Para Ocepar, trigo não é o vilão no aumento no pão

Publicado em 18/08/2010 16:07 e atualizado em 18/08/2010 17:25 566 exibições
O aumento do preço do pão nos últimos anos teve pouca correlação com as variações dos preços do trigo em grão, de acordo com análise feita pela gerência técnica e econômica do Sistema Ocepar (Getec). Portanto, políticas voltadas para a melhoria da renda do triticultor têm baixo poder de impacto no preço do pão para o consumidor final. Segundo este levantamento, no período analisado pelos técnicos, as cotações do trigo em grão reduziram 5%, enquanto os da farinha e do pão aumentaram 9% e 34%, respectivamente. Entre os anos de 2003 e 2010 (tabela 1), houve um aumento anual linear, por quilo, de R$ 0,0142 no preço do trigo em grão e de R$ 0,0627 na farinha de trigo. Já no caso do pão, o aumento de preço linearizado foi o mais expressivo em comparação a ambos os produtos, atingindo R$ 0,275 por quilograma. “Esses dados são importantes para mostrar que não condiz com a verdade dos fatos a notícia veiculada, nesta quarta-feira (18/08), sobre o aumento de 7,5% que deve ocorrer no preço do pão, devido a um suposto aumento de 71% no preço do trigo vendido pelos produtores no mês de julho deste ano”, afirma o presidente da Ocepar, João Paulo Koslovski.

Queda - “Pelo contrário”, acrescenta o dirigente. “No mês de junho o preço praticado pelo mercado no Paraná estava em R$ 22,78 a saca de 60 quilos do cereal, caindo para R$ 22,23 em julho. Se compararmos o preço pago pela saca em julho de 2009, R$ 27,68 com o preço pago em julho último, houve uma redução no preço de 19,69% e, neste período de um ano, não ouvimos falar que o preço do pão baixou para os consumidores”, questiona Koslovski (tabela 2).

Situação semelhante - O presidente da Ocepar lembra que situação semelhante já havia acontecido em março deste ano, quando o setor de panificação ameaçou aumentar o preço do pão em 16% devido a elevação, para 30%, do Imposto sobre a Importação (II) do trigo vindo dos Estados Unidos. Naquela ocasião o então ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes contestou tal declaração e foi taxativo: “é terrorismo, é inaceitável. O custo do trigo no pãozinho varia de 10% a 16%” e não os 30% que o setor anuncia.

Preço mínimo - No mês de junho deste ano, os produtores de trigo também foram pegos de surpresa por uma decisão unilateral do Conselho Monetário Nacional (CMN), que reduziu o preço mínimo do trigo em 10%. “Mudaram a regra no meio do jogo e os triticultores, que já haviam semeado naquela ocasião o cereal, foram prejudicados. Isso levou a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) a entrar com uma ação na Justiça com o objetivo de suspender essa medida e estamos aguardando a decisão a respeito”. O dirigente ainda ressalta que não é justo algumas lideranças do setor industrial ir à imprensa e “jogar a culpa nos produtores. Precisamos colocar a verdade, e a verdade é que o preço pago aos produtores em agosto é de R$ 23,75 contra um custo de produção de R$ 32,58, gerando um prejuízo na ordem de R$ 8,83 por saca”, lembrou Koslovski.

Tabela 1
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Tabela 2
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Fonte:
Ocepar

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