Estoques globais de trigo devem recuar

Publicado em 24/03/2011 07:55 277 exibições
A produção mundial de trigo deverá aumentar 3,4% em 2011, mas o quadro de abastecimento tende a continuar sob pressão em consequência da demanda crescente, de acordo com o primeiro relatório da FAO com projeções para o quadro de fundamentos do cereal neste ano.

Conforme a agência das Nações Unidas para agricultura e alimentação, a produção deverá somar 676 milhões de toneladas, com aumentos nas colheitas de diversos países importantes no comércio global. Apesar do incremento, o volume previsto ainda será inferior aos apurados em 2008 e 2009.

Se confirmado o aperto entre a oferta e a demanda traçado pela FAO, os estoques certamente diminuirão, o que pode conferir combustível extra à forte volatilidade dos preços observada nas três primeiras semanas de março.

Depois de subirem, em média, 7% em fevereiro, os preços internacionais do trigo recuaram neste mês, para o patamar de US$ 333 por tonelada. Trata-se de um valor médio 48% superior ao de igual período do ano passado, mas 40% inferior ao de março de 2008, quando as cotações, na série da FAO, alcançaram seu pico histórico.

Ontem, na bolsa de Chicago, principal referência para o comércio do cereal, os contratos com vencimento em julho fecharam a US$ 7,5025 por bushel, em baixa de 7,50 centavos de dólar em relação à véspera.

No caso do milho, os preços das exportações mundiais tambem subiram em fevereiro e declinaram no começo de março, com a tonelada média passando a custar, conforme os dados da FAO, US$ 293 - 83% a mais que no mesmo periodo de 2010, mas 13% abaixo da máxima histórica de junho de 2008. Agora, estima o braço das Nações Unidas, os estoques só representam 14% do consumo anual, nível historicamente baixo.

No caso do arroz, os preços de exportação permaneceram estáveis em fevereiro, mas baixaram em março para US$ 572 por tonelada, na média, o que representa quedas de 3% na comparação com março de 2010 e de 50% sobre o pico de maio de 2008.

Assim, a fatura de importação de países com déficit de alimentos continuará a subir este ano, enquanto as perspectivas continuam positivas para os exportadores.

Na Asia, as projeções para 2011 apontam uma colheita de grãos mais favorável - inclusive na China -, apesar dos reflexos da tragédia no Japão sobre a agricultura e o comércio de alimentos do país.

Na África do Norte, a Líbia, em convulsão armada, tornou-se altamente dependente de importações e de operações emergenciais de assistência. No sul da África, a colheita parece boa. E no leste, a insegurança alimentar cresceu na Somália, no Quênia e na Etiópia por causa da seca.

Na América do Sul, finalmente, a FAO observa que as perspectivas são pouco favoráveis para a colheita de milho na Argentina e no Uruguai por causa de efeitos do fenômeno La Nina. No Brasil, em contrapartida, as condições até agora beneficiam o desenvolvimento da expansão de cereais.

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Fonte:
Valor Econômico

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