A guerra dos moinhos argentinos com o governo

Publicado em 06/06/2011 08:21 e atualizado em 01/03/2020 09:21 511 exibições
Reportagem do jornal Clarín, desta sexta-feira, assinada por Matías Longoni, informa que os moinhos argentinos dizem que o governo só quer pagar um terço da dívida de $ 2 bilhões que o governo tem com eles. Ao anunciar a dissolução da ONCCA o então ministro Amado Boudou afirmou que haveria uma “alteração do programa”, mas ninguém supôs a que se referia. Agora que Guilherme Moreno tomou o controle dos subsídios deste ex-organismo e dirige um caixa de $ 2,14 bilhões, tudo ficou mais claro: o que mudou foram as regras do jogo.  Indústria moageira tropeçou nesta semana com a novidade de que Moreno não reconhece a dívida milionária que o estado contraiu com o setor e se dispõe a pagar apenas uma terça parte. A decisão de Moreno, que expõe o Estado a juízos por somas milionárias, começou a ser comunicada desde a última segunda-feira a poucos moinhos que receberam o selo de “aptos” da parte do Comércio Interior.  O quer dizer isto? Que os moinhos voltaram a apresentar diante deste organismo todos os papéis necessários para demonstrar que eram justos credores das compensações da ex ONCCA, que deixou de pagá-los. Estima-se esta dívida em $ 2 bilhões. Os outros grandes prejudicados com o fechamento da ONCCA, o setor avícola, está em pior situação: Moreno nem sequer recebe os tais papéis. Assim, o governo está descumprindo a palavra empenhada com dois dos setores que mais defenderam a política oficial. Alberto España (moinhos) e Roberto Domnenech (avícolas) foram das poucas espadas que teve o kirchnerismo para enfrentar as críticas dos ruralistas. Aos moinhos, Moreno afirma que utiliza uma nova fórmula para calcular as compensações e propõe uma liquidação que varia entre 30% e 40% da dívida original, alegando que o setor “já ganhou bastante dinheiro”. Esta é a sua única explicação para os moinhos que cumpriram com a ordem governamental de vender a saca de 50 kg de farinha subsidiada a 47 pesos. Estrangulados financeiramente, os moinhos aceitam, ainda que em todos os casos afirmam sua “inconformidade”!, deixando aberta a porta a uma demanda judicial. Na próxima segunda feira (6) haverá uma reunião plenária dos moinhos para analisar o assunto. É que o recálculo apresentado por Moreno é por demais inconsistente e caprichoso. Primeiro, porque inclui pagamentos que a ex ONCCA chegou a publicar no Boletim Oficial, mas não chegou a efetuar. Segundo, porque não se pode legislar com efeito retroativo. E terceiro porque não se publicou nenhuma resolução que modifique a fórmula vigente para o cálculo da compensação. Frente aos fatos consumados, os grandes moinhos associados à FAIM-Federação da Indústria Moageira se dividiram sobre a conveniência de continuar respeitando os preços sugeridos por Moreno ou sair do Sistema. Logomarsino, Cañuelas e Caboldi duvidaram. Cargill e o restante dos sócios preferiram confrontar Moreno. Contudo, a crise era total no segmento de pequenos e médios estabelecimentos: sem respaldo financeiro, temiam um fechamento generalizado e dezenas de desempregados.
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Trigo & Farinhas

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