Portaria do vazio sanitário do maracujazeiro será assinada dia 12 de março, em Sombrio

Publicado em 10/03/2020 12:26 e atualizado em 10/03/2020 16:42

No dia 12 de março a Epagri realiza em Sombrio dia de campo sobre maracujazeiro-azedo. Além de informar agricultores da região sobre tecnologias para produção da fruta, o evento, que inicia às 9h, vai servir para assinatura da portaria que estabelece o vazio sanitário para a cultura em Santa Catarina, uma medida fundamental para manutenção da sanidade dos pomares com garantia de alta produtividade.

Santa Catarina é reconhecida por produzir o melhor maracujá do Brasil, título relacionado às características da fruta, como tamanho, formato e preenchimento de polpa. Contudo, nos últimos anos, os pomares catarinenses sofreram com a virose do endurecimento do fruto. 

Virose

Essa doença é disseminada pelo pulgão, um inseto comum nas lavouras do Brasil. Nos seus voos entre um maracujazeiro e outro, ele pode disseminar rapidamente o vírus que, como o próprio nome diz, faz com que o pomar produza frutas mais duras, com menos polpa. Também provoca uma importante queda de produtividade.

Em 2016 a doença foi detectada nos pomares do Sul de Santa Catarina, a principal região produtora do Estado. Uma ação rápida da Epagri, em conjunto com os outros atores dessa cadeia produtiva, resultou no convívio com a doença, sem perda de qualidade das frutas. Para tanto, é preciso que sejam observadas recomendações técnicas que visam preservar todos os pomares da região.

Uma dessas recomendações é o vazio sanitário. De acordo com a portaria a ser assinada na quinta-feira, entre os dias 1 e 31 de julho de cada ano não poderá existir nenhum pomar comercial de maracujá em Santa Catarina. “Todas as lavouras comerciais de maracujá devem ser derrubadas até 30 de junho. A partir de 1 de julho não pode haver nenhuma planta em produção nos pomares”, explica Diego Adilio da Silva, extensionista da Gerência Regional da Epagri em Criciúma.

A fiscalização do cumprimento do vazio sanitário ficará a cargo da Cidasc. Quem descumprir a portaria ficará sujeito a sanções. A partir do dia 1 de agosto os maracujazeiros podem voltar a ser cultivados no Estado de forma comercial. A portaria já vale para a safra 2020/2021.

Antes da chegada da virose, cerca de 50% da área plantada com maracujá no Sul do Estado mantinha as plantas produzindo por dois anos. Porém, com a renovação anual dos pomares, se retiram do campo todos os maracujazeiros, substituídos por mudas isentas do vírus, produzidas em abrigos telados.

Produtividade

Além da assinatura da portaria, o dia de campo vai trazer informações preciosas para a boa condução dos maracujazeiros no Estado. Serão três estações que estarão orientando sobre manejo da mosca do botão floral, conservação do solo e manejo nutricional da planta, e ambiente e aspectos técnicos para produção de mudas avançadas.

A participação no dia de campo é gratuita e não necessita de inscrições. Basta o interessado comparecer no dia e horário marcados para o evento. Quem preferir, pode se inscrever no escritório da Epagri em seu município.

Os cultivos catarinenses de maracujá têm produtividade de cerca de 20 a 22 toneladas por hectare, maior que a média nacional, que fica entre 12 a 14 toneladas por hectare. Mesmo sem as condições climáticas ideais para produção, Santa Catarina é o terceiro maior produtor de maracujá do Brasil, ficando atrás apenas da Bahia e do Ceará. Os municípios catarinenses de São João do Sul e Sombrio estão entre os dez maiores produtores do País, sendo os únicos da lista fora das regiões Nordeste e Norte. Tamanha produtividade se deve, entre outros motivos, à forte adesão dos produtores às tecnologias criadas e difundidas pela Epagri.

Fonte: Epagri

NOTÍCIAS RELACIONADAS

O papel social da cacauicultura
Produtor de cacau possui dificuldade em encontrar equilíbrio financeiro sem produtividade
Greening registra menor avanço em nove anos e SP mantém força-tarefa contra a doença
Cacau recua em Londres após atingir máxima de um ano
Indústria paraense apoia cultivo de cacau em cinturão citrícola paulista
IFPA Brasil consolida protagonismo do setor de frutas, flores, legumes e verduras na América Latina