Jaíba/MG começa a exportar banana-prata para Europa e Oriente Médio

Publicado em 28/06/2010 07:19 e atualizado em 28/06/2010 08:31 944 exibições
A banana-prata está há poucos passos de sair do Norte de Minas para ganhar o mercado internacional. Esta será a primeira vez que consumidores europeus e do Oriente Médio, acostumados com o paladar marcante da espécie nanica (caturra), vão experimentar o gosto diferenciado da fruta produzida em Minas Gerais. A partir de agosto, começa a ser desenvolvido um amplo projeto de logística para garantir que a banana, depois de cruzar o mar, chegue ao cliente no ponto ideal para o consumo. A previsão inicial é que sejam investidos US$ 300 mil em uma parceria do Banco Mundial, governo do estado e Central dos Fruticultores do Norte de Minas (Abanorte). Apesar de os estudos que irão desenvolver a tecnologia pós-colheita terem prazo estimado de 24 meses, os primeiros embarques comerciais, em contâineres marítimos climatizados, começam já em janeiro. Será também a primeira vez que um país exporta a banana-prata em grande escala.

Atualmente, a exportação mundial da fruta tropical é dominada por companhias bananeiras com sede no Equador e em países da América Central, que vendem para o mundo a banana-caturra. O Norte de Minas, com grande participação da região do Jaíba, é o maior produtor nacional da banana-prata, 100% consumida no mercado interno e será pioneiro na exportação em escala do produto "exótico".

Somente da espécie prata, são 280 mil toneladas produzidas ao ano no Norte de Minas, ou 90% da colheita da região. O crescimento em relação a 2008 foi de 40% (superior aos 16% do estado), o que demonstra potencial para atender o exigente mercado internacional. "O comércio exterior significa uma mudança de perspectiva para uma região como o Jaíba", aposta o diretor da Central Exporta Minas, Jorge Duarte de Oliveira. Segundo ele, as estratégias desenvolvidas para dar impulso à fruta nacional já foram testadas em outras espécies, como o limão-taití. Ele aponta a importância das vendas externas não só para crescer a produção, mas para regular o preço mercado interno. A caixa com 22 quilos da banana tem um preço médio de R$ 26, que chega a cair para R$ 10 nos períodos de entressafra.

Para incluir a espécie, símbolo brasileiro, no cardápio de europeus e até mesmo dos eslavos, que já aprovaram a fruta em feiras internacionais, como a Gul Food, de Dubai, no Oriente Médio, o trabalho será desenvolvido em três frentes. Jorge Oliveira explica que os mercados já começaram a ser trabalhados, demonstrando boa aceitação entre os compradores. O principal gargalo ,que é a tecnologia pós-colheita, terá a parceria da Universidade Federal de Lavras (Ufla), que deverá desenvolver a ciência do transporte. "Paralelamente, será trabalhado o protocolo de exportação para a banana."

Como explica o produtor e presidente da Abanorte, Dirceu Colares, a banana, junto com a maçã e laranja, está entre as frutas mais consumidas do mundo. "O mercado é muito competitivo, mas acreditamos que, resolvida a questão da logística, temos potencial para competir com a banana- nanica", afirma.

A princípio, a fruta terá como principal mercado bufês e restaurantes internacionais, uma vez que, depois de cortada, tem maior resistência que a concorrente. "A banana-prata será vendida como uma fruta brasileira exótica", completa o diretor da Abanorte Jorge de Souza. Ele diz que a maior parte do investimento para apresentar a banana ao mundo, seja bancado pelo Banco Mundial. "Em janeiro, já vamos conseguir fazer embarques que devem chegar em condições ótimas para o consumo."

Reginaldo Saraiva, proprietário da PJ Frutas, produz e exporta frutas na região do Jaíba. Segundo ele, a demanda em países do bloco europeu pelas espécies nacionais é crescente e deu um salto a partir de 2008. Ele exporta atualmente manga e limão – e acredita em um farto mercado para a banana-prata. "O desafio é adequar a produção aos padrões que atendam a certificação europeia." Saraiva aponta que, há três anos, não havia embarques internacionais de manga. Hoje, são 120 toneladas por semana.

Minas Gerais produziu no ano passado 620 mil toneladas de bananas, crescimento de 16% em relação a 2008, sendo que 312 mil toneladas saíram do Norte de Minas, que tem o Jaíba como maior produtor, com 85 mil toneladas/ano, duas vezes e meia o volume do ano anterior. A produção do estado é responsável por 8,6% do total nacional.

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Fonte:
Governo do Estado de MG

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