O que é preciso para se ter lucro com o trigo?

Publicado em 21/03/2011 14:46 1297 exibições
No momento que os triticultores tem que tomar suas decisões sobre o plantio é importante mencionar alguns detalhes visando a boa comercialização futura do produto.

A grande queixa dos triticultores brasileiros é que não tem lucro. Por isso, prestam mais atenção à soja, que lhe dá uma renda maior. E aqui já começa o aprendizado: se se tomasse com o trigo as mesmas atitudes que se toma com a soja, talvez o cereal também tivesse a mesma lucratividade que a oleaginosa, como o é nos países do Hemisfério Norte, onde o seu plantio é levado bem a sério. A nível mundial a produção de trigo é três vezes maior do que a de soja.
E quais seriam estas atitudes?

Primeiro, estabelecer uma forte ligação com o seu moinho comprador. Perguntar a ele qual variedade de trigo ele precisa para produzir boas farinhas e obter bons preços no mercado, podendo, assim, remunerar melhor a sua matéria prima. Como exemplo, podemos citar o trigo brando: é base para a produção das farinhas comum e inteira. A farinha comum é vendida a um preço 26,41% menor do que a farinha especial, feita com trigo pão; a farinha inteira é vendida a um preço 20,75% menor do que a farinha especial. Assim, se você plantar trigo brando deverá ter preços em média 23% menores do que se plantar trigo pão.

Esta conversa com o moinho é extremamente importante. Se ele souber que você está produzindo um trigo de melhor qualidade, vai lhe dar um tratamento especial na hora de recebê-lo durante a colheita, de maneira separada dos outros e, com toda certeza, vai oferecer um preço maior. E não se espante se ele fizer algum adiantamento para garantir a compra. Ou até um contrato antecipado, que você poderá descontar no Banco, se precisar. Há uma empresa no Paraná que já faz isto, regularmente.

Agora, se você quiser preços ainda melhores, do tipo seis reais por saco a mais do que o seu vizinho, também tem jeito, se você tiver terras adequadas, bem altas e frias e investir em compostos com alto teor de nitrogênio, para aumentar o grau de proteínas e, com elas, o W a o glúten do seu trigo. Todos sabemos que nem todo trigo é igual, assim como nem toda uva é igual, nem todo carro é igual. No Brasil temos apenas quatro tipos de trigo, mas na Argentina há pelo menos treze, segundo o grau de glúten e pH. Assim como existem uvas comuns e uvas especiais, se você conseguir produzir trigo especial com alto teor de FN, por exemplo e alto teor de glúten e seu moinho souber disto, vai chamar você para um canto e lhe propor contrato firme e preço muito mais alto do que o pago ao seu vizinho. E certamente vai oferecer alguma assistência técnica para ajudá-lo a controlar o FN, o W, o glúten e os níveis de nitrogênio do solo.

Em segundo lugar, o agricultor tem que controlar a relação custo/benefício do plantio. O grande pecado talvez seja não fazer custo e este é o pai de todos. Sem o seu custo de produção à mão, o agricultor não pode tomar boas decisões de comercialização. Como vai saber se o preço que estão oferecendo pelo seu trigo é bom se não sabe quanto custou produzi-lo? E sabem por que a maioria dos agricultores não faz custo de produção? Para não ver o tamanho do “prejuízo”. Ora, a melhor maneira de eliminar o prejuízo é encará-lo de frente.  No momento, os preços internos do trigo no Brasil estão apontando não para prejuízo, mas, para uma lucratividade ao redor de 10%.  O agricultor que não faz corretamente o custo de produção da sua lavoura comete, então, todos os outros erros, que é guiar-se pelo vizinho, guiar-se pelas cotações do ano anterior, só vender depois de colher, só vender quando tem que pagar uma dívida, querer números redondos e, finalmente, achar que não precisa entender como funciona nem acompanhar dia a dia o mercado.

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Fonte:
Trigo & Farinhas

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4 comentários

  • Leonardo Zucon Itapeva - SP

    teoria é muito linda, dá tudo certo, é perfeito.Plantei trigo durante 8 anos, gostaria de convidar o escritor dessa matéria para plantar os mesmos 8 anos, depois veremos qual será sua próxima matéria.

    O que falta é política agrícola nesse país, hoje não planto mais, pois cansei de tantas injustiças com nossa classe, e não sinto nem saudades!!!!

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  • Narciso Pissinatti Londrina - PR

    Talvés que escreveu essa materia não planta Trigo aqui no Paraná.

    Isso de fazer parceria já foi meu comentário em dias atrás.

    Mas eu pergunto com câmbio favorável aos Moinhos e o Governo

    não taxando seus preços internacionais,são muitas as vantagens a

    indústria.Depois são três ou quatro indústria manobrando preços.

    A pesquisa,Embrapa,já apresentou diversas variedades... Tem muito mais para ser feito em fvr do produtor

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  • Telmo Heinen Formosa - GO

    Eu continuo dizendo, plante trigo de acordo com a conveniência agronômica e só! No dia que alguém instituir uma modalidade semelhante ao cultivo e comercialização da cevada cervejeira para o trigo será a hora de alterar os planos. Quando não houver farinha para fazer massa de pizza que é a MODA da juventude, que comam "broa" de milho....

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  • edson faquineti Assis Chateaubriand - PR

    Estou vendo que quem postou esta materia deve entender de escrever 'matérias',pois sou produtor de trigo melhorador e a coisa é bem pior do que a matéria diz.Eu vejo que hoje existe uma grande chance do trigo ser estinto em nossa região ,que ja foi a maior produtora de trigo.

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