Arroz: Preços mundiais firmes e incertezas na oferta futura

Publicado em 14/09/2011 14:55 364 exibições
Em agosto, os preços mundiais se revalorizaram novamente, devido às incertezas que existem sobre a oferta futura de exportação, especialmente na Índia. A nova política de preços internos na Tailândia também tende a pesar fortemente sobre os preços mundiais
Tendências do mercado

Em agosto, os preços mundiais se revalorizaram novamente, devido às incertezas que existem sobre a oferta futura de exportação, especialmente na Índia. A nova política de preços internos na Tailândia também tende a pesar fortemente sobre os preços mundiais. Além disso, estas medidas poderiam ser aplicadas antes do previsto. Frente às perspectivas de forte revalorização dos preços tailandeses, os importadores buscam outros fornecedores, provocando assim altas de preços em todos os mercados, inclusive no Ocidente.

O retorno da India no mercado de exportação de arroz não aromáticos acontece paulatinamente. A oferta de exportação indiana pode ser menor que a prevista.

Em agosto, o índice OSIRIZ/InfoArroz (IPO) subiu 16,6 pontos para 260,8 pontos (base 100 = janeiro 2000) contra 244,2 pontos em julho. No início de setembro, o índice IPO marcava 272 pontos.

Produção e comércio mundiais

Segundo a FAO, a produção mundial em 2010 alcançou volume recorde de 700 milhões de toneladas (467Mt base arroz branco), contra 684Mt de arroz em casca em 2009, aumento de 2,4%. As colheitas têm melhorado em quase todas as regiões arrozeiras do mundo, graças a expansão das áreas de cultivo, que alcançariam cerca de 162 milhões de hectares. Este aumento ocorrerá sobretudo nas regiões asiáticas, especialmente na China, India, Indonésia e Bangladesh, principais produtores mundiais, com um terço da produção mundial.

As projeções para a temporada 2011/2012 indicam novo incremento da produção para 717Mt (479
Mt base arroz branco), alta de 2,5%. As boas condições no hemisfério Sul tendem a confirmar estas previsões.

Em 2010/11, o comércio mundial subiu 6% para 33,2Mt contra 31,4Mt em 2009/10. Em 2011/12, os fluxos comerciais devem se manter relativamente estáveis em 33,3Mt. As disponibilidades
exportáveis dos principais exportadores devem continuar amplamente suficientes para atender a demanda mundial.

Os estoques mundiais de arroz no final de 2010 aumentaram 4,6% para 132,3Mt contra 126,5Mt em 2009. Estas reservas representam 30% das necessidades mundiais. Em 2011, as projeções de estoques mundiais indicam um novo incremento para 137,3Mt. Para 2012, as primeiras estimações marcam 145Mt.

Mercado de exportação

Na Tailândia, os preços subiram 6% em agosto, estimulados pela nova política de preços internos que deve entrar em vigor já em outubro, com um mês de antecipação. A revalorização prevista para o preço do arroz em casca para US$ 500/t pode elevar mecanicamente os preços de exportação para US$ 850/t Fob, tornando as exportações tailandesas inviáveis frente aos competidores asiáticos. O governo deverá então reduzir as taxas de exportação, ao invés de conceder subsidios diretos às exportações. As incertezas persistem também sobre às quantidades de arroz que o governo
comprará e às disponibilidades futuras dos estoques públicos, que provavelmente terão forte aumento.

Em agosto, o Tai 100%B registrou US$ 582/t Fob contra US$ 549 em julho. O Tai Parbolizado subiu para US$ 579/t contra US$ 545 em julho. O quebrado A1 Super aumentou para US$ 473/t contra US$ 438/t em julho.

No Vietnã, os preços de exportação subiram fortemente devido ao novo interesse por parte dos importadores. Rumores sobre grandes vendas para a Indonésia e Malásia têm circulado. No entanto, eles têm sido em parte desmentidos pelas autoridades vietnamitas, que buscam dar confiança a respeito da capacidade de abastecimento do mercado interno. As perspectivas de exportação para 2011 têm sido novamente revisadas e podem alcançar um nível recorde de 8Mt contra 6,9Mt em 2010.

Em agosto, o Viet 5% foi cotado a US$ 544/t contra US$ 504/t em julho. O Viet 25% também subiu a US$ 484/t contra US$ 446 anteriormente. No início de setembro, os preços tendiam a baixar por falta de novas demandas.

No Paquistão, os preços tiveram altas moderadas em relação aos competidores asiáticos. As inundações que afetaram fortemente o país em 2010 prejudicaram parte das infraestruturas de armazenamento e a qualidade do arroz pode ser afetada, o que pode limitar as altas dos preços de
exportação. Para a temporada 2011/2012, as vendas externas podem ultrapassar o volume recorde de 4Mt. O Pak 25% foi cotado a US$ 460/t contra US$ 451/t em julho.

Na India, as autoridades podem liberar cerca de 2Mt suplementares de arroz não aromático para exportação. Mas por enquanto estas medidas não devem impactar os preços mundiais. De fato, não são esperadas vendas massivas por causa de problemas logísticos para levar o arroz até os portos
de embarque. Ademais, há uma certa confusão sobre as exportações efetivas realizadas até hoje. Os operadores nacionais esperam, nas próximas semanas, conhecer um pouco mais sobre as intenções do governo federal.

Nos Estados Unidos, os preços de exportação têm acompanhado as altas nos mercados asiáticos. A nova colheita já está quase finalizada. As más condições climáticas que atingiram as principais regiões produtoras ao sul do país devem impactar os rendimentos industriais e a qualidade dos
grãos. Na Bolsa de Chicago, os preços futuros tiveram novo aumento de 10% em um mês. As perspectivas de exportação não são muito positivas por causa da oferta escassa e dos preços menos competitivos. Em agosto, o preço indicativo do arroz Long Grain 2/4 marcou US$ 619/t contra US$ 568 em julho. No início de setembro, este marcava ao redor de US$ 640/t.

No Mercosul, os preços de exportação subiram quase 10% em um mês graças a um mercado de exportação relativamente ativo, sobretudo no Uruguai. No Brasil, os preços internos subiram em média 8% em relação a julho. Apesar desta revalorização, os preços sulamericanos se
mantêm bastante competitivos.

Na África, a produção arrozeira em 2011 aumentou 2,5%, especialmente na Guiné, Mali e Nigéria. Com este aumento, as importações devem aumentar apenas 1,5% em 2011, contra 3% no ano anterior.

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Fonte:
Planeta Arroz

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