Cotações do arroz estabilizam com liberação de custeio e apoio oficial

Publicado em 22/09/2011 09:09 293 exibições
Liberação de leilões de arroz para ração animal, antecipação dos contratos de opção e primeira leva de custeio na mão do produtor reduzem a pressão baixista no Sul
Um conjunto de boas notícias para o mercado do arroz reduziu a pressão baixista no Rio Grande do Sul. Embora os preços referenciais do arroz em casca ainda apresentem queda com relação às cotações de agosto do Indicador do Arroz Esalq/Bolsa Brasileira de Mercadorias-BM&FBovespa, houve uma pequena recuperação na última semana, depois que em 14 dias setembro praticamente anulou a alta das cotações verificada em agosto, de 2,1%.

Na terça-feira, 20 de setembro, feriado do Dia do Gaúcho no Rio Grande do Sul, o Indicador do Arroz Esalq/Bolsa Brasileira de Mercadorias-BM&FBovespa para a saca de 50 quilos do arroz em casca (58x10) ficou em R$ 23,03, acumulando queda de 1,54% no mês e equivalendo-se, em dólar, a US$ 12,98. Na semana atual o preço se mantém estável, depois de uma recuperação na semana anterior, quando a cotação ficou próxima de R$ 22,90.

Este comportamento está diretamente associado a alguns fatores: a intensificação dos leilões de mecanismos de comercialização do governo, a autorização para o início dos leilões de venda de arroz para ração animal, a antecipação dos vencimentos dos contratos de opção, os bons resultados da exportação, a desvalorização do real frente ao dólar da última semana e, também, o início da liberação dos recursos de custeio no Rio Grande do Sul geraram um “ambiente” mais promissor.

A manutenção dos volumes importados e a alta dos preços internacionais, ainda refletindo agosto, colaboram neste sentido, como pano de fundo. Preocupa o cenário internacional a volta da Índia, com oferta de 2,5 milhões de toneladas de arroz.

Com a estabilidade esta semana e a leve recuperação dos preços na semana passada, é fraca a movimentação comercial de arroz em casca no Rio Grande do Sul, com os produtores pouco ofertando – principalmente com a entrada dos primeiros custeios – e a indústria também buscando só o volume muito necessário (principalmente as pequenas e médias) e de parceiros/fornecedores tradicionais ou mediante condição mais vantajosa. Sendo assim, a saca de arroz de 50 quilos (58x10) foi negociada, em média, entre R$ 22,50 e R$ 23,00 na maioria das praças. Exceto as variedades nobres (64x6) comercializadas na faixa de R$ 24,50 no Litoral Norte gaúcho e a R$ 23,50 em São Borja (60x8).

Em Santa Catarina os preços se mantiveram nos patamares médios de R$ 22,00 no Sul e R$ 22,25 em Turvo e R$ 21,00 em Jaraguá do Sul. Com baixa participação nos mecanismos de comercialização, até por concentrar pequenos e miniprodutores, com um quadro de oferta e demanda mais ajustado, o Estado vem enfrentando mais dificuldades para recuperar os preços, o que pode afetar a safra. No Mato grosso os preços marcaram uma semana de leve reação, com referencial de R$ 29,00 para a saca de 60 quilos (55% acima) da AN Cambará.

SAFRA

Com a liberação dos recursos e pouco mais de uma semana de clima quente e seco, intensificaram-se as operações de preparo de solo (na Depressão Central e Zona Sul) e de semeadura (na Campanha e Fronteira Oeste) da safra gaúcha. Por limitação de água, clima e fatores econômicos, o setor trabalha com uma expectativa de redução de área plantada e produtividade. Em Santa Catarina, o limitante será a descapitalização dos produtores, que pode afetar também no rendimento por área. No Mato Grosso fala-se em redução da área plantada, mas não em níveis significativos. Neste caso, a liquidez da soja e do milho são concorrentes da safra de arroz.

O levantamento da Conab divulgado no último dia 9 deu números finais à safra brasileira de arroz, totalizando a produção de 13.613,09 mil toneladas. Foi 16,7% maior que a passada, em decorrência de uma produtividade média maior em 14,4% e ampliação de 2% da área.

O Rio Grande do Sul plantou 1.171,6 mil hectares e produziu 8,9 milhões de toneladas, segundo a Conab. Isso representa mais de 65% da safra nacional. Para 2011/12, os analistas trabalham com a expectativa de uma área próxima de 1,1 milhão de hectares e produção de 8 milhões de toneladas, inicialmente. Variáveis como o clima, o nível de tecnologia aplicado e, principalmente, os recursos disponíveis e a rentabilidade da cultura, deverão influenciar o comportamento da safra para menor ou maior, afetando a produtividade.

O quadro de oferta e demanda da Conab foi alterado para o presente ano comercial, com as importações subindo de 500 para 600 mil toneladas, as exportações mantidas em 1,3 milhão t e um estoque de passagem de 1,79 milhão de toneladas.

EXPORTAÇÕES

Em seu relatório semanal do mercado de arroz, o analista Tiago Sarmento Barata, da Agrotendências Consultoria em Agronegócios ( www.agrotendencias.com.br ) destaca que o Brasil poderá alcançar 3% do mercado mundial com suas exportações no presente ano comercial, pois em agosto foram exportadas 176,5 mil toneladas (em base casca). No primeiro semestre do ano comercial, o Brasil exportou 870 mil toneladas, volume superior ao exportado no ano passado inteiro. O Continente Africano segue sendo o principal destino do cereal brasileiro, mas aumentaram as participações da Europa, América Central e Oriente Médio, segundo Barata.

Ele destaca ainda a mudança do perfil das exportações, que no passado chegavam a 65% de grãos quebrados de arroz, mas no atual ano comercial não passam de 25,3%, enquanto os embarques de produto beneficiado chegam 60,3%. A novidade em agosto foi a compra, pela Turquia, de arroz em casca do Brasil. Até agosto o Brasil já importou 389,7 mil toneladas de arroz, em quase sua totalidade do Mercosul. Ou seja, em seis meses, a balança comercial brasileira tem um superávit de 480,5 mil toneladas. O analista Tiago Sarmento Barata alerta que, a exceção do ano comercial 2008/9, quando foi registrado um superávit de 200 mil toneladas, o Brasil só registrou déficits em sua balança comercial do arroz.

MERCADO

A Corretora Mercado, de Porto Alegre (RS), manteve os preços médios da semana passada, de R$ 48,50 para o arroz beneficiado em sacas de 60 quilos, sem ICMS. A saca de arroz gaúcho, em casca, teve o mesmo comportamento, em R$ 23,20. Estável, também segue o preço da saca de 60kg de canjicão, cotada a R$ 33,50, e a tonelada do farelo de arroz, que manteve preços médios de R$ 270,00 (FOB/RS). A quirera, também em saca de 60 quilos, é negociada a R$ 31,50, valor mantido desde agosto. Os analistas acreditam que o novo cenário indique leve alta nos preços médios do arroz nos últimos 10 dias de setembro, mas não arriscam dizer se o mês, ainda no negativo segundo as cotações do Cepea/Esalq, fechará com indicador positivo.

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Planeta Arroz

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