Uva/Cepea: Tarifas, qualidade e custos pressionam exportações de uva no primeiro semestre de 2026
As exportações brasileiras de uvas encerraram este primeiro semestre de 2026 com resultados inferiores aos esperados. Na parcial (jan-jun), conforme o Comex Stat, foram embarcadas 7,27 mil toneladas, recuo de aproximadamente 30% em relação ao mesmo período de 2025, com receita de US$ 19,55 milhões (FOB), 30% inferior no mesmo comparativo, cenário refletido pelas dificuldades produtivas e de qualidade que marcaram esta metade do ano. A retração no volume exportado esteve associada a fatores que se sobrepuseram ao longo do semestre. O principal destino das uvas brasileiras foi a Holanda (Países Baixos), que representou 42% do volume total embarcado, seguido pelo Reino Unido (23%), Argentina (16%) e Canadá (8%). No mercado norte-americano, a tarifa de 33% imposta às importações restringiu significativamente os embarques para os EUA, que responderam por apenas 6% do volume total exportado na parcial, recuo de 300% nos embarques para o país no comparativo.
Já os embarques de uvas brasileiras destinados à Europa sofreram forte pressão devido a problemas de qualidade de alguns lotes. Esse cenário, somado ao aumento dos custos de produção, tornou o mercado interno relativamente mais atrativo do que a exportação, levando produtores a priorizarem a comercialização doméstica e a postura de manutenção da carteira de clientes externos, sem movimentos de expansão para novos mercados no período. Para a segunda janela, as perspectivas são mais otimistas. A melhora gradual do clima está favorecendo o manejo e propiciando uma formação mais uniforme dos lotes podados, direcionados à demanda do período. Além disso, o acordo entre o Mercosul e a União Europeia deve assegurar a continuidade da entrada de bons volumes para abastecer o mercado europeu. Agentes do setor, no entanto, relataram receio quanto às remunerações, que podem diminuir diante da ausência das tarifas e da maior competitividade em relação aos demais fornecedores que embarcam a fruta nas mesmas condições e, somado a isso, a renovação varietal realizada nas regiões produtoras europeias devem ampliar os volumes comercializados localmente. Esse movimento tende a estreitar a janela de oferta e a dificultar uma disputa mais equilibrada por parte da fruta brasileira nesse mercado.