Excesso de chuva provoca perdas, atrasos e problemas de qualidade em lavouras do Paraná, aponta Deral
O excesso de chuvas registrado no Paraná nas últimas semanas vem provocando impactos em diferentes culturas, com perdas irreversíveis em áreas de arroz irrigado, dificuldades de estabelecimento na soja e no feijão e atraso no desenvolvimento das lavouras de milho.
Segundo o boletim de Condições de Tempo e Cultivo do Departamento de Economia Rural (Deral), referente ao período de 27 de outubro a 3 de novembro, as enchentes provocadas pela elevação dos rios Ivaí e Paraná causaram prejuízos expressivos em áreas de arroz irrigado.
A inundação das lavouras provocou perdas irreversíveis, sem possibilidade de replantio em parte das áreas atingidas. O Deral destaca ainda que os elevados custos de produção e a dificuldade de recuperação das lavouras ampliam os prejuízos, enquanto a continuidade da atividade dependerá das condições climáticas de novembro e dezembro.
Soja enfrenta falhas de emergência e perdas localizadas
Na soja, a semeadura chegou a 71% da área prevista no estado. Embora parte das lavouras apresente boa germinação e estande adequado, o Deral registra problemas associados ao excesso de umidade, encharcamento do solo, baixa luminosidade e temperaturas abaixo do esperado para o período.
Entre os impactos estão falhas de emergência, redução da população de plantas, amarelecimento das folhas e desenvolvimento vegetativo lento ou praticamente estagnado.
Os elevados volumes de chuva também intensificaram processos erosivos, provocaram rompimentos de terraços e curvas de nível e favoreceram a lixiviação de nutrientes. Houve ainda perdas parciais e totais em algumas lavouras atingidas por vendavais e granizo.
Atualmente, 85% das lavouras de soja são classificadas em boas condições, 14% em situação média e 1% em condição ruim.
Feijão também acumula perdas
O plantio do feijão de primeira safra chegou a 85% da área prevista, mas as condições das lavouras continuam pressionadas.
Segundo o Deral, o excesso de chuvas e os riscos climáticos, associados aos custos de produção e à remuneração recebida pelos produtores, têm desestimulado a aquisição de sementes e a ampliação da área cultivada.
As precipitações também provocaram perdas de plantas em áreas mais baixas devido ao encharcamento do solo. Do total acompanhado, 66% das lavouras estão em boas condições, 28% em situação média e 6% em condição ruim.
Milho tem desenvolvimento atrasado
O milho de primeira safra chegou a 97% da área plantada no Paraná, com a implantação praticamente concluída em algumas regiões.
Apesar do avanço, a baixa luminosidade, as temperaturas amenas e o excesso de umidade têm provocado atraso no desenvolvimento e amarelecimento das plantas.
O Deral também registra ocorrência de pragas, principalmente lagartas e tripes, além de preocupação com o aumento da incidência de doenças. Chuvas intensas, ventos fortes e episódios de granizo seguem representando riscos ao estabelecimento das lavouras.
Umidade também pressiona culturas de inverno
Os impactos das condições úmidas não se limitam às lavouras de verão.
Na cevada, a colheita está em estágio avançado, mas a produtividade ficou abaixo das estimativas iniciais em algumas regiões. O excesso de chuvas e a baixa luminosidade comprometeram o desempenho da cultura em determinadas localidades, embora parte da produção ainda apresente qualidade adequada para uso cervejeiro.
No trigo, a colheita chegou a 92% da área, mas a safra foi amplamente prejudicada pelo excesso de chuvas, baixa luminosidade e doenças. O Deral registra elevado volume de trigo de baixo padrão, presença significativa de triguilho e, em algumas localidades, resíduos de trigo.
O departamento aponta ainda que os resultados desta safra podem influenciar as decisões dos produtores sobre a área destinada aos cereais de inverno no próximo ciclo.