora.
 
Segundo análise da Consultoria Agro do Itaú BBA, o mercado também começa a incorporar as perspectivas para a safra 2026/27, que apontam para uma nova redução da produção brasileira e menor disponibilidade regional no Mercosul. Diante desse cenário, compradores passaram a atuar de forma mais ativa, contribuindo para a recuperação das cotações.
 
As exportações também têm ajudado a reduzir os excedentes no mercado doméstico. Embora os embarques tenham recuado em julho, o volume acumulado desde janeiro chegou a 1,2 milhão de toneladas, alta de 25% em relação ao mesmo período do ano passado. A valorização do dólar, por sua vez, aumentou a competitividade do arroz brasileiro no mercado internacional e deu suporte adicional aos preços internos.
 
Outro fator que passou a influenciar as expectativas do mercado é o El Niño, que elevou a percepção de risco sobre a oferta futura e contribuiu para sustentar as cotações. Em resposta aos possíveis impactos do fenômeno sobre a produção nacional, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) anunciou a aquisição de 310 mil toneladas de arroz por meio da Política de Garantia de Preços Mínimos (AGF).
 
A medida busca reforçar os estoques públicos e criar um mecanismo de mitigação diante de eventuais impactos climáticos. A retirada desse volume do mercado tende a reduzir parte do excedente disponível e contribuir para o equilíbrio entre oferta e demanda. Por outro lado, a iniciativa também pode estimular uma maior retenção dos estoques pelos produtores em um momento de reequilíbrio do mercado.
 
“A continuidade da alta dependerá principalmente da velocidade de absorção desses excedentes ao longo da entressafra, do desempenho das exportações e da manutenção de uma postura mais restritiva dos produtores na comercialização. O mercado passa a direcionar cada vez mais sua atenção para a próxima safra, marcada pela expectativa de redução da produção e queda significativa dos estoques de passagem, fatores que podem tornar os fundamentos mais favoráveis ao longo de 2026/27”, afirma Marina Marangon, analista da Consultoria Agro do Itaú BBA.

Fonte: Itaú BBA

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