Ainda com USDA, soja e milho avançam em Chicago; trigo cai

Publicado em 11/10/2010 09:10 e atualizado em 11/10/2010 13:55
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Um levantamento do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) sobre oferta e demanda de grãos naquele país e no mundo nesta safra 2010/11 motivou forte alta das cotações de milho, soja e trigo na sexta-feira passada na bolsa de Chicago.

Neste começo de semana, os futuros dos grãos soja, milho e trigo negociados na Bolsa de Chicago explodiram e continuam sendo impulsionados pelas informações do boletim. A tendência para a sessão diurna é de que o mercado continue absorvendo os números e operando em forte alta.

Segundo o diretor da Archer Financial Services Inc., em Chicago, afirmou que a tendência é de que o milho continue trabalhando em forte alta. Às 13h34, o dezembro era cotado a US$5,62/bushel, subindo 34 cents e o o março a US$ 5,71, avançando 34 cents.

Já a soja, além da sustentação nos números do boletim, encontra suporte também no clima seco na América do Sul, que pode comprometer os rendimentos das lavouras.  O vencimento novembro, às 13h34, subia 32,50 cents e valia US$11,67/bushel, já o maio - referência para  a safra brasileira - tinha ganho de 31,25 cents e era cotada a US$11,88.

O trigo, entretanto, contrariou as expectativas e trabalha no vermelho na CBOT neste início de sessão depois das expressivas altas registradas na última sexta-feira. Mesmo com os dados do USDA, os altos preços do milho, o aumento da demanda pelo cereal na fabricação de rações e o clima seco que pode reduzir a área nas planícies norte-americanas, o vencimento dezembro perde 11,72 cents e vale US$7,07/bushel e o março US$7,42, perdendo 11,75 cents. 

Dos números apresentados pelo USDA, o que mais chamou a atenção do mercado foi o corte promovido na estimativa para a colheita americana de milho. No relatório que divulgou em setembro, a previsão apontava para 334,27 milhões de toneladas, 0,4% mais que em 2009/10. A partir de um ajuste de 4% para baixo no cálculo para a produtividade das lavouras, o volume total caiu para 321,68 milhões, ao mesmo tempo em que foram elevadas as projeções para a demanda.

Resultado direto dessa mudança foi a valorização dos futuros do grão. Os papéis para março subiram 30 centavos de dólar (a alta máxima diária permitida), ou 5,91%, e fecharam a US$ 5,3750 por bushel, maior valor para um contrato de segunda posição de entrega (normalmente o de maior liquidez) desde setembro de 2008, conforme cálculos do Valor Data. Nos últimos 12 meses, a valorização acumulada chegou a 42,86%.

A disparada rebateu no trigo, que pode ser usado como alternativa ao milho em rações. Nesse mercado, os contratos para março (segunda posição) subiram 60 centavos de dólar (8,65%), e chegaram a US$ 7,5375 por bushel, valor que embute uma alta acumulada de 52,81% em 12 meses.

Igualmente expressivo foi o salto dos contratos de segunda posição de entrega da soja. Janeiro subiu 70 centavos de dólar (6,51%) e encerrou a semana negociado a US$ 11,45 por bushel, valorização de 21,91% em 12 meses. O USDA também cortou sua previsão para a produtividade média das lavouras americanas, e sua estimativa para a colheita da oleaginosa caiu para 92,76 milhões de toneladas.

Surpreendentes, os ajustes do USDA e as reações dos preços em Chicago, referência maior para as negociações das três commodities no mercado internacional foram recebidos com preocupação pela FAO, o braço das Nações Unidas para agricultura e alimentação. Com preços nesses níveis, é de se esperar o aumento da fome no mundo, sobretudo em países mais pobres.
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Fonte: Valor Econômico

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