Produtor de arroz busca o Mercosul para exportar mais

Publicado em 22/04/2010 08:25 409 exibições
Os rizicultores brasileiros encaminharam ao governo uma proposta para ampliar os atuais 12% da Tarifa Externa Comum (TEC) e tornar o Mercosul um mercado mais competitivo dentro do cenário internacional para o arroz. Paralelo às negociações, o governo apresentou mecanismos que darão sustentação ao mercado interno para o setor neste ano.

De acordo com Marco Aurélio Tavares, assessor de mercado do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) e vice-presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Fedearroz), é uma estratégia do setor solicitar ao governo e negociar a ampliação dos percentuais da TEC para o Mercosul.

"Tendo em vista que o volume de importação necessário para abastecer o mercado interno em torno de 1 milhão de toneladas no [no Rio Grande do Sul] possui disponibilidade no Mercosul. É uma blindagem para assim evitar especulações de terceiros mercados", afirmou Aurélio Tavares, que aponta a tática como uma alternativa aos principais concorrentes do Brasil - a Tailândia e o Vietnã. "É uma intenção. A proposta ainda será encaminhada ao órgão federal, depende, agora, do governo", completou.

No cenário interno, a rizicultura também trava discussões e apresenta propostas. O governo liberou neste ano R$ 5,2 bilhões para abastecimento de toda a agricultura. De olho nessa quantia, o setor do arroz, que pediu R$ 500 milhões do montante aprovado, encaminhou, nesta semana, ao órgão federal mecanismos que darão opções ao mercado.

A primeira proposta, segundo Aurélio Tavares, é um recurso negociado disponível de R$ 600 milhões para carregamento de estoque no Banco do Brasil, e mais R$ 100 milhões em bancos privados. "Esse recurso financia os estoques, alongando a comercialização e citando que haja uma sobre oferta neste momento de colheita". O assessor disse que, até a última semana, já foi utilizado R$ 140 milhões deste mecanismo.

Em um outro plano, o setor conta com os leilões públicos. O governo lança o preço-teto e o produtor tem o direito de vender em uma data futura por um preço pré-fixado. "Com isso, ele [produtor] não tem a obrigação de entregar [o produto], caso o mercado esteja acima do patamar", explicou o assessor de mercado.

O terceiro mecanismo diz respeito ao Prêmio de Risco de Opção Privada (PROP), organizado pelo setor privado no qual o produtor tem condições de operar fora do preço mínimo e abaixo dos custos de produção.

Por último, o regulamento do Prêmio de Escoamento de Produção (PEP), em que o setor avalia se há interesse em operar. Esse mecanismo permite o escoamento para outros mercados.

Mercado de referência

O Estado Rio Grande do Sul é quem dita o ritmo do mercado de arroz brasileiro. Até agora, o Irga registrou 68,3% de área colhida, o que representa 720.421 hectares dos 1.054.724 semeados. "Ainda segundo o Irga, a produtividade média é de 6, 876 quilos por hectare, mas ainda falta ser colhido 335 mil hectares, que é lavoura plantada fora de época", disse. Para Aurélio Tavares, esta colheita que falta será determinante para a apuração do resultado final. Segundo Élcio Bento, analista do Safras & Mercado, a perspectiva comercial para este ano é de preços altos. "Em função da quebra de safra brasileira e no Uruguai, que é o principal fornecedor para o Brasil", contou.

A previsão de Bento vai ao encontro da de Aurélio Tavares. Segundo o assessor do Irga, em outubro deste ano, o preço de referência do arroz será de R$ 30,35.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) previu, para abril e os meses seguintes, fortes chuvas com potencial para prejudicar as lavouras do Rio Grande do Sul. Para o assessor, as chuvas que atingiram o estado nos meses anterior foram fenômenos localizados, mas que, de qualquer forma, como forma de prevenção, o produtor deve ter cuidado no período de pós-colheita e intensificar as exigências da lavoura. "Ainda assim, houve aumentos nos custos de insumos e defensivos", disse.

Hoje, o preço da saca média do arroz é de R$ 28,10, ante R$ 27,59 em relação ao mesmo período de 2009 - alta de 2,06%. O Brasil consome 12,9 milhões de toneladas de arroz por ano, segundo estimativas do Safras & Mercado.

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Fonte:
DCI

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