Arroz: Setembro mantém estabilidade nas cotações

Publicado em 09/09/2010 08:18
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Apesar de muitos produtores acreditarem que a partir de setembro poderia haver uma virada nas cotações, os cenários nacional e internacional ainda não se movimentam de forma a indicar uma tendência capaz de gerar uma efetiva alta nos preços do arroz em casca. Setembro se mantém com preços entre estáveis e levemente menores. No Mato Grosso, a falta de matéria-prima gerou forte valorização

Os oito primeiros dias de setembro, interrompidos por um feriadão, mantiveram o mercado de arroz bastante morno no Rio Grande do Sul, sem maiores movimentos de compra e venda de arroz em casca. Se por um lado a indústria segue enfrentando forte resistência de repassar a alta da matéria-prima em julho para os preços do fardo, por outro busca nas importações a reposição básica diante de uma postura de retirada estratégica dos produtores do mercado, aproveitando a disponibilidade de EGFs, para quitar custeio e esperar uma elevação de preços. Muitos apostam num pico de entressafra de valores mais convidativos ou a presença de algum mecanismo do governo para fortalecer as exportações.

A alta dos preços internacionais, que poderia refletir positivamente no mercado brasileiro, vem sendo anulada pela valorização do real perante o dólar estadunidense. Os analistas julgam que se o dólar estivesse cotado ao redor de R$ 2,00, o movimento de recuperação de preços do produto na Ásia e Estados Unidos, entre 3% e 5%, teria reflexos importantes no Brasil. Além de assegurar um volume maior de vendas externas para a indústria brasileira (parboilizado e quebrados), também favoreceria à elevação do teto atual, na paridade com o produto estrangeiro, inferior a R$ 28,00 na correspondência com a saca do produto em casca.

O indicador do arroz Cepea-Bolsa Brasileira de Mercadorias/BVM&F, encerrou os oito primeiros dias de setembro com preço médio de R$ 26,80 para a saca de 50 quilos (58x10) colocada na indústria. Entre os dias 1º e oito, houve uma queda praticamente imperceptível, de dois centavos, ou 0,09%, depois de ter subido 0,32%. Nesta quarta-feira (08/9), em dólar a saca de arroz era cotada a US$ 15,54, valorizando 1,76% no mês por conta da variação cambial.

No Rio Grande do Sul, os preços de referência ficam entre R$ 26,50 e R$ 27,00 na maioria das praças. Alcançando patamares acima de R$ 27,00 apenas em pólos industriais, para o produto já colocado no engenho, ou variedades nobres. Em Santa Catarina os preços referenciais ficam entre R$ 27,00 e R$ 27,50 nas principais prazas de comercialização, com mínima de R$ 26,00 e máxima de R$ 28,50.

O Mato Grosso vive realidade diferente, com uma forte elevação de preços nos últimos 21 dias em razão da falta de produto para atender à demanda. A saca de 60 quilos do arroz com 55% de inteiros (acima), padrão Cambará, é cotada a R$ 37,00, em média, com máxima de R$ 42,00 e piso de R$ 34,00. Estima-se que menos de 25% da safra ainda esteja nas mãos dos produtores do estado. A oferta, que vinha baixa, aumentou relativamente nos últimos dias, com esses patamares de preços. A situação, no entanto, é diferenciada. A matéria-prima mato-grossense é disputada também pelos estados vizinhos, como Goiás, Pará, Mato Grosso do Sul, Minas e São Paulo. Para atender sua demanda, as indústrias do Mato Grosso pedirão ao governo federal a realização de um leilão de PEP, para escoar arroz gaúcho, hoje cotado a R$ 26,50. O leilão aconteceria pelo preço mínimo, o que retiraria o interesse do setor, apesar do benefício de enxugar ligeiramente a oferta.

Reforço

Durante a Expointer, no último final de semana, a governadora Yeda Crusius (PSDB), anunciou a redução da carga tributária para a cadeia produtiva do arroz no Estado. O crédito presumido passará de 3% para 3,5%, numa tentativa de incentivar a venda do grão adquirido de produtores gaúchos. A medida terá validade de pelo menos seis meses.

A governadora também anunciou a isenção aos exportadores de arroz atendidos pela Taxa de Cooperação e Defesa da Orizicultura (CDO), sob a condição de a matéria-prima tenha sido adquirida de produtores do Rio Grande do Sul. A renúncia fiscal, relativa aos dois anúncios, corresponde a cerca de R$ 13,6 milhões ao ano.

Consumo

O custo da cesta de produtos alimentícios essenciais registrou queda, no mês de agosto, em 16 das 17 capitais analisadas pela Pesquisa Nacional da Cesta Básica, do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O recuo foi maior em Natal, onde a cesta ficou 6,39% mais barata e no Recife, 6,28%. Retrações menores foram registradas em Florianópolis (0,08%), Goiânia (0,49%), no Rio de Janeiro (0,57%) e em Curitiba (0,71%). A única capital onde foi registrada elevação foi Porto Alegre (1,36%).

Entre os itens que influenciaram o recuo, na maioria das capitais, está o feijão foi outro item que influenciou a queda no custo da cesta, com o preço ficando menor em 13 capitais, com destaque para Belo Horizonte (12,44%), Recife (11,67%), São Paulo (10,34%) e Natal (9,11%). O preço do arroz ficou menor em 12 cidades, especialmente em Brasília (8,37%), Aracaju (5,10%) e Vitória (3,93%).

A tendência é que os preços continuem em queda na maioria das capitais, mesmo com a entressafra do arroz. Nota do Dieese cita que o problema maior seria o arroz que, apesar de ter caído em 12 capitais, está no período de entressafra. O plantio é agora e, com a colheita no final do ano, pode haver alguma falta de estoque e o preço pode subir, mas não será um aumento muito grande porque ele não é o principal item.

Preços

A Corretora Mercado, de Porto Alegre (RS), indica o arroz beneficiado em sacas de 60 quilos comercializado a R$ 54,60 (sem ICMS), com baixa de R$ 0,40 na semana. Para a saca de 50 quilos de arroz em casca, a empresa aponta a média gaúcha em R$ 26,50, queda de 30 centavos. Entre os derivados os preços se mantêm: canjicão superior (60kg) alcança R$ 28,00, a quirera R$ 20,00 e a tonelada de farelo de arroz com ligeira alta de R$ 10,00, para R$ 230,00 - CIF/Arroio Grande (RS).
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Fonte: Planeta Arroz

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