Arroz: Preços preocupam produtores gaúchos

Publicado em 27/01/2011 06:45 464 exibições
A colheita do arroz deve começar nas próximas semanas no Rio Grande do Sul. Os agricultores estão bastante preocupados com o preço do produto, que está abaixo do mínimo estipulado pelo governo.

A fronteira oeste gaúcha concentra os dois maiores municípios produtores de arroz do país. Os dois mil hectares do agricultor Luiz Rodrigues ficam em Itaqui. Com a ajuda do clima, a previsão é de que a média de produtividade fique acima da estadual, estimada em oito mil quilos por hectare nesta safra. Mas a notícia de superprodução não está sendo comemorada pelo agricultor.

“Mas como não vou estar apavorado se nem o preço mínimo estão garantindo?”, questionou Rodrigues.

O preço mínimo estabelecido pelo governo é de R$ 25,80. Mas no mercado a saca de 50 quilos não passa dos R$ 23. O arroz já está quase pronto para ser colhido na região. Muitos produtores já começam a colocar as máquinas nas lavouras a partir do dia 10 de fevereiro. Mas como o produto não foi valorizado nem mesmo na entressafra, a preocupação dos produtores é com o preço após a colheita.

Para o presidente da Associação dos Arrozeiros de Uruguaiana, o principal motivo para o preço baixo está na concorrência com o arroz importado do Mercosul, que chega ao Brasil com o preços bem menores.

“Eles conseguem produzir com um custo menor não porque os produtores sejam mais eficientes, mas sim devido ao custo/país. O nosso custo/país é maior do que o deles. Nós não temos receio de competir, mas em condições de igualdade e não em condições de desigualdade, como ocorre hoje”, reclamou Walter Arns.

Na quarta-feira, representantes dos arrozeiros se reuniram com o Secretário de Agricultura do estado para pedir ajuda ao setor.

“Na verdade, o Brasil é autosuficiente na produção do arroz. São 900 mil toneladas que entram no Mercosul por ano, o que abastece quase um mês o Brasil. Esse arroz virou excedente. Portanto, isso contribui para a queda dos preços a nível do mercado interno. Junto com a Federação dos Arrozeiros do Estado do Rio Grande do Sul, a Secretaria de Agricultura e o governador Tarso Genro estão tratando com o governo federal para que o governo adquira o produto quando iniciar a safra. Estamos em plena entressafra, há um mês de iniciarmos a colheita, e os preços estão muito baixos. A aquisição seria essencial para que possamos elevar os preços e melhorar a renda do produtor. Também estão sendo pleiteados empréstimos do governo federal para a liquidação dos custeios que começam a vencer na safra atual e outras operações de prêmio de escoamento de produção, de contratos de opção, para que possamos diluir a comercialização do arroz ao longo do ano”, esclareceu Cláudio Fernando Brayer Pereira, presidente do IRGA, Instituto Rio-Grandense do Arroz.

A Companhia Nacional de Abastecimento fez na quarta-feira mais um leilão de subsídios para ajudar o escoamento da produção de arroz e garantir, assim, melhores preços aos agricultores. Os recursos obtidos foram suficientes para escoar 52 mil toneladas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

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Fonte:
Globo Rural

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1 comentário

  • Jonas Plínio do Nascimento Júnior Pelotas - RS

    Acho que em vez de tentar escoar via leilões da Conab, a Federarroz e o Irga deveriam se unir em torno dos produtores que eles representam e arrumarem meios de exportar o produto para outros paises, principalmente os orientais como China e Japão.Seria uma maneira de controlar a oscilação de preços para baixo, visto a nova safra estar quase em tempo de colher , faltando 45 dias apenas. O governo Brasileiro não vai garantir preço minimo que estipularam em lei.Não acredito em medidas puramente paleativas. Falta união da classe produtora, e isto está nos prejudicando. Falta argentino nesta luta.

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