Arroz: estoque de passagem elevado e real em alta pressionam preços em 2010 e produtores são mal remunerados
O estado do Rio Grande do Sul, principal produtor de arroz do Brasil, sofreu com uma frustração da safra este ano por conta do fenômeno climátio El Niño. Cerca de 40 mil hectares se perderam por conta das condições climáticas e muitos produtores amargaram sérios prejuízos.
Entretanto, mesmo com essa queda na produção, o ano também não foi positivo para o mercado quando os assuntos são preços e comercialização.
O câmbio não favorece os orizicultores brasileiros e, diante disso, a competitividade com o produto do Mercosul ficou mais difícil, também por conta da alta carga tributária do Brasil. Além disso, as exportações ficaram aquém do esperado e não contribuíram para uma alavancagem dos preços.
Neste cenário, o sentimento é de inquietação no setor frente a uma remuneração abaixo do custo de produção.
As lavouras da próxima safra agora sofrem com o La Niña, que traz ondas de frio e prejudicam o desenvolvimento das plantas. Ainda assim, segundo Maurício Fischer, presidente do Irga (Instituto Rio Grandense do Arroz), afirma que a colheita deve ficar entre 7 e 8 milhões de toneladas e as lavouras estão em bom estado.
Quanto aos preços, para 2011 a expectativa não é muito positiva. Segundo Fischer, por conta das produções brasileira, argentina e uruguaia e mais o câmbio desfavorável, as cotações devem permanecer pressionadas e a concorrência com os países do Mercosul bastante difícil.
A expectativa é de que o governo participe mais ativamente da comercialização do arroz, garantindo, ao menos, o preço mínimo. O presidente do Irga diz ser fundamental essa participação das autoridades para uma recuperação do setor.