Uva/Cepea: Safrinha deve encerrar positiva em Louveira/Indaiatuba; demanda segue como ponto de atenção

Publicado em 25/06/2026 14:42

Após o início da colheita com preços médios abaixo do esperado pelos viticultores da região de Louveira/Indaiatuba (SP), a safrinha da niagara – principal variedade cultivada – deve se encerrar com resultado positivo. Pela parcial (de março a 24/junho), o preço médio da uva niagara deve fechar acima do custo de produção. O valor médio no período foi de R$ 7,20/kg a camada para granel, alta de 7% frente ao mesmo intervalo do ano anterior e 51% superior ao custo estimado pelo Hortifrúti/Cepea, assegurando rentabilidade positiva ao setor.

O resultado, contudo, não foi uniforme ao longo da safrinha. O ciclo mais longo da safra anterior atrasou as podas e deslocou o calendário da temporã, reduzindo o volume disponível regionalmente e dificultando o atendimento aos pedidos. Na sequência, entre o fim de abril e meados de maio, produtores da região enfrentaram entraves tanto de oferta quanto de qualidade. Nesse intervalo, problemas fitossanitários — como a glomerella — comprometeram o rendimento e a aceitação das frutas, pressionando as cotações. As chuvas registradas no final de abril agravaram o quadro, provocando rachaduras e irregularidades nos cachos próximos à colheita, o que restringiu ainda mais a oferta dentro do padrão exigido pelo mercado. Com o avanço da temporada e a normalização gradual do volume a partir de meados de maio, os preços foram se recuperando, culminando no resultado positivo verificado na parcial.

No campo, além da demanda enfraquecida, a escassez de mão de obra tem pressionado os produtores a reduzir as áreas podadas. Essa limitação, paradoxalmente, contribuiu para o escalonamento das podas e, consequentemente, das colheitas, mantendo a oferta controlada mesmo nos períodos de maior atividade — o que impediu uma redução ainda mais acentuada nos patamares de preços. Em relação ao manejo fitossanitário, problemas como a glomerella seguem recorrentes, porém com menor severidade, dado que os protocolos adotados têm se mostrado eficazes na contenção da doença. Por outro lado, o aumento dos custos com insumos foi expressivo no período, com elevação de quase 10% em relação ao mesmo intervalo de 2025. Neste cenário, os produtores devem concluir a colheita dos últimos talhões nas próximas semanas.

As podas de formação estão previstas para meados de agosto. Embora a confirmação de um ano de El Niño sinalize maior frequência de chuvas — especialmente no estado de São Paulo, situado em zona de transição climática —, o setor deve iniciar o próximo ciclo mais cauteloso e estruturado, por ser o principal período de comercialização. Os avanços nos protocolos de manejo, a crescente profissionalização dos produtores e a resiliência demonstrada ao longo das últimas safras devem auxiliar os produtores no planejamento estratégico para enfrentar os desafios climáticos e garantir boas margens durante a safra 26/27.

Fonte: Cepea

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