Arroz: Queda das cotações em setembro podem anular alta de agosto

Publicado em 14/09/2011 14:54 303 exibições
Esforços do governo federal e exportações não estão surtindo efeitos para segurar os preços do arroz em casca. Varejo segue segurando reajuste às indústrias e bancos trancando a liberação de crédito novo aos agricultores
Todos os esforços do governo federal para assegurar mecanismos de comercialização que sustentem as cotações do arroz no Sul do Brasil, e por decorrência disso em todo o País, em níveis capazes de cobrir os custos de produção da maioria dos arrozeiros, está em cheque. A alta de agosto, que acumulou 2,18%, segundo o Indicador do Arroz Esalq/Bolsa Brasileira de Mercadorias-BM&FBovespa, pode ser anulada ainda esta semana pelo comportamento de queda das cotações, que nesta terça-feira fecharam em trajetória negativa de 2,01% nos 13 primeiros dias de setembro.

Segundo o indicador, nesta terça-feira, 13 de setembro, as cotações médias do arroz em casca, em sacas de 50kg (58x10) colocados na indústria gaúcha fecharam em R$ 22,92, com desvalorização de 0,86% na semana. Pela cotação do dia, uma saca equivale a US$ 13,38 dólares, um dos mais baixos preços do último trimestre, também favorecido pela leve valorização do dólar frente ao real nos últimos dias.

O cenário não se alterou muito nos últimos 15 dias, exceto por alguma movimentação no mercado internacional, que fechou agosto em alta de preços, com boas exportações brasileiras e um dólar mais atraente para os contratos que serão fechados neste mês. Em compensação o anúncio de que a India deve colocar 2 milhões de toneladas de arroz branco no mercado mundial preocupa.

Internamente, os bancos seguem forçando o produtor a quitar os débitos para obter novo crédito e exigindo mais garantias para liberar o custeio. A safra já começou no Rio Grande do Sul, com perto de 1 mil hectares plantados. A estimativa é de redução de área no RS e também na Argentina, que pode chegar a 10% no primeiro e 4% no país vizinho. A indústria segue comprando somente diante de alguma necessidade ou oportunidade, ao passo que se ressente de dificuldades para repassar o custo da matéria-prima ao varejo. Por sinal, na última semana é registrada uma leve retração nos preços de comercialização do fardo do arroz beneficiado e estabilidade na saca de 60kg. O mercado de derivados segue firme. Em Santa Catarina as cotações do arroz não se alteraram nas últimas semanas, mas no Mato Grosso a comercialização da safra já praticamente concluída trouxe a elevação dos preços ao produtor. Os preços saltaram de uma média de R$ 26,00 para R$ 28,00 a R$ 29,00 por saca de 60 quilos, com referência para a variedade AN Cambará, com 55% acima de inteiros.

MERCADO

A Corretora Mercado, de Porto Alegre (RS), manteve os preços médios da semana passada, de R$ 48,50 para o arroz beneficiado em sacas de 60 quilos, sem ICMS. Já o arroz gaúcho, em casca, registrou queda de R$ 0,30 por saca, passando para R$ 23,20. Estável, segue o preço da saca de 60kg de canjicão, cotada a R$ 33,50, e a tonelada do farelo de arroz, que manteve preços médios de R$ 270,00 (FOB/RS). A quirera, também em saca de 60 quilos, é negociada a R$ 31,50, valor mantido desde agosto. Os analistas que apostavam em uma retomada da elevação de preços do arroz em casca em setembro, já estão revendo seus conceitos.

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Planeta Arroz

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