Arroz: Preços caem 1,2% na primeira quinzena de setembro

Publicado em 15/09/2010 07:59
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Cotações do arroz em casca mantiveram na primeira semana de setembro a tendência de queda registrada nas últimas três semanas de agosto, baixando pouco mais de meio ponto percentual por semana. Mercado mantém fluxo lento. A reação do mercado externo é neutralizada pela valorização do Real frente ao Dólar

A primeira quinzena do mês de setembro foi cheia de novidades para o mercado do arroz. Nem todas positivas. Houve a liberação de inesperado EGF para quitação de custeio de safra e dos próprios EGFs contratados para comercialização no primeiro semestre, o que retira a pressão de venda para a quitação das parcelas a vencer a partir deste mês do financiamento da lavoura, mas empurra um volume significativo para o final da entressafra que antecede uma colheita cheia, segundo os especialistas.

Além disso, a Conab está indicando ligeira diminuição nos números finais da colheita 2009/10 e queda de 650 mil toneladas de consumo interno. Para a próxima safra, estima-se que o Rio Grande do Sul vá aumentar sua área em 13%, em razão das boas condições das reservas de água, clima favorável e tendência de compensação das perdas por variáveis climáticas no ciclo passado.

A alta dos preços no mercado internacional, em razão de perdas climáticas confirmadas no último relatório da USDA, que poderia refletir de maneira mais significativa no mercado interno, vem sendo neutralizada pela valorização do Real perante o Dólar. Ainda assim, o setor acredita em uma exportação maior do que os indicativos oficiais, de 350 mil toneladas, volume já alcançado nos embarques de setembro, segundo analistas. A

USDA informa que a produção mundial deve cair 4 milhões de toneladas em comparação ao seu levantamento publicado em agosto, e o mercado internacional, 750 mil toneladas, aproximadamente. Em meio a toda essa conjuntura, o arrozeiro, principalmente o gaúcho, tenta segurar o produto a espera de uma valorização que não vem, com os preços espremidos entre os valores que a indústria está disposta a pagar pela matéria prima, sob enorme pressão por concessões de preços ao varejo e atacado e a equivalência de importação.

Diante desse cenário, o Indicador do Arroz Cepea-Bolsa Brasileira de Mercadorias/BVM&F aponta preço médio de R$ 26,50 para a saca de arroz de 50 quilos, em casca, com 58% de grãos inteiros, no Rio Grande do Sul, nesta terça-feira (14/9), acumulando perda de 1,2%. Essa desvalorização está mais concentrada a partir da semana atual, em razão do feriadão de 7 de setembro. A próxima semana também será mais curta para a comercialização por causa do feriadão de 20 de setembro (Dia do Gaúcho), feriado estadual no Rio Grande do Sul.

Em dólar, pela cotação desta terça-feira, a saca de 50 quilos do arroz gaúcho com as especificações já citadas, alcançou US$ 15,52, com valorização de 1,63% em setembro. Na semana, a média de preços da saca no RS ficou em R$ 26,62, com queda de 0,67% sobre a semana anterior. Em dólar o valor foi praticamente estável: US$ 15,56, com aumento de 0,06%. No mercado livre gaúcho os preços variam entre R$ 26,00 e R$ 26,50 na maior parte das regiões. Nos pólos industriais, como Pelotas, Camaquã, Itaqui e Uruguaiana, a saca tem média entre R$ 26,75 e R$ 27,00.

Estados

Valorização real apenas nos preços do Centro-Oeste, com destaque para o Mato Grosso, onde uma saca de arroz padrão Cambará (55% acima), é cotado, em média, a R$ 36,00/37,00. A oferta é pequena na mão dos produtores, em razão de mais de 70% do produto ter sido transferido para a indústria nos 90 primeiros dias após a safra por déficit de capacidade de armazenagem nas regiões produtoras. Em Mato Grosso, produtores consultados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), seguem com as vendas do casca bastante retraídas, na expectativa de mercado firme até o início da próxima colheita, entre dezembro e janeiro. A indústria, de maneira cautelosa, tem concedido altas à saca do arroz em casca. De modo geral, agentes da indústria alegam dificuldade na venda do fardo para outros estados. Para o arroz de 53 a 55 grãos inteiros, cultivar Cambará e Primavera, os preços no estado estiveram entre R$ 35,00 e 36,00/saca de 60 kg em agosto.

Em Santa Catarina os valores vêm em declínio, sob forte influência do mercado gaúcho, com cotações média entre R$ 27,00 e R$ 28,00. Como a produção está praticamente ajustada à capacidade de beneficiamento de sua indústria, o Estado tem um mercado muito mais regulado do que o gaúcho, que tem fortes excedentes e ainda enfrenta a disputa com o Mercosul, com vantagens tributárias importantes para os países vizinhos na importação por estados centrais brasileiros.

Consumidor

Ao consumidor, o preço médio do arroz vem caindo, segundo o Dieese, em sua pesquisa mensal. Em agosto, houve queda em 12, das 17 capitais brasileiras pesquisadas. Em Brasília o valor chegou a ser reduzido em 8,37%, 5,1% em Aracajú e 3,93% em Vitória. Mas, em cinco regiões houve aumento: o maior deles em Salvador (2,17%).

Safra

O décimo segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra brasileira 2009/10 de arroz indicou uma queda de 10,7% na produção, para 11,260 milhões de toneladas. No ciclo 2008/09, foram colhidos 12,602 milhões de toneladas. No décimo primeiro levantamento, eram projetadas 11,236 milhões de toneladas. Ainda segundo a Conab, o Brasil plantou 2,764 milhões de hectares e obteve produtividade de 4,073 mil quilos por hectare, inferior em 6% ao ciclo anterior.

O Rio Grande do Sul, principal estado produtor, totalizou uma safra de 6,920 milhões de toneladas, equivalendo a um recuo de 12,5%, com rendimento esperado de 6.410 quilos por hectare.

Preços

A Corretora Mercado, de Porto Alegre (RS), indica o arroz beneficiado em sacas de 60 quilos comercializado a R$ 55,00 (sem ICMS), com alta de R$ 0,40 na semana. Para a saca de 50 quilos de arroz em casca, a empresa aponta a média gaúcha em R$ 26,00, queda de 50 centavos. Entre os derivados os preços se mantêm: canjicão superior (60kg) e a tonelada de farelo de arroz em R$ 230,00 - CIF/Arroio Grande (RS). A quirera teve ligeira alta e passou de R$ 20,00 para R$ 21,50 a saca.
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Fonte: Planeta Arroz

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