Feijão: produção vai dobrar este ano no Estado

Publicado em 22/09/2010 09:07
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Mato Grosso pretende dobrar a produção de feijão caupí na safra 2010/2011, a ser plantada após a colheita da soja (a partir de janeiro). A estimativa é de que a produção varie entre 3 milhões e 4 milhões de toneladas, 100% a mais do que foi produzido este ano, que prevê a produção entre 1,5 milhão e 2 milhões de toneladas.

O incremento é uma reação dos produtores à demanda do mercado, visto que além do Nordeste e Norte, tradicionais consumidores da espécie, os países orientais estão importando o grão do Estado. A grande procura tem influenciado nos preços atuais. O saco de 50 kg, que no início da safra, em maio, custava R$ 80, está sendo vendido entre R$ 110 e R$ 160, de acordo com a qualidade do grão.

O produtor de Primavera do Leste, Moacir Tomazzeti, afirma que o feijão é uma alternativa para o empresário agrícola mato-grossense, que pode variar com o milho e outras culturas. De acordo com ele, o incremento de produção será favorecido pela renda obtida. "Hoje o custo de um hectare está em torno de R$ 600, o que produz entre 15 e 30 sacos. Caso sejam colhidos 20 sacos, o produtor vai receber R$ 2 mil, o que faz com que ele possa investir".

O engenheiro agrônomo Osmar Boschilia diz que o caupí é uma tendência e que apenas no Centro-Oeste, Sul e no estado de São Paulo o consumo do carioca é preferido. No restante do país e até do mundo, o caupí tem mais saída. "Esta variedade tem penetração no mundo inteiro. O carioca não é exportado". Segundo Boschilia, o investimento no carioca é feito por causa de seu preço de mercado, que pode ser o dobro do caupí. Em contrapartida, os custos são muito mais elevados, visto que o carioca não se adapta ao tempo seco e necessita de irrigação constante. Além disso, o carioca tem um tempo de 90 dias até a maturação, ante 75 dias do caupí.

A safra do carioca tem melhor aproveitamento se for plantado entre abril e maio, período que inicia a estiagem e por isso exige um investimento alto em pivôs (sistema de irrigação). A caupí possui uma tolerância maior e é plantado assim que a soja sai da lavoura, entre janeiro e fevereiro e em maio começa a ser colhido, época que o preço deve começar a cair.

Alternativa - O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) divulgou nesta terça-feira (21) o desenvolvimento de 3 cultivares de semente de feijão para culturas mecanizadas e que podem ser adaptadas para seca. As sementes das cultivares BRS 9435 Cometa, BRS Estilo (grupo do carioca) e BRS Esplendor (grupo do preto) deverão ser distribuídas gratuitamente, pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Em Mato Grosso, a variedade é indicada para o cultivo no inverno e em tempos de seca. Moacir Tomazzeti, que possui uma empresa de sementes, diz que é parceiro da Embrapa e que até agora não recebeu esta novidade. "Há algum tempo somos parceiros e sei que esta variedade está sendo desenvolvida. Assim que a pesquisa estiver concluída, com certeza iremos investir", afirma o produtor ao comentar que em suas terras, mais de 100 variedades são cultivadas para experimento.

O agrônomo Osmar Boschilia diz que o feijão tem mercado garantido desde que seja de boa qualidade. "Assim como no cultivo de qualquer produto, se o feijão não for de qualidade, não é bem recebido. É preciso investir em tecnologia para ter o retorno esperado".

Além da variedade mais resistente à seca, Tomazzeti promete em breve o cultivo de um grão maior e assim mais valorizado. "Logo lançaremos um mais graúdo e que deverá ter boa aceitação".
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Fonte: A Gazeta

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