Estiagem Safra 10/11: Pior momento em dez anos

Publicado em 28/09/2010 07:36
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Sem perspectivas positivas para chegada das chuvas ao Estado, produtores se veem obrigados a replanejar e acionar “plano B”.
A soja precoce se consolida como a cultura mais prejudicada até agora pelo longo período de estiagem, a maior dos últimos dez anos em Mato Grosso. De acordo com entidades produtoras e sindicatos rurais dos municípios, a última chuva registrada ocorreu no dia 4 de abril. De lá até agora, segundo os produtores, já são praticamente seis meses sem chuvas, isto é, sem água suficiente para o início do plantio. Na última safra (09/10), a soja precoce respondeu por cerca de 30% de toda a área cultivada do Estado, ou cerca de 1,8 milhão de hectares. Desde o ciclo 00/01 não vemos uma seca com esta intensidade, recorda o diretor administrativo da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja), Carlos Fávaro.

Com o plantio de soja precoce praticamente comprometido e as safrinhas de milho e algodão correndo risco de atraso no próximo ano, os produtores mato-grossenses já estão construindo o plano B para a safra 10/11, cuja temporada começou no último dia 16, mas ainda está na estaca zero por falta de chuvas. A alternativa, segundo a Aprosoja/MT é descartar o plantio de soja precoce e trabalhar apenas com algodão, ciclo normal.

A cada dia que passa as janelas [de plantio] tornam-se mais curtas e sobra menos tempo para o agricultor fazer uma segunda safra, diz o diretor administrativo da Aprosoja/MT, Carlos Fávaro.

Ele tem informações de que no último final de semana choveu em algumas regiões do Estado. Mas foram chuvas esparsas, nada que permita o início do plantio. Só deu mesmo para apagar a poeira. O tempo continua quente e o solo ainda não oferece nenhuma umidade para receber a semente. As chuvas ocorreram nas regiões de Tapurah (433 quilômetros ao médio norte de Cuiabá) e Ipiranga do Norte, que fica a 450 quilômetros ao norte da Capital. Outras regiões também registram precipitações esparsas.

Se fizermos as contas, o plantio ainda não está atrasado para o plantio da soja do ciclo normal, que começa normalmente em outubro e novembro. Mas a safra de soja precoce, aquela plantada mais cedo, já está em boa parte comprometida. Quem plantar sementes de ciclo rápido em outubro corre o risco de não plantar algodão em dezembro. Neste caso é preferível substituir a soja precoce pelo plantio do algodão. Muitos produtores já estão com este plano na mão e já pensam em mudar a estratégia de plantio para a safra 10/11, afirmou Fávaro.

Ele lembra que em qualquer situação, a partir de agora, o produtor vai ter de reprogramar o plantio e fazer um novo planejamento. Com a informação de que o tempo continuará seco nas primeiras semanas de outubro, não resta outra alternativa ao produtor senão plantar a soja de ciclo normal e a safrinha de milho, enforcando o plantio de algodão, ou não plantar a soja e investir no cultivo da pluma. O produtor tem a opção de plantar o algodão direto, ou a soja agora e o milho depois, esclarece o diretor da Aprosoja/MT. Quem optar por algodão nesta safra, é só algodão. Decisão que não será fácil, já que os mercados futuros, até ao milho, estão em ascensão como fruto de estimativas de estoques mundiais reduzidos para uma demanda crescente, principalmente a chinesa.

MILHO - Já o plantio do milho não está atrasado, porém, o seu cultivo altera o planejamento para outros grãos. Contudo, se não chover dentro de 15 dias, até o plantio da safrinha de milho poderá ficar comprometido em 2011. O cereal é plantado normalmente após a última colheita de soja, por volta de fevereiro e março. Se ocorrer um atraso com a soja, o milho poderá perder sua janela de plantio, que é o final do período das chuvas. O cereal necessita muito delas para o início do desenvolvimento e preenchimento das espigas.

Com o encurtamento das janelas de plantio e a suspensão do cultivo das variedades precoces, Carlos Fávaro acredita que haverá menor oferta de soja no mercado. Para muitos produtores, entretanto, é mais vantagem plantar algodão devido à estrutura de beneficiamento, que é bem maior e demanda uma movimentação mais forte da indústria para o atendimento dos contratos de exportação.
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Fonte: Diário de Cuiabá

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