Noz-pecã brasileira ganha espaço no maior mercado mundial do fruto

Publicado em 28/02/2024 10:36
Responsável pela operação, Divinut, de Cachoeira do Sul (RS), também exporta nozes-pecãs descascadas para Canadá, Arábia Saudita, Espanha, Israel, Itália e Egito

Do Porto Rio Grande, no Rio Grande do Sul, para Montreal no Canadá e Estados Unidos, essa é a rota das 24 toneladas de noz-pecã descascadas que foram comercializadas pela Divinut - uma das maiores processadoras e exportadoras do Hemisfério Sul de noz-pecã. Esta é a primeira exportação da empresa para esses países, o que deve abrir ainda mais as portas no mercado norte-americano para a noz-pecã brasileira. “Essa operação pode ser considerada um marco na história da noz-pecã brasileira, já que é uma fruta nativa dos Estados Unidos. Para que isso fosse possível, foi necessário o registro no FDA (Food and Drug Administration) tipo uma ANVISA deles, que rege toda a comercialização de alimentos e medicamentos no país, então nós já temos esse registro e nos oportuniza vender direto no futuro para o mercado americano, além dessa exportação que já foi efetivada”, explica Edson Ortiz, diretor presidente da Divinut.

Presente no Brasil desde 1870, a noz-pecã foi trazida por imigrantes americanos para o interior de São Paulo, mas encontrou no Rio Grande do Sul a expansão para o seu plantio. Com o consumo mundial cada vez maior de frutas secas, a noz-pecã também ganhou espaço no Brasil, atingindo cerca de sete mil toneladas, o que coloca o país como o quarto maior produtor mundial da fruta.O Rio Grande do Sul sozinho responde por 80% da produção nacional do fruto.

E, neste cenário, a Divinut está localizada em Cachoeira do Sul, no Rio Grande do Sul, município gaúcho que concentra a maior área plantada da América do Sul com mais de 1,2 mil hectares de noz-pecã. "Estamos num patamar de atender qualquer empresa do mundo em termos de exigência, isso nos traz a sensação de realização ao estarmos chegando no 'top do mundo' em termos de ferramenta de qualidade e exigência. E, ao mesmo tempo, ter a nossa noz-pecã brasileira nos Estados Unidos é algo icônico por ser o berço da noz-pecã. Então para nós é uma alegria, uma satisfação e ao mesmo tempo é um desafio que a gente consiga continuar implantando toda a estrutura de controles e sistemas de qualidade que esse nível de empresa exige”, explica Ortiz. 

Segundo Ortiz, a empresa tem implantado diversos sistemas e ferramentas de gestão de qualidade, como um sistema para analisar todo o processo de produção de alimentos que podem trazer riscos para a saúde humana, o mesmo aplicado pela NASA na comida enviada para os astronautas no espaço. "Um dos sistemas internacionais que rege toda a comercialização de alto padrão no mundo com visão sobre a mão de obra, segurança, rastreabilidade, documentos exigidos específicos para essa a exportação", disse Ortiz.

A empresa, com 23 anos de tradição, embarcou em novembro de 2023 o primeiro lote com 19 toneladas de noz-pecã descascadas para a Arábia Saudita e já exporta para outros países como a Espanha que é o maior comprador, Israel, Itália e Egito.

Gulfood 2024, em Dubai

A Divinut terá representante na feira de alimentos Gulfood 2024, em Dubai. E, estará presente, através do seu diretor presidente, Edson Ortiz, no 41º Congresso Mundial de Nozes e Frutos Secos, o principal evento do setor que acontece em Vancouver, no Canadá, de 8 a 10 de maio deste ano.

"Estamos com perspectivas de aumentar a exportação para a Índia também, devemos atender os Emirados Árabes, Alemanha e inclusive a Rússia. Para os mercados que estamos abrindo deve existir parceria de continuidade, porém, o que pode limitar talvez seja a falta de matéria prima", destacou Ortiz.

Safra 2024

Segundo Edson Ortiz, diretor presidente da Divinut, a expectativa para a safra 2023/2024 não é das melhores, porque em anos de El Niño, coincide a chuva na florada e com isso a polinização fica insuficiente, e, com o excesso de chuva a Barton, que é a principal variedade de noz-pecã brasileira, deve apresentar uma redução na produtividade.

As demais variedades devem sofrer queda também, pois, logo após as chuvas intensas, a principal região produtora sofreu com a estiagem, o que atrapalhou um pouco o desenvolvimento do fruto, causando doenças devido à umidade e calor intenso. "Porém, mesmo com esse cenário, os frutos dessa safra devem ser maiores do que a anterior e, outro fator importante, é que possivelmente teremos a colheita com o tempo mais seco, com a previsão de La Niña, o que colabora com a parte operacional e qualidade do fruto. É um desafio sempre, quase certamente teremos cliente querendo, potencial para processamento, mas não a quantidade de matéria-prima suficiente", enfatiza Ortiz.

Fonte: Divinut

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Produtor de cacau possui dificuldade em encontrar equilíbrio financeiro sem produtividade
Greening registra menor avanço em nove anos e SP mantém força-tarefa contra a doença
Cacau recua em Londres após atingir máxima de um ano
Indústria paraense apoia cultivo de cacau em cinturão citrícola paulista
IFPA Brasil consolida protagonismo do setor de frutas, flores, legumes e verduras na América Latina
Preço de legumes cai até 30% em julho e favorecem busca por alimentação saudável