Preço pago a produtor de arroz tem alta no RS

Publicado em 26/08/2011 08:04 353 exibições
Os mecanismos de apoio à comercialização acionados pelo governo federal para retirar do mercado 2,3 milhões das 13,7 milhões de toneladas de arroz da safra 2010/11 começam a dar fôlego aos agricultores.

No Rio Grande do Sul, responsável por 65% da produção nacional, as cotações começaram a reagir em junho depois de nove meses de queda. Na terceira semana de agosto já acumulavam alta de 22,6% em relação a maio, mas seguem abaixo do preço mínimo oficial, e os arrozeiros já falam em uma redução de até 20% na área plantada no Estado em 2011/12.

As ferramentas usadas pela Conab incluem leilões de Prêmio para Escoamento de Produto (PEP), de Prêmio Equalizador pago ao Produtor (Pepro), de Aquisição do Governo Federal (AGF) e de opções de venda. Conforme o presidente do Instituto Riograndense do Arroz (Irga), Claudio Pereira, só as AGF escoaram 420 mil toneladas do Rio Grande do Sul, acima das 360 mil prometidas em fevereiro.

Os leilões de PEP, destinados à compra de produto para exportação, retiraram mais 1,2 milhão de toneladas do Estado, disse Pereira. Segundo ele, a expectativa é que os embarques do país irão a 1,5 milhão de toneladas no ano agrícola de março de 2011 a fevereiro de 2012, ante 627 mil toneladas no ciclo anterior. De março a julho deste ano, o volume atingiu 693,8 mil toneladas, o triplo dos embarques do mesmo período de 2010.

Na quinta-feira, a Conab fará mais um leilão de PEP para 140 mil toneladas (100 mil das quais no Rio Grande do Sul) e outro de Prepo para 25 mil toneladas. Na semana passada, o Ministério da Agricultura também autorizou leilões para 500 mil toneladas de arroz dos tipos 2 e 3 do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina para uso em ração animal, divididos em lotes quinzenais de 100 mil toneladas a partir do fim deste mês.

Segundo Pereira, as cotações médias pagas aos produtores gaúchos, que chegaram a R$ 23,27 por saca de arroz em casca na terceira semana de agosto, deverão se estabilizar perto do preço mínimo (de R$ 25,80) em um mês e meio. Para ele, o teto tende a ficar nesse patamar porque falta comercializar de 30% a 40% da última safra gaúcha, calculada em 9 milhões de toneladas. "Mas este valor cobre os custos variáveis dos produtores", disse.

Para o presidente da Federação dos Arrozeiros do Estado (Federarroz), Renato Rocha, a expectativa é que a cotação vá a R$ 29,50 no fim do ano, se o governo mantiver os mecanismos de apoio. O valor equivale ao preço de fechamento do leilão de opção de venda realizado ontem pela Conab para entrega no fim de dezembro. "Esta é a nossa referência", afirmou o dirigente, depois de uma audiência com o novo ministro da Agricultura, o gaúcho Mendes Ribeiro Filho.

Pereira e Rocha estão igualmente preocupados em obter do novo ministro a garantia de que o apoio à comercialização será mantido em 2012 para evitar nova queda de preços no início do ano. O plantio no Rio Grande do Sul vai de setembro até novembro, e os prejuízos de 2011, o endividamento e o déficit hídrico previsto nas regiões produtoras deverão levar a redução na área entre 100 mil e 250 mil hectares, ante 1,18 milhão plantados em 2010/11, estimou Rocha.

Na audiência com o novo ministro, ele apresentou as questões "emergenciais" e "estruturais" mais importantes para setor. No primeiro caso estão manutenção dos mecanismos de comercialização e necessidade de negociação das dívidas atuais dos produtores com bancos para financiar o próximo custeio. No segundo, aparecem o reforço à exportação e o estímulo ao consumo doméstico.

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Fonte:
Valor Econômico

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