Melancia/Cepea: Fim de safra no RS com custos altos, preços baixos e margens retraídas
A campanha de melancia no Rio Grande do Sul foi encerrada neste mês, marcada por resultados menores do que o esperado. De modo geral, o final do ano passado foi de chuvas acima da média em Encruzilhada do Sul e Arroio dos Ratos. Por conta disso, muitas áreas que estavam em processo de desenvolvimento, com as primeiras colheitas programadas para dezembro, precisaram ser replantadas. Dessa forma, a produtividade inicial na região ficou abaixo do esperado, o que somada ao aumento dos custos de produção, também limitou margens, mesmo que tenham se mantido no azul. Além disso, o elevado volume de chuvas e termômetros mais altos aumentaram casos de antracnose em campo, limitando a qualidade da fruta, sobretudo em comparação com as melancias de outras regiões, como as de Teixeira de Freitas (BA). No entanto, à medida que a safra gaúcha avançou, melhores condições climáticas foram registradas, principalmente em Bagé, onde o preparo das áreas e colheita ocorrem mais tardiamente e foram menos impactadas pelo excesso de chuvas. Apesar disso e com leve aumento de produtividade entre janeiro e março frente a dezembro do ano passado, os resultados nos últimos meses de safra foram insuficientes para garantir margens robustas aos produtores. Sendo assim, a temporada 2025/26 se encerrou com produtividade média de 34 t/ha (dezembro a março, resultado 21% inferior ao da safra anterior. Em termos de custos, a necessidade de replantios e aumento dos valores de diesel, fertilizantes e produtos fitossanitários gerou alta de 30% dos custos de produção na temporada frente à anterior. Assim, em um cenário de preços de negociação 29% inferiores aos da safra passada e frente à menor qualidade das melancias, às margens dos melanciculores gaúchos foi de R$ 0,34 /kg no período de dezembro a março, forte recuo de 61% frente à temporada anterior e o menor resultado aos produtores do estado nos últimos cinco anos. Dessa forma, por mais que os preparativos para a temporada 2026/27 ainda estejam longe de se iniciar, as margens mais apertadas registradas deverão impactar diretamente na capacidade de investimentos futuros.