Ceará implanta cultivo de frutas de clima temperado

Publicado em 20/09/2010 07:32
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Produtores de 12 fazendas de três regiões cearenses passarão a colher maçã, cacau, pera, caqui e azeitona.
Até o fim de setembro, todas as mudas do projeto experimental de cultivo de frutas de clima temperado no Ceará estarão plantadas nos perímetros irrigados Jaguaribe-Apodi, Serra da Ibiapaba e Tabuleiro de Russas. A informação foi confirmada, esta semana, durante a realização da Frutal 2010, pelo pesquisador da Embrapa Semiárido (PE), Paulo Roberto Coelho Lopes.

Estão sendo implantados os cultivos de maçã, cacau, pera, caqui e oliveira (azeitona) em 12 fazendas privadas espalhadas nessas regiões estratégicas. O programa é uma parceria da Embrapa, Banco do Nordeste (BNB), Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece) e União dos Agronegócios do Vale do Jaguaribe (Univale).

De acordo com Paulo Roberto, a ideia original era implantar o projeto em 2009. Contudo, em virtude da ausência das mudas, não foi possível iniciar as atividades naquele ano.

"Como não temos estações experimentais instaladas aqui, surgiram produtores que se dispuseram a disponibilizar as áreas para a realização da pesquisa. Isso é bom porque, devido ao interesse dos parceiros, a gente tem condições de avançar mais rápido e apresentar mais resultados em um tempo menor", destacou o pesquisador, explicando que cada fazenda contratou um técnico agrícola e bancou o custo de alguns insumos para o início dos experimentos. Além disso, a Adece disponibilizou um profissional de agronomia para fazer o acompanhamento de todo o trabalho.

Ele descartou o experimento com a nêspera (fruta da família da pera, maçã e marmelo, também conhecida no Brasil como ameixa-amarela), em virtude da falta de rentabilidade deste tipo específico de cultivo para o produtor. "O valor comercial dela é abaixo das outras frutas de clima temperado. Para trabalhar com essas culturas, é preciso haver viabilidade econômica, uma compensação financeira para o agricultor", disse.

Paulo adiantou que ainda é muito cedo para saber os resultados desses experimentos no Ceará, apesar dos avanços identificados em outras regiões nordestinas onde já ocorreram testes. "Serão necessários, no mínimo, dois anos para isso. Porém, as primeiras experiências realizadas no Vale do São Francisco nos trazem grandes perspectivas quanto a esse tipo de cultivo no Nordeste", revelou o pesquisador, ressaltando que são necessárias mais avaliações para que a Embrapa possa recomendar a produção desses plantios para a comercialização.

Conforme o engenheiro agrônomo da Univale, Diógenes Henrique Abrantes Sarmento, que foi designado para realizar o acompanhamento da evolução do plantio das frutas temperadas, as primeiras plantações de cacau já foram feitas em Tabuleiro de Russas.

"O ciclo vegetativo desses tipos de cultivo varia entre sete e oito meses, sendo necessários, ainda, mais outros quatro meses de produção, que engloba o período entre floração e colheita", resumiu.

Para o presidente do Instituto Frutal, Euvaldo Bringel Olinda, esses experimentos não foram trazidos à toa para o Ceará, e só vêm reforçar uma tendência de introdução de novas variedades no Estado.

"Ao longo da história da Frutal, a gente tem trazido novas cultivares de melão, uva e rosas, por exemplo. A vinda das frutas temperadas não foi aleatória. Tomamos conhecimento do trabalho da Embrapa no ano passado e fizemos o convite. Eles participaram da Frutal anterior, apresentando a técnica e, neste ano, já estão implantando o experimento no Ceará". Ele lembrou que esse tipo de ação (dar novas opções de cultivo) é feita desde 1994. Um exemplo, segundo Euvaldo, é o capim forrageiro, que foi introduzido no Estado e trouxe resultados positivos de adaptação no uso para alimentar o gado. "A ideia é de se obter o máximo do clima, de forma sustentável, respeitando o meio ambiente. Como o clima a gente não pode mudar, e o solo também não, podemos adaptar a inteligência do homem para produzir na natureza. É isso que estamos conseguindo: reescrever a história do Ceará", concluiu.

De janeiro a julho

Exportação de melão sobe 34%

Foram enviados para o exterior mais de 32 mil toneladas contra 24 mil toneladas de igual período, em 2009

Fortaleza. O plantio de frutas temperadas é apenas parte de uma característica comum entre os fruticultores cearenses: a busca por inovações no setor. Essa tendência já apresenta as primeiras recompensas na produção de outras frutas, como o melão, por exemplo.

Segundo dados disponibilizados no site do Instituto Agropolos do Ceará, a exportação de melão do Estado cresceu 34% nos primeiros sete meses de 2010 em relação a similar período do ano anterior.

De janeiro a julho deste ano, conforme os indicadores do Instituto Agropolos, foram enviados para fora do País mais de 32 mil toneladas de melão contra 24 mil toneladas de igual período de 2009.

"O avanço tecnológico tem contribuído muito para isso. Hoje, as empresas trabalham diversas variedades de melão, que acabam tendo ótima aceitação lá fora", diz Euvaldo Bringel, presidente do Instituto Frutal.

Ele diz que, no momento, o foco dos produtores também está se voltando para o mercado interno. "Só na Frutal 2010, foi feita uma vasta degustação dos diversos tipos de melões. Os produtores estão começando a acreditar nisso também", complementa. Conforme Euvaldo, abacaxi, banana e melancia completam as quatro cultivares produzidas no Ceará que mais seguem o caminho para o exterior. Segundo ele, uma variedade da melancia, a de casca amarela sem sementes, vai ganhar, inclusive, um dia nacional.

Mamão

De acordo com o Instituto Agropolos, outra fruta que vem se destacando nas exportações é o mamão. Nos sete primeiros meses do ano, mais de 957 toneladas foram exportadas. É o maior volume desde 2005. Para se ter uma ideia, a segunda melhor marca tinha sido, até então, a de 808 toneladas no acumulado dos 12 meses de 2006.

Figo

Em contrapartida, o Figo, um dos primeiros cultivares de clima temperado a ingressar no Ceará, deixou de ser produzido em Limoeiro do Norte, única região do Estado onde havia produção, desde 2005.

"Nós tínhamos apenas um agricultor que exportava o figo produzido aqui no Estado. Como qualquer tipo de cultivo, dependia muito da conjuntura lá fora. Com o surgimento daquela crise internacional ficou inviável a produção", explica o coordenador do Programa de Acesso ao Mercado do Instituto Agropolos, José Airton Lacerda da Cruz.
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Fonte: Diário do Nordeste

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