China amplia compras de sorgo brasileiro, mas estoques recordes e perspectiva de menor importação acendem alerta

Publicado em 09/10/2026 11:34
StoneX aponta 2,4 milhões de toneladas de sorgo e cevada nos portos do sul do país asiático; USDA projeta recuo das importações dos dois cereais em 2026/27

O Brasil encontrou na China um novo destino para suas exportações de sorgo em 2026, mas a continuidade desse crescimento dependerá de um mercado comprador que já apresenta elevada disponibilidade de grãos utilizados na alimentação animal. Relatório divulgado nesta semana pela StoneX aponta que os estoques combinados de sorgo e cevada nos portos do sul da China estão próximos de 2,4 milhões de toneladas, patamar considerado recorde pela consultoria.

A situação contrasta com o avanço das vendas brasileiras ao país asiático. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que o Brasil exportou 790,8 mil toneladas de sorgo entre janeiro e setembro deste ano, contra apenas 105 toneladas no mesmo intervalo de 2025. A China respondeu por 755,6 mil toneladas, o equivalente a 95,5% dos embarques brasileiros no período.

O novo levantamento da StoneX, porém, mostra que a ampliação das compras brasileiras acontece em um mercado com grande disponibilidade de matérias-primas substitutas na fabricação de rações. Além dos estoques de sorgo e cevada, a consultoria aponta uma oferta doméstica confortável de milho na China e dificuldades de rentabilidade enfrentadas pelos produtores de suínos, fatores que podem limitar a recuperação da demanda por grãos destinados à alimentação animal.

A avaliação encontra respaldo nas perspectivas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Em relatório divulgado no início de outubro, o escritório do departamento em Pequim projetou redução das importações chinesas de sorgo e cevada na temporada 2026/27, diante da disponibilidade de grãos e das perspectivas para a demanda por ração.

O USDA também reconheceu a expansão das exportações brasileiras de sorgo e DDGS para a China, em um movimento que amplia a concorrência enfrentada pelos fornecedores norte-americanos. Dessa forma, uma eventual redução das importações totais chinesas não significa necessariamente diminuição das compras do produto brasileiro, que ainda pode conquistar participação de outros fornecedores.

Exportações brasileiras ainda podem crescer em outubro

Apesar das incertezas relacionadas ao mercado comprador, a programação brasileira de embarques indica continuidade da expansão no curto prazo.

Segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC), o line-up de outubro aponta 1,44 milhão de toneladas de sorgo programadas para exportação. O volume representa uma previsão de embarques, sujeita a alterações, e não deve ser confundido com as exportações efetivamente realizadas e registradas pela Secex.

A ampliação do fluxo já levou empresas de logística a desenvolver novas operações. Nesta semana, a VLI informou que iniciou a movimentação ferroviária de sorgo, com embarques destinados à China e também à África. A empresa informou ter movimentado mais de 250 mil toneladas até setembro e possuir aproximadamente 800 mil toneladas negociadas para transporte.

A entrada da China transformou o mercado exportador do sorgo brasileiro em 2026. Agora, além de consolidar a infraestrutura e os canais comerciais abertos neste ano, o setor precisará acompanhar a capacidade de absorção do mercado chinês diante dos estoques elevados, da concorrência com outros grãos e das perspectivas para a produção de rações.

O desafio será verificar se o crescimento expressivo dos embarques brasileiros poderá se sustentar nas próximas temporadas, mesmo em um cenário de importações totais chinesas potencialmente menores.

Fonte: Notícias Agrícolas

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