Melão/Cepea: Safra principal no Vale apresenta melhor rentabilidade, porém custos limitam margens
No Vale do São Francisco (BA/PE), a safra principal de 2026 (abril a julho) apresentou rentabilidade superior à da campanha de 2025, mesmo com problemas na produção. No início da temporada, em abril, as colheitas começaram de forma lenta, devido ao atraso de aproximadamente 21 dias no plantio, que estava previsto para fevereiro, mas foi prolongado para março em decorrência das chuvas na região entre o período. Além disso, abril também marcou o início da entressafra no Rio Grande do Norte/Ceará, cuja produção também foi prejudicada pelas chuvas durante abril e maio. Além dos problemas na qualidade da casca dos melões – que tiveram rachaduras durante esse período, dificultando a comercialização, principalmente para o Sudeste -, houve queda no potencial produtivo, com maior incidência de bactérias, podridões e bolhas d’água, exigindo mais pulverizações. Nesse contexto, a produtividade média em abril foi de 23 t/ha, o que refletiu nos preços durante o período, que atingiram o maior patamar do melão amarelo na região durante a safra, registrando R$ 2,50/kg, valor 35% maior quando comparado ao início da safra de 2025. Com as menores precipitações no Vale a partir da segunda metade de maio e junho, as lavouras foram se recuperando, porém, ainda assim, houve problemas com pragas, como a mosca minadora, e o oídio - doença fúngica -, que dificultaram a recuperação completa do potencial produtivo. A partir de maio, a oferta ganhou maior proporção, à medida em que a temporada foi ganhando ritmo, quando apresentou um rendimento médio de 27 t/ha, pressionando as cotações até junho. Já com o início da redução da oferta do Vale, em julho, os preços foram sendo elevados ao longo do mês, registrando média de R$ 1,56/kg para o melão amarelo.
Fazendo um balanço geral da safra/26, diante dos problemas mencionados com as chuvas, a média das cotações no período (abril a julho) foi 41% superior à da temporada anterior, atingindo um valor médio de R$ 1,88/kg, se alinhando com os potenciais produtivos, que por mais que tenha ocorrido a recuperação das lavouras ao longo das colheitas, ficaram entorno de 24 t/ha, 17% inferior à 2025, cenário que propiciou um menor volume na safra como um todo. Por outro lado, os custos de produção também foram acrescidos, alcançando R$ 1,37/kg durante o período da temporada, o que representa um aumento de 16% em relação ao ano anterior. Segundo colaboradores do Hortifrúti/Cepea, os custos aumentaram principalmente em função da alta dos preços dos insumos, especialmente de defensivos e de plasticultura, como o mulching, diante do conflito no Oriente Médio. Além disso, em razão das precipitações, houve maior necessidade de aplicação de defensivos e de investimentos em sementes mais resistentes às condições climáticas, elevando ainda mais os desembolsos. Portanto, mesmo com a alta dos preços, o incremento dos custos de produção limitou o avanço da rentabilidade dos produtores, que tiveram margem média de R$ 0,51/kg para o melão amarelo, 236% superior ao registrado na safra de 2025. Embora o percentual expressivo, vale destacar que o ganho médio foi bem inferior ao de safras mais rentáveis da série histórica, como 2024, quando o ganho foi de R$ 1,18/kg. Para os próximos meses, com a entressafra no Vale do São Francisco começando em meados de agosto, a área colhida deve diminuir, como já esperado para a época, favorecendo preços mais elevados. No entanto, com a campanha 2026/27 do Rio Grande do Norte/Ceará em curso, se o desempenho internacional não for satisfatório, parte das frutas pode ser redirecionada ao mercado interno, limitando os ganhos para os produtores que cultivam no período.