Área de tomate cresce 10,8% em SP, mas produtividade cai 11,5%

Publicado em 04/09/2026 09:35
Safra de inverno termina com 423 mil toneladas mesmo após avanço da área cultivada; região de Campinas concentra 11,3% da produção paulista e produtores buscam aumentar eficiência por hectare

São Paulo ampliou em 10,8% a área destinada ao tomate de mesa na safra de inverno 2025/26, mas terminou o ciclo produzindo 1,9% menos. O resultado final divulgado pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA) mostra que a produtividade recuou 11,5%, para 82,3 toneladas por hectare, expondo uma equação cada vez mais relevante para o produtor: ocupar mais terra já não significa necessariamente colocar mais tomate no mercado.

O levantamento, realizado pelo IEA em parceria com a Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI), aponta 5,1 mil hectares cultivados e produção de 423 mil toneladas de tomate envarado de inverno no estado. A Regional de Campinas responde por 11,3% desse volume, atrás apenas de Itapeva, que concentra 58,8%.

A diferença entre o crescimento da área e a queda do rendimento coloca a produtividade no centro das decisões em uma cultura importante e bastante sensível às condições ambientais. No cinturão agrícola da região de Campinas, onde estão municípios como Sumaré, Monte Mor e Mogi Guaçu, produtores precisam administrar uma combinação de custos com irrigação, fertilizantes, defensivos, mão de obra e manejo ao longo de todo o ciclo.

Para Francisco de Carvalho, gerente comercial da Hydroplan-EB, o resultado da safra chama atenção justamente porque mostra os limites de uma estratégia baseada apenas na expansão da área cultivada. “Quando temos mais hectares plantados e, ainda assim, uma produção menor, a discussão necessariamente passa pela eficiência. O produtor precisa olhar para quanto cada hectare consegue entregar e para o aproveitamento dos recursos que já estão sendo utilizados dentro da propriedade”, afirma.

No tomate, a água ocupa uma posição particularmente importante nessa conta. Oscilações na disponibilidade hídrica podem interferir no desenvolvimento das plantas, na formação dos frutos e na absorção dos nutrientes. Ao mesmo tempo, simplesmente aumentar o volume aplicado não significa necessariamente elevar a produtividade.

Em áreas de Sumaré, Monte Mor e Mogi Guaçu acompanhadas pela Hydroplan-EB, a irrigação por gotejamento já faz parte do manejo da cultura. O desafio passa a ser aumentar a eficiência da água aplicada e mantê-la disponível por mais tempo na região explorada pelas raízes. “O sistema de irrigação leva a água até a lavoura, mas existe uma segunda discussão, que é o que acontece com essa água depois da aplicação. Quanto dela permanece disponível para a planta? Quanto é efetivamente aproveitado? Quando falamos de produtividade, precisamos considerar também essas perdas”, explica Carvalho.

Entre as tecnologias utilizadas nessas áreas está o HB10 Drip, desenvolvido para aplicação diretamente na água da irrigação por gotejamento. A solução atua na retenção de água no solo e busca ampliar a disponibilidade hídrica para as plantas ao longo do ciclo.

Testes controlados e monitorados anteriormente em lavouras comerciais de tomate apontaram aumento de produtividade entre 8% e 10% nas áreas tratadas em comparação ao manejo padrão, segundo o engenheiro agrônomo Márcio Boldrin, da Biogênese.

Além do rendimento, o acompanhamento das áreas indicou plantas mais robustas, folhas maiores e menor murchamento durante períodos de calor excessivo. Segundo Boldrin, a maior retenção de água também pode favorecer o aproveitamento da adubação e reduzir perdas de nutrientes por lixiviação.

Para Francisco, tecnologias desse tipo ganham relevância à medida que o produtor passa a analisar não apenas o volume produzido, mas a relação entre recursos utilizados e resultado obtido. “Água, fertilizante, energia e mão de obra têm custo. Quando conseguimos melhorar o aproveitamento desses recursos, não estamos falando apenas de uma questão agronômica, mas econômica. O próximo avanço de produtividade pode estar muito mais em fazer melhor uso da estrutura existente do que simplesmente aumentar a área”, afirma.

Os números finais da safra paulista reforçam essa discussão. Enquanto a área avançou 10,8%, o rendimento médio caiu de um ciclo para outro e fechou em 82.324 quilos por hectare. Campinas permanece como a segunda principal regional produtora do estado.

Em uma cadeia na qual produtividade, qualidade e custos influenciam diretamente a rentabilidade da propriedade, o contraste deixa um alerta para as próximas safras: produzir mais tomate pode depender cada vez menos de ocupar novos hectares e mais de extrair eficiência de cada hectare já cultivado.

Fonte: Hydroplan-EB

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