Mandioca: Produção de fécula ultrapassa 750 mil t em 2015

Publicado em 24/05/2016 12:38
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A produção brasileira de fécula de mandioca cresceu 17% em 2015 e ultrapassou 750 mil toneladas, a maior dos últimos 25 anos, segundo indicam pesquisas do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, em parceria com a Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca (Abam). Entre 2014 e 2015, a quantidade de mandioca processada cresceu 9,6%, totalizando 2,55 milhões de toneladas. Esse levantamento é realizado pelo Cepea desde 2004.

No Paraná, a produção de fécula cresceu 15,5% entre 2014 e 2015, alcançando 520,07 mil toneladas (68,8% do total do Brasil), conforme pesquisas do Cepea em parceria com a Abam. O noroeste do estado continuou sendo o principal produtor no ano, com 40,6% do total nacional. O crescimento mais expressivo – de 38,8% – foi observado em Mato Grosso do Sul, onde 184,94 mil toneladas de féculas foram produzidas no ano passado, representando 24,5% do total nacional. Já no estado de São Paulo, representado pela região de Assis, a produção caiu 17,8% no período, totalizando 43,41 mil toneladas. Por fim, Bahia e Santa Catarina representaram respectivos 0,6% e 0,3% do total nacional. 

O valor médio da raiz de mandioca foi de R$ 168,98/tonelada (R$ 0,2939 por grama de amido) em 2015, queda de 41% frente ao de 2014, em termos nominais. Na mesma comparação, o preço médio da fécula caiu 31,2%, indo para R$ 1.169,65/t (R$ 44,66 por saca de 25 kg) no ano passado. A média anual nominal a prazo para a tonelada de mandioca em 2015 foi de R$ 168,98 (R$ 0,2939 por grama de amido), desvalorização de 41% frente ao preço médio de 2014. No mesmo período, o preço médio anual da fécula baixou 31,2%, ficando em R$ 1.169,65 por tonelada (R$ 44,66 por saca de 25 kg). Em 2015, a média anual para a raiz de mandioca teve mais desvalorização que os da fécula e, como resultado, a relação entre o preço médio dos dois produtos aumentou 16,6% e a média do ano em 6,41. Este foi o melhor resultado desde 2006, de acordo com cálculos do Cepea. 

No mercado de amidos, apesar do fraco desempenho da economia nacional, os elevados patamares de preços do amido de milho sustentaram as vendas de fécula para alguns setores industriais. Ainda assim, segundo dados do Cepea, o consumo de fécula no Brasil foi de 739,53 mil toneladas, inferior ao total produzido.

As vendas de fécula para os segmentos de massas, biscoito e panificação cresceram 17,9% no ano passado. Mesmo representando comercialização de 19,1% da produção nacional, as vendas de fécula ao segmento atacadista caiu 10,3%. À indústria de papel e papelão, as vendas diminuíram 12,3%, representando 16,5%. As negociações entre fecularias cresceram 51,2% entre 2014 e 2015 (correspondendo a 12,4% das vendas totais), superando a quantidade vendida aos frigoríficos, de 12,3%. 

Para o segmento de tapioca semi-pronta, as fecularias comercializaram 5,8% do total produzido em 2015. Com poucas empresas atuando no mercado, o segmento varejista representou apenas 3,6% das vendas totais no período. As indústrias química, têxtil e exportação representaram respectivos 2,7%, 1,9% e 0,3% das vendas das fecularias.

PERSPECTIVAS – A área de mandioca a ser colhida no Brasil em 2016 deve ser de 1,5 milhão de hectares, ligeiro acréscimo de 0,7% frente a 2015, de acordo com o IBGE. A estimativa é que a produtividade recue 0,9%, com a produção totalizando 22,7 milhões de toneladas. Agentes da indústria de fécula consultadas pelo Cepea também têm expectativa de menor oferta de matéria-prima no segundo semestre. Por isso, muitos intensificaram o processamento nos primeiros meses deste ano. No primeiro trimestre, foram processadas 666,65 mil toneladas na indústria brasileira de fécula, o maior volume para o período de toda a série histórica do Cepea, iniciada em 2006. Ainda que os preços da mandioca em 2016 superem os de anos anteriores, haverá pouco efeito sobre a área a ser plantada, já que parte dos agricultores está descapitalizada. Além disso, os custos de produção também são um dos maiores já vistos, principalmente com os arrendamentos. 

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Fonte: Cepea

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