Arroz: Mercado abaixo do preço mínimo

Publicado em 22/06/2010 09:28 249 exibições
Aconteceu o que se previa: o mercado não resistiu às pressões de oferta, o nível de exigência de preços do varejo, a ameaça das importações e a falta de uma ação mais efetiva do governo com relação às demandas arrozeiras, e caiu abaixo do preço mínimo

Já era de se esperar. O mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul chegou ao seu mais baixo patamar em 2010, operando abaixo da linha dos preços mínimos de garantia do governo federal, de R$ 25,80 para a saca de 50 quilos com padrão 58x10. Na maioria das praças gaúchas, o mercado livre indica cotações entre R$ 25,00 e R$ 26,00. A semana foi marcada por dois movimentos mais acentuados de arrozeiros: em direção ao mercado, engrossando a oferta do produto para cumprir alguns compromissos da época, e aos bancos buscando jogar para outubro o vencimento da primeira parcela do custeio da safra 2009/10, que estava programada para junho/julho.

Até a última sexta-feira, 18/6, o indicador Cepea/Esalq – BVM&F apontou queda de 3,68% nos preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul, com cotações em R$ 26,54 para a saca de 50 quilos posta na indústria (frete incluso), com padrão de 58x10. Na semana a média de preços foi de R$ 26,61. A previsão dos analistas é de que o mês de junho encerre com queda, considerando a falta de perspectiva para medidas de impacto nesse final de mês.

Nesta terça-feira, dirigentes arrozeiros gaúchos encontram-se com o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Wagner Rossi, para ratificar o pedido de elevação da Tarifa Externa Comum (TEC) de 12% para 30% para o produto de fora do Mercosul. Também propõe mudanças na linha de crédito oferecida via BNDES para os agricultores atingidos por enchentes. Os arrozeiros pedem rebate de 50% nas parcelas quitadas em dia, limite de R$ 600 mil por produtor e alteração da fonte de recursos (do sistema financeiro para o Tesouro Nacional) em razão da dificuldade de assegurar garantias ao empréstimo, já que os produtores também precisam fazer o custeio para a próxima safra ou tem bens já assegurando programas como Pesa e Securitização.

Além disso, o segmento arrozeiro gaúcho pretende sair da reunião com Rossi com um cronograma elaborado de leilões de opções e garantia de Aquisições do Governo Federal. A proposta é que os leilões comecem já na primeira semana de julho, com patamares similares aos do ano que passou. Essas medidas, sim, dariam novo alento ao mercado e sinalizariam para preços mais adequados a partir de setembro/outubro. Na opinião dos arrozeiros, o governo federal já deveria ter entrado com esses mecanismos pelo menos há 30 dias.

Uma boa notícia da última semana foi a recuperação das vendas externas brasileiras de arroz. As exportações brasileiras alcançaram 45,5 mil toneladas em maio, crescimento de 31% sobre o mês de abril. Isso representa uma média mensal superior a 30 mil toneladas em 2010, ainda abaixo da estimativa inicial de 500 mil toneladas exportadas em 2010/11, pela Conab, que foi rebaixada para 300 mil no último levantamento.

Entretanto, em relação ao mesmo período do ano anterior, os embarques em relação a maio foram inferiores em 23%, e 36% no acumulado de 2009, quando o país bateu recorde histórico. O principal destino do arroz brasileiro continua sendo o continente africano com 61%.

No ano comercial, segundo o analista Tiago Sarmento Barata, da Agrotendências Consultoria, o Brasil exportou 92 mil toneladas e importou 219 mil. Uma diferença significativa para 2009/10, quando o volume estava em equilíbrio e a balança comercial era ligeiramente favorável ao Brasil.

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Fonte:
Planeta Arroz

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