Mandioca: Produção de raiz volta a aumentar e preços têm fortes quedas

Publicado em 02/07/2014 09:49 1002 exibições

A oferta de mandioca para as fecularias e farinheiras do Centro-Sul teve forte recuperação no primeiro semestre deste ano. Segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, a indústria de fécula processou 14,5% a mais que no mesmo período do ano passado, superando 1,15 milhão de toneladas de raízes – o maior volume para um semestre desde 2011. Em relação ao segundo semestre de 2013, a elevação foi de 22%.

A maior disponibilidade de mandioca reflete o aumento da produção dessa matéria-prima. De acordo dom o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), devem ser produzidas neste ano 23,3 milhões de toneladas, avanço de 10% em relação a 2013. O crescimento mais expressivo, de 25,3%, deve ocorrer no Nordeste – a produção de mandioca nos polos farinheiros já foi retomada. No Centro-Oeste e Sul, onde está grande parte da indústria de fécula, a produção deve ser ampliada em 8,6% e 6,1%, respectivamente.

Por outro lado, a demanda industrial recuou em boa parte do semestre diante da falta de interesse pela formação de estoques. Assim, os preços da mandioca tiveram quedas expressivas no período, após terem atingido, em dezembro/13, o recorde da série histórica do Cepea, iniciada em 2002. Até a última semana de junho, o preço médio nominal a prazo da tonelada de mandioca havia baixado 57,3%, a R$ 243,09 – considerando-se todas as regiões pesquisadas pelo Cepea. Em relação às médias mensais, a desvalorização da raiz foi de 57,5% entre dez/13 e jun/14. Mesmo assim, os preços no primeiro semestre de 2014 estiveram acima da média nos últimos dois anos.

A colheita também está adiantada no Centro-Sul do País. Especificamente no Paraná, até 23 de junho, 47% da área cultivada já havia sido colhida, 19 pontos percentuais acima do registrado em igual período de 2013, e o maior número da série que tem início na safra 2006/2007 – dados do Deral/Seab.

Em parte das regiões acompanhadas pelo Cepea, a disponibilidade de mandioca com mais de um ciclo já é pequena. Tal cenário pode favorecer o produtor, pois sinaliza crescimento menos intenso da oferta para os próximos meses, o que poderia limitar novas quedas de preços.

Pesquisadores do Cepea destacam que, apesar dos valores recuando e dos maiores custos de produção da safra 2014/2015, por conta do encarecimento dos arrendamentos e da mão de obra, ainda há otimismo em relação à cultura. Segundo levantamento feito com colaboradores, a área a ser cultivada neste semestre deve ser ampliada em 6,4% nas regiões pesquisadas.

FÉCULA - O ritmo de processamento firme nas fecularias e o aumento no rendimento industrial elevaram em 16,4% a produção de fécula de mandioca nos primeiros seis meses de 2014, frente ao mesmo período do ano passado. Além disso, as importações do derivado também tiveram aumento significativo. Dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior) indicam que até maio foram adquiridas 23,3 mil toneladas de fécula, volume 48,2% maior que o total de 2013 – contexto que justifica o desestímulo de compradores por formar estoque nos últimos meses.

Assim, houve forte recuperação dos estoques na indústria e os preços do derivado recuaram. Do final de dezembro/13 ao final de junho/14, o valor médio da tonelada de fécula baixou 49%.

Porém, com a possibilidade de oferta de mandioca mais moderada que a atual no segundo semestre, a produção do derivado também deve arrefecer. Além disso, as importações estão menos viáveis, devido principalmente ao aumento nos preços internacionais. Assim, os armazéns das fecularias podem ter apenas parte de sua capacidade ocupada neste segundo semestre.

Ao mesmo tempo, nesta virada de junho para julho, a demanda por fécula se aqueceu, com maior interesse por parte de alguns segmentos, como o de papel e papelão e o de embalagens.

FARINHA - Em relação ao mercado de farinha, a liquidez se manteve baixa nos primeiros seis meses do ano e as cotações, em queda. Segundo pesquisadores do Cepea, em 2012 e início de 2013, com a escassez de matéria-prima do Nordeste, compradores da região intensificaram as compras de farinha no Centro-Sul, formando estoques. A partir de então, as áreas produtoras de mandioca do Nordeste se recuperaram e as negociações com as demais regiões se retraíram.

Dessa forma, parte das farinheiras, principalmente do Paraná, acumularam estoques acima da média e, posteriormente, reduziram o ritmo de processamento a fim de evitar maiores pressões sobre os valores do produto, que já vinham recuando fortemente.

O preço médio a prazo (FOB farinheira) da farinha de mandioca branca crua/fina tipo 1 foi de R$ 120,17/sc de 50 kg em dezembro/13 para R$ 58,68/sc em junho/14, retração de 51%. Em igual período, a média da farinha de mandioca branca crua/grossa foi para R$ 46,18/sc de 40 kg, queda de 52% - média de todas as praças pesquisadas pelo Cepea.

Nesta virada de mês, as negociações de farinha ainda estão desaquecidas. Parte dos estados nordestinos segue abastecida por fornecedores locais, havendo menor interesse pelo produto do Centro-Sul.

 

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Cepea

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