Agricultores aguardam melhora no preço para tirar mandioca da terra

Publicado em 31/03/2011 08:09 584 exibições
No Paraná, a colheita da raiz caminha aos poucos. Para tentar obter um preço melhor, agricultores negociam com as fecularias.
No Paraná, as lavouras de mandioca estão prontas para a colheita, só que os agricultores estão esperando um preço melhor para tirar a raiz da terra.

Na propriedade do agricultor Flávio Pelicer em Paranavaí, noroeste do Paraná, a colheita da mandioca caminha aos poucos. Para tentar obter um preço melhor, o agricultor tenta negociar com as fecularias, mas mesmo assim, ele deve vender a raiz por um valor 25% menor que o recebido no mesmo período do ano passado.

A redução no preço, no entanto, deve ser compensada pela boa produção. A expectativa é colher mais de 4 milhões de toneladas da raiz, 14% a mais do que em 2010.

A qualidade da raiz para esta safra também está sendo comemorada. “De uma maneira geral, a lavoura está indo bem. Alguns agricultores tiveram problemas de excesso de chuva que pode ocasionar eventualmente apodrecimento de raiz, mas de uma maneira geral, a qualidade está boa”, explicou Mário Takahashi, agrônomo.

O preço médio da tonelada da raiz na região é de R$ 240. Nessa mesma época do ano passado valia R$ 320. Na esperança de que a toneleda volte a atingir estes níveis, a maior parte dos agricultores está esperando para arrancar a mandioca. Dos 203 mil hectares plantados no estado, apenas seis mil foram colhidos.

A família Maia, por exemplo, tem 651 hectares prontos esperando preços melhores. “Nós vamos aguardar um pouco pra que possamos realizar a nossa satisfação financeira”, disse O agricultor Carlos Maia.

O ritmo mais lento na colheita está prejudicando os trabalhadores temporários.

Essa decisão dos agricultores de atrasar a colheita da mandioca por enquanto não afeta o trabalho nas fecularias. Uma única indústria produz cerca de 70 toneladas por dia. A fécula é o polvilho doce e azedo, ingrediente do pão de queijo.

Ivo Pierin Júnior, vice presidente da Associação Brasileira de Produtores de Amido de Mandioca, explicou que houve uma queda de preço em função do aumento de área plantada e de oferta para as fecularias. Isso fez com que o preço caísse em relação ao de 2010. O ideal é que os produtores regulem a oferta para as indústrias, pois não existe financiamento suficiente para bancar grandes estoques. Hoje a tonelada da mandioca está na faixa de R$ 240, sendo que a diminuição de oferta e regulagem que os produtores fazem no momento fez com que os preços deixassem de cair e tivessem pequena melhora para o produtor. A fécula não tem problema de estocagem, os problemas são de financiamentos. Os prazos são relativamente curtos, os custos altos e os problemas são para bancar os estoques por parte das indústrias. Os produtores teriam que manter os estoques na terra.

Cresce safra da mandioca no Pará e agricultores investem na farinha

A safra de mandioca deve ser maior, este ano, no Pará. A cultura está ganhando cada vez mais espaço no estado e tem muita gente investindo na transformação da raiz em farinha.

Na região oeste do Pará está concentrada uma das maiores produções de mandioca do estado. A raiz é um importante produto da agricultura familiar e é tão popular no estado que transformou o Pará no maior produtor do país. A safra deste ano já começou. De acordo com a Emater, a área plantada deverá crescer 25% em relação à cultivada no ano passado.

“Hoje nós temos uma produção em torno de 150 mil hectares no município com uma produção de mais ou menos três milhões de toneladas de raiz por ano”, explicou Dorivan do Vale, técnico agropecuário da Emater.

A tonelada da mandioca é vendida principalmente para casas de farinha da região. Em média, a tonelada está saindo por R$ 188, mesmo preço do ano passado. Apesar de muitos viverem da venda da raiz, é a comercialização da farinha que tem atraído cada vez mais os pequenos produtores.

Jorge e Josélia Figueiredo apostaram no cultivo da mandioca. Da agricultura de subsistência, eles passaram a cultivar a maniva para a produção de seus derivados, hoje, em escala comercial.
Com a parceria de outras famílias, para a colheita e fabricação da farinha, a produção semanal chega a 80 sacas de tapioca e 20 sacas da farinha amarela.

O trabalho de fabricação da farinha ainda é feito de forma artesanal, mas algumas adaptações tecnológicas produzidas na comunidade que facilitam o trabalho e aumentaram a produtividade e o custo benefício.

A produção de mandioca deu tão certo, que além da pequena roça da família, o casal arrendou outras áreas e hoje compra a produção de outros agricultores para dar conta da demanda que só aumenta.

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Globo Rural

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