Preços do feijão variam até 100% ao longo do ano

Publicado em 10/11/2010 08:08
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Clima reflete diretamente no cultivo do grão que tem ciclo de produção curto. Consumidor que vai ao Mercado do Porto tem uma grande variedade do grão disponível para compra
As chuvas em excesso no início do ano e a escassez nos últimos meses fizeram com que o feijão tivesse um ano marcado por oscilações de preços e altas expressivas. Nos supermercados da Capital, o percentual de aumento entre o menor preço e o mais alto até outubro chega a 100%. No levantamento de preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o acumulado do ano apresenta aumento de 109,78% e 31% somente em outubro na comparação com o mês anterior.

No Mercado do Porto, o carioquinha sai por uma média de R$ 3,50 o quilo, sendo que chegou a atingir R$ 2,5 até R$ 6 este ano. O diretor da Associação dos Supermercados de Mato Grosso (Asmat), Altair Magalhães, explica que o ciclo do feijão é curto, com apenas 4 meses entre a plantação e a colheita do grão, e que estiagem provocou a falta de produto em todo o país. Porém, Magalhães também pondera que pelo mesmo motivo, o ciclo curto, rapidamente os preços voltam a retrair.

A gerente regional da rede Comper, Izilda Maria da Silva, diz que os seus fornecedores confirmam que o preço permanecerá estável com possíveis altas e que não deve haver reduções em breve. No estabelecimento, o feijão variou entre R$ 2,50 e R$ 4,39 durante os 10 meses deste ano, registrando até 100% de aumento.

O consumidor não altera seu comportamento com relação ao preço devido à importância que o alimento tem na cultura alimentar brasileira. O caminhoneiro Castor Jacinto é exemplo disso. Segundo o trabalhador, de 52 anos, independentemente do valor, o feijão e a carne não faltam na mesa. "Posso até deixar de comprar outras coisas, mas carne e feijão é sagrado. Outro dia vim aqui e o feijão estava R$ 6 o quilo, e mesmo assim levei".

Izilda da Silva confirma o relato do caminhoneiro. De acordo com a gerente, em todo este período de mudanças, o consumo se manteve estável nas lojas. "O consumidor tem o hábito de comer o feijão e ele se adapta ao preço ou migra de uma marca para outra".

Altair Magalhães diz o consumo familiar, apesar de constante, não é variável, e por isso é possível manter o alimento na mesa. Na rede de supermercados Modelo, o consumo de feijão é expressivo, mas não ultrapassa o consumo de arroz.

O comerciante José Sousa, do Mercado do Porto, diz que o preço do feijão é sempre assim, variável o ano inteiro, assim como é diferenciado o preço de uma qualidade e variedade para outra. Em sua banca o feijão custa, em média, R$ 3,50, mas no caso como do feijão rosinha este preço pode chegar a R$ 8 o quilo. O consumidor tem cerca de 10 variedades de feijão disponíveis para compra no Mercado do Porto.

Leilão - A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) promove amanhã (11) o leilão de 33,8 mil toneladas de feijão. Mato Grosso não irá comercializar o grão, mas poderá adquiri-lo nesta etapa.
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Fonte: Gazeta Digital

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